Sumário8 seções
O uso de álcool atravessa muitas queixas que chegam ao consultório — ansiedade, insônia, conflitos conjugais, depressão — e costuma ser subestimado. O AUDIT tira o tema do "achismo" e abre a conversa. Contexto em instrumentos de avaliação psicológica.
O que o AUDIT pergunta
| Itens | Domínio |
|---|---|
| 1–3 | Consumo (frequência, quantidade, episódios de uso pesado) |
| 4–6 | Sinais de dependência (perda de controle, prejuízo de obrigações, beber pela manhã) |
| 7–10 | Consequências (culpa, apagões, lesões, preocupação de outras pessoas) |
Os itens 1 a 8 valem de 0 a 4; os itens 9 e 10 valem 0, 2 ou 4.
Zonas de risco
| Escore | Zona | Conduta sugerida |
|---|---|---|
| 0–7 | I — Baixo risco | Educação sobre consumo de baixo risco |
| 8–15 | II — Uso de risco | Orientação básica |
| 16–19 | III — Uso nocivo | Orientação, intervenção breve e monitoramento |
| 20–40 | IV — Provável dependência | Encaminhamento para avaliação e tratamento especializado |
Como aplicar bem
- Explique o motivo ("pergunto a todos sobre álcool, porque influencia sono, humor e ansiedade").
- Defina a dose padrão para facilitar as respostas.
- Sem julgamento: a postura da entrevistadora influencia a honestidade.
- Discuta o resultado com a pessoa: o próprio feedback é uma intervenção.
Intervenção breve
Na zona III, uma intervenção breve costuma incluir: feedback do escore, informação sobre riscos, escuta da ambivalência, metas de redução combinadas e acompanhamento. Técnicas de entrevista motivacional ajudam.
Registro
27/01/2026 — Sessão 3 · 50 minutos · presencial. Paciente: Sérgio Lima (nome fictício), 44 anos, representante comercial, em acompanhamento por ansiedade e conflitos no casamento. Na anamnese, contou que "bebe como todo mundo", e a esposa, segundo ele, reclama das noites de sexta.
Por que aplicar: o relato sobre o álcool era vago, e a esposa via problema onde ele não via. O instrumento ofereceu uma medida comum para os dois olharem.
Resultado: AUDIT com escore 17 (zona III, uso nocivo), com episódios de uso pesado semanais, às sextas e aos sábados, e relato de esquecimentos depois de beber em duas ocasiões no último mês.
Leitura com a entrevista: o escore converge com o relato da esposa e com as brigas do casal, que acontecem sempre depois das noites de bebida. Também ajuda a entender parte da ansiedade das manhãs de segunda, que ele atribuía só ao trabalho. O instrumento indica o padrão de uso e o risco, e não um diagnóstico, que exigiria avaliação mais ampla.
Reação do paciente: surpreso com o resultado ("achei que dava uns 5"), ficou em silêncio e depois perguntou "o que dá para fazer".
Intervenção breve: devolutiva do resultado, sem julgamento; riscos associados ao padrão, incluindo os esquecimentos; conversa sobre o que ele ganha e o que perde bebendo; metas definidas por ele. Paciente propõe não beber durante a semana e limitar a duas latas na sexta.
Conduta: monitorar o consumo com registro diário; reavaliar em 4 semanas; considerar encaminhamento a serviço especializado se não houver redução.
Uso
O AUDIT foi desenvolvido pela OMS para a atenção primária e é disponibilizado publicamente, com versões em português. É usado por médicos, enfermeiros e outros profissionais de saúde como rastreio.
Antes de usar: o que diz o CFP
Pela Resolução CFP nº 31/2022 (art. 10), escalas, inventários e questionários são testes psicológicos. Na avaliação psicológica, o uso depende da situação do instrumento no SATEPSI:
| Situação no SATEPSI | O que isso significa |
|---|---|
| Parecer favorável | Pode ser fonte fundamental, conforme o manual aprovado |
| Não privativo | Pode ser fonte complementar; a Cartilha de 2022 considera falta ética concluir só com esses instrumentos |
| Não avaliado ou desfavorável | Não pode ser usado como teste nem como fonte complementar, segundo a Cartilha de 2022 |
Consulte a situação atual do AUDIT no SATEPSI antes de incluí-lo na sua avaliação. Ser gratuito ou ter licença aberta dos autores não equivale a aprovação para uso profissional da psicóloga. Veja testes psicológicos e SATEPSI.
Fora de uma avaliação psicológica formal, na conversa clínica sobre consumo, as perguntas sobre frequência, quantidade e consequências do uso fazem parte da entrevista, com registro do relato e da sua observação.
Uso de álcool no DocsPSI: rastreio, intervenção breve e metas acompanhadas
O rastreio abre a conversa, mas o que muda o padrão de uso é o acompanhamento: as metas que o paciente definiu, o registro do consumo da semana, a reavaliação depois de algumas semanas. Sem registro, a intervenção breve vira uma conversa isolada.
No DocsPSI, a biblioteca de recursos traz o roteiro autoral sobre uso de álcool, com entrevista colateral com um familiar, sem pontuação. A sessão da intervenção breve, gravada com consentimento ou importada depois em áudio, vira em menos de 5 minutos um prontuário inteligente em 7 seções, com o resultado do rastreio que você registrou, as metas combinadas e a avaliação de risco. A Linha do Tempo Terapêutica mostra a evolução do consumo e das metas ao longo das semanas, e a supervisão por IA, disponível 24 horas, ajuda a pensar quando é hora de encaminhar a um serviço especializado, como apoio à reflexão. O DocsPSI não aplica escalas; a interpretação é sua.
Para começar, há o primeiro mês promocional do Plano Starter, com acesso a todas as funcionalidades e sem fidelidade.
Perguntas frequentes
O que é o teste AUDIT?
É um questionário de 10 perguntas da OMS para identificar consumo de risco, uso nocivo e provável dependência de álcool.
Qual a pontuação do AUDIT?
De 0 a 40. As zonas são: 0–7 baixo risco, 8–15 uso de risco, 16–19 uso nocivo e 20 ou mais provável dependência.
O que é o AUDIT-C?
São as três primeiras perguntas do AUDIT, usadas como rastreio rápido de consumo.
Psicóloga pode aplicar o AUDIT?
Como instrumento na avaliação psicológica, depende da situação no SATEPSI, porque questionários são testes pela Resolução CFP nº 31/2022. Perguntar sobre consumo de álcool na entrevista clínica é sempre possível e recomendável.
Referências: Babor, T. F. et al. AUDIT: the alcohol use disorders identification test. Guidelines for use in primary care. 2. ed. Genebra: OMS, 2001 · Conselho Federal de Psicologia. Resolução CFP nº 31/2022, art. 10 · Cartilha Avaliação Psicológica (CFP, 2022).
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