Sumário7 seções
A entrevista não é a parte "menos técnica" da avaliação. É ela que transforma uma queixa vaga ("ele não presta atenção") em uma pergunta investigável ("as dificuldades aparecem em mais de um contexto e desde quando?"). Visão geral em instrumentos de avaliação psicológica.
Tipos de entrevista
| Tipo | Como é | Quando usar |
|---|---|---|
| Aberta | Temas surgem do relato; a psicóloga acompanha e aprofunda | Acolhimento, início do processo, demandas pouco claras |
| Semiestruturada | Roteiro de áreas a cobrir, ordem e profundidade flexíveis | A maioria das avaliações clínicas |
| Estruturada | Perguntas padronizadas, em ordem fixa | Quando o instrumento exige padronização |
Entrevista x anamnese
A anamnese reconstrói a história de vida e do desenvolvimento; a entrevista clínica é mais ampla: inclui a anamnese, mas também o motivo da consulta, a exploração dos sintomas, o funcionamento atual, a avaliação de risco e a observação da própria interação. Roteiros de anamnese em anamnese psicológica e perguntas de anamnese.
Roteiro de uma entrevista semiestruturada
- Enquadre: objetivos da avaliação, número de encontros, sigilo e seus limites, devolutiva e destino do documento.
- Motivo da procura: em palavras da pessoa, quem sugeriu a avaliação e o que espera dela.
- Queixa atual: início, frequência, intensidade, contextos, o que melhora e o que piora.
- Funcionamento: trabalho ou escola, relações, sono, alimentação, lazer.
- História: desenvolvimento, saúde, escolaridade, família, eventos marcantes.
- Avaliação de risco: ideação suicida, autolesão, violência. Veja avaliação de risco de suicídio.
- Recursos: o que já ajudou, rede de apoio, pontos fortes.
- Fechamento: síntese do que foi entendido, próximos passos e espaço para dúvidas.
Durante toda a entrevista, observe: apresentação, contato, linguagem, afeto, coerência do relato. Veja exame do estado mental.
Informantes
Na avaliação de crianças, adolescentes e em alguns contextos com adultos, outras pessoas trazem informações importantes: responsáveis, professores, cônjuges. Registre quem disse o quê, porque o laudo precisa indicar quem forneceu as informações e citar as pessoas ouvidas (Resolução CFP nº 06/2019, art. 13), e combine antes o que será compartilhado. Com crianças e adolescentes, veja anamnese infantil.
Registro
02/09/2026 — Entrevista inicial da avaliação · 60 minutos · presencial.
Presentes: a avaliada, Laura (nome fictício), 27 anos, auxiliar administrativa, e, na segunda metade, a mãe, com a concordância da avaliada.
Enquadre: apresentados os objetivos, as etapas, o sigilo e seus limites e a devolutiva. Combinado que a mãe seria ouvida só sobre o que Laura autorizasse.
Motivo: encaminhamento do médico do trabalho por dificuldade de concentração depois de uma licença médica de 60 dias, em junho, por pneumonia com internação. O médico pede avaliação para orientar o retorno às funções.
Relato da avaliada: queda de rendimento há cerca de oito meses, portanto anterior à internação; esquece prazos e perde o fio de conversas. Sono irregular, com dificuldade para adormecer e despertares às 4h. Deixou de sair com as amigas em fevereiro e diz que "tudo cansa". Nega uso de álcool acima do social e de outras substâncias.
Relato da mãe: descreve mudança de comportamento no mesmo período: a filha, "que sempre foi animada", passou a ficar no quarto e a chorar sem motivo aparente. Associa o início ao fim do noivado de Laura, em janeiro, tema que a avaliada não tinha mencionado.
Divergência entre as fontes: Laura situou o início das dificuldades no trabalho; a mãe, no fim do noivado. Quando o tema foi retomado, Laura confirmou o término e disse que "não queria falar disso agora". A divergência foi registrada, sem pressão para aprofundar.
