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Linha do tempo terapêutica: visão longitudinal do caso

Linha do tempo terapêutica: como organizar a visão longitudinal do caso, o que registrar, exemplo, uso na supervisão e nos relatórios, e apoio de IA.

Linha do tempo fictícia reunindo sessões, medidas, documentos e marcos do acompanhamento.
Sumário6 seções

Depois de 30 sessões, é difícil lembrar quando um tema apareceu pela primeira vez ou em que mês o humor mudou. A evolução registra cada encontro; a linha do tempo mostra o percurso. Uma sem a outra deixa o caso incompleto.

Este guia mostra o que entra na linha do tempo, um exemplo fictício, para que ela serve, como montá-la à mão e como usar IA com critério. Base em prontuário psicológico.

O que entra na linha do tempo

ElementoExemplo
Eventos de vidaMudança de emprego, luto, separação
Marcos do tratamentoInício, revisão do plano, mudança de frequência, alta
MedidasEscala subjetiva de 0 a 10, contagem de comportamentos, instrumentos com parecer favorável no SATEPSI
TemasPrimeira vez que um tema apareceu, retomadas
CondutasEncaminhamentos, novas técnicas, contato com a rede
DocumentosRelatórios, declarações e atestados emitidos
RiscosAvaliações de risco e planos de segurança

Escalas, inventários e questionários padronizados são testes psicológicos pela Resolução CFP nº 31/2022 (art. 10). Se usar, confira o parecer no SATEPSI. Veja instrumentos de avaliação psicológica.

Exemplo fictício

ModeloLinha do tempo — exemplo fictício

Paciente: Helena (nome fictício), 31 anos, arquiteta. Acompanhamento semanal em TCC.

Out/2025 — Início. Queixa: ansiedade no trabalho, com crises antes de apresentações a clientes. Ansiedade autorrelatada: 8/10. Contrato e plano terapêutico, com três objetivos: apresentar sem crise, reduzir a revisão excessiva dos projetos e dormir melhor.
Nov/2025 — Formulação. Primeira menção à relação com o pai, "que só comentava o erro". Crença identificada: "se não estiver perfeito, vão ver que não sou boa". Introduzida exposição gradual, começando por apresentar para a própria equipe.
Jan/2026 — Primeira revisão do plano. 2 de 3 objetivos em progresso: apresentou duas vezes à equipe e reduziu as revisões de cinco para duas por projeto. O sono segue fragmentado. Ansiedade autorrelatada: 5/10.
Mar/2026 — Evento de vida. Morte da avó, com quem morou na infância. Piora do humor e do sono; faltou a duas sessões. Avaliação de risco realizada; sem ideação suicida relatada; plano de segurança revisado. Exposição pausada, e o foco das sessões passou para o luto.
Mai/2026 — Coordenação do cuidado. Encaminhamento à psiquiatria pelo sono, com a concordância da paciente. Relatório para a psiquiatra, com autorização. Início de medicação para o sono.
Jun/2026 — Retomada. Exposição retomada, agora com apresentações a clientes. Primeira apresentação a cliente sem crise, com ansiedade de 6/10 antes e 3/10 depois.
Set/2026 — Espaçamento. Ansiedade autorrelatada: 3/10. Sono de cerca de sete horas. Início do espaçamento quinzenal, com revisão do plano de prevenção de recaída prevista para novembro.

O que a linha do tempo mostra e uma sessão isolada não mostra: a piora de março tem causa identificada (o luto), a pausa na exposição foi decisão clínica, e não abandono, e a melhora de setembro vem de um percurso de quase um ano.

Para que serve

  • Preparar a sessão: o que estava em curso, o que ficou pendente, o que combinar.
  • Perceber padrões: pioras em datas específicas, temas que voltam, efeito de mudanças de conduta.
  • Supervisão: apresentar o caso em minutos, com o percurso à vista. Veja supervisão clínica.
  • Relatórios: a análise do relatório psicológico explicita o raciocínio técnico sobre o processo, e a linha do tempo mostra esse processo. Veja relatório de acompanhamento.
  • Revisão do plano: comparar objetivos e resultados. Veja plano terapêutico.
  • Com o paciente: mostrar a evolução pode ser uma intervenção significativa, cuidando do que é compartilhado.

Como montar à mão

  1. Abra um documento por paciente, junto ao prontuário.
  2. A cada sessão, acrescente uma linha só se houver marco, evento, medida ou mudança de conduta.
  3. A cada revisão do plano, releia a linha do tempo inteira antes da sessão.
  4. Hipóteses e interpretações não compartilhadas com o paciente ficam no registro documental, não na linha do tempo.

Com IA

Sistemas com IA podem montar a linha do tempo a partir dos registros e sugerir focos para a próxima sessão. O guia de IA do CFP admite o apoio à sistematização de dados clínicos, com cuidado com armazenamento e sigilo e com a responsabilidade técnica da psicóloga. As sugestões são insumo para o seu raciocínio, não decisão clínica. Veja como funciona uma IA que gera prontuário.

A Linha do Tempo Terapêutica do DocsPSI

Montar a linha do tempo à mão, como mostrado acima, funciona, mas raramente sobrevive a uma agenda cheia. No DocsPSI, ela é um recurso exclusivo e se monta sozinha:

  • Reúne tudo: prontuários, gravações, documentos e teleconsultas de cada paciente, numa linha visual.
  • Analisa todas as sessões. A IA lê a jornada inteira, e não só a última sessão, o que permite a análise longitudinal do caso.
  • Sugere o próximo passo. A cada sessão, indica o plano e as próximas condutas, que você revisa, aceita, ajusta ou descarta.
  • No seu enquadre. Considera a abordagem teórica e a especialidade que você informou nas configurações.
  • Conversa com a supervisão. Você pode levar o que a linha do tempo mostrou para a supervisão por IA, disponível 24 horas, e discutir o caso a fundo.

A base é o prontuário inteligente em 7 seções que cada sessão gravada com consentimento gera em menos de 5 minutos. A IA sugere, você decide. Para começar, há o primeiro mês promocional do Plano Starter, com acesso a todas as funcionalidades e sem fidelidade.

Perguntas frequentes

O que é linha do tempo terapêutica?

É a organização cronológica de eventos, marcos, medidas e temas de um caso, que dá visão longitudinal do tratamento.

Onde guardar a linha do tempo?

Junto ao prontuário. Hipóteses e interpretações não compartilhadas ficam no registro documental.

Posso mostrar a linha do tempo ao paciente?

Pode ser uma intervenção útil para evidenciar o progresso, cuidando do que é compartilhado.

Posso usar escalas na linha do tempo?

Pode usar medidas simples, como escalas subjetivas de 0 a 10. Escalas padronizadas são testes psicológicos e precisam de parecer favorável no SATEPSI.

A IA decide o foco da próxima sessão?

Não. A IA sugere pontos a partir dos registros; a decisão clínica é sua.

Equipe Editorial DocsPSI

Guias escritos a partir das resoluções do Conselho Federal de Psicologia, do Manual Orientativo de Registro e Elaboração de Documentos Psicológicos (CFP, 2025) e da rotina de milhares de consultórios que usam o DocsPSI.

Revisão técnica: Ana Vanessa de Medeiros Neves — Psicóloga Clínica e da Saúde, CRP 03/3592.

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