Segurança: perguntada diretamente, nega ideação suicida, atual e passada. Rede de apoio presente: a mãe e uma irmã.
Observação: contato adequado, discurso coerente, fala lenta, afeto rebaixado, com choro breve ao falar das amigas. Atenção preservada na entrevista, sem perder o fio das perguntas.
Hipóteses iniciais, a examinar: a queda de concentração pode estar ligada a sintomas depressivos, cujo início parece coincidir com o término, e a leitura "é só o trabalho" pode ser uma forma de manter o tema à distância. Efeitos residuais da internação sobre o cansaço e a atenção também precisam ser considerados, com informação médica.
Plano: segunda entrevista para a história do desenvolvimento e a escolha dos instrumentos; pedir, com autorização, o relatório da internação.
Erros comuns x forma correta
| Erro comum | Forma correta |
|---|---|
| Transformar a entrevista em questionário lido em voz alta | Roteiro como guia, com escuta e aprofundamento |
| Não explicar o enquadre no início | Objetivos, etapas, sigilo e devolutiva no primeiro encontro |
| Esquecer a avaliação de risco | Perguntar diretamente, em toda avaliação clínica |
| Não identificar quem forneceu cada informação | Registrar a fonte de cada dado relevante |
| Tirar conclusões na primeira entrevista | Levantar hipóteses e testá-las com as demais fontes |
| Registrar a entrevista dias depois | Registrar no mesmo dia, com data e presentes |
O registro dos atendimentos na avaliação psicológica é obrigatório (Resolução CFP nº 31/2022, art. 6º, parágrafo único).
Entrevista clínica no DocsPSI: toda a atenção na pessoa
Na entrevista, a atenção precisa estar na pessoa e na interação: no que ela diz, no que evita, no que muda quando a mãe entra na sala. Anotar ao mesmo tempo divide a escuta, e anotar depois perde exatamente os detalhes que importam, como a divergência entre as versões ou a frase que a pessoa disse antes de mudar de assunto.
No DocsPSI, a entrevista, gravada com consentimento ou importada depois em áudio, vira em menos de 5 minutos um prontuário inteligente em 7 seções, com o relato separado das observações e das hipóteses, e com a avaliação de risco baseada no que foi dito. A IA considera a abordagem teórica e a especialidade que você informou nas configurações. A biblioteca de recursos traz roteiros autorais de entrevista psicológica inicial e por tema, sem pontuação, que apoiam a escuta sem substituí-la. A Linha do Tempo Terapêutica reúne as entrevistas seguintes, e a supervisão por IA, disponível 24 horas, ajuda a pensar as hipóteses iniciais.
Você revisa, ajusta e assina, e registra quem forneceu cada informação. Para começar, há o primeiro mês promocional do Plano Starter, com acesso a todas as funcionalidades e sem fidelidade.
Perguntas frequentes
A entrevista é suficiente para uma avaliação psicológica?
A entrevista é uma fonte fundamental, mas a combinação de fontes depende da pergunta e da finalidade. Em muitos casos, ela se soma a testes aprovados e à observação.
Qual a diferença entre entrevista e anamnese?
A anamnese reconstrói a história de vida e do desenvolvimento. A entrevista clínica é mais ampla e inclui a queixa atual, o funcionamento, a avaliação de risco e a observação da interação.
Posso fazer a entrevista por vídeo?
Sim, com ambiente reservado, confirmação de identidade e registro da modalidade. Veja avaliação psicológica online.
Quantas entrevistas fazer numa avaliação?
Não há número fixo. Depende da pergunta, da idade da pessoa e dos informantes necessários. O laudo precisa informar o número de encontros e a duração do processo (Resolução CFP nº 06/2019, art. 13, § 4º, I).
Referências: Conselho Federal de Psicologia. Resolução CFP nº 31/2022, arts. 3º e 6º · Resolução CFP nº 06/2019 · Cunha, J. A. Psicodiagnóstico-V. 5. ed. Porto Alegre: Artmed, 2000.
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