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Prontuário psicológico: o que é obrigatório, como fazer e modelo

Prontuário psicológico: o que a Resolução CFP 01/2009 exige, como escrever a evolução, prazo de guarda e o modelo em 7 seções do prontuário inteligente.

Caderno de prontuário aberto com registros fictícios preenchidos em consultório de psicologia.
Sumário12 seções

Se o CRP pedir hoje os seus registros de um paciente atendido há dois anos, você entregaria algo de que se orgulha? Para muita gente a resposta sincera é "depende do dia em que escrevi". Este guia organiza tudo o que a norma pede e o que a prática recomenda, para que o prontuário deixe de ser um peso e passe a ser a memória técnica do seu trabalho.

O que é o prontuário psicológico

O prontuário é o conjunto de informações sobre o serviço psicológico prestado, organizado ao longo do tempo. O Manual Orientativo de Registro e Elaboração de Documentos Psicológicos, publicado pelo CFP em 2025, resume bem a função: o registro "viabiliza que a memória do trabalho realizado permaneça para além do profissional".

Na prática, ele cumpre quatro papéis ao mesmo tempo:

  • Continuidade do cuidado: permite retomar o caso com precisão, rever hipóteses e ajustar a intervenção.
  • Reflexão clínica: dá uma visão longitudinal do processo terapêutico, sessão após sessão.
  • Comunicação: é a base para informes a outros profissionais e para responder ao próprio paciente.
  • Fonte dos documentos: laudos, relatórios e atestados devem ser construídos a partir dele (Resolução CFP 06/2019).

Prontuário ou registro documental: qual usar?

A Resolução 01/2009 prevê duas formas de registro, e confundi-las é um dos erros mais comuns.

ProntuárioRegistro documental
Onde é prioritárioSaúde e assistência (clínica, hospital, CAPS)Demais áreas, conforme a necessidade de restringir o compartilhamento
Acesso da pessoa atendidaÉ um direito dela, que pode solicitá-loAcesso mais restrito
Acesso do Sistema ConselhosLivreLivre
Hipóteses e interpretações não compartilhadasNão é o lugar indicadoÉ o lugar indicado

O próprio Manual orienta: quando você quiser registrar hipóteses diagnósticas, interpretações teórico-clínicas não compartilhadas com o paciente ou análises específicas de sintomas, a forma indicada é o registro documental, e não o prontuário. Aprofundamos essa distinção em registro documental x prontuário.

As 4 partes obrigatórias do prontuário

A Resolução 01/2009 define uma estrutura mínima. Você pode acrescentar campos, mas não pode tirar nenhum destes.

1. Identificação da pessoa atendida

Nome completo e/ou nome social. O Manual recomenda incluir também data de nascimento e um documento de identificação (RG ou CPF). Conforme o contexto, acrescente:

  • nome dos responsáveis, no atendimento de crianças e adolescentes;
  • ao menos um meio de contato (telefone ou e-mail);
  • contato de emergência;
  • dados sociodemográficos relevantes para o trabalho (escolaridade, profissão, estado civil, entre outros).

2. Avaliação da demanda e definição dos objetivos

Descreva o que motivou a busca pelo atendimento, a modalidade de assistência (psicoterapia individual, avaliação, orientação etc.) e os objetivos previstos. Aqui também cabem informações objetivas do enquadre: frequência dos encontros, duração, modalidade presencial ou online e prazo, se houver.

Essa seção é escrita uma vez, no início, e atualizada quando os objetivos ou a conduta mudarem. É o que a anamnese psicológica e o plano terapêutico alimentam.

3. Registro da evolução e dos procedimentos técnico-científicos

É o "coração" do prontuário, nas palavras do Manual. Para cada encontro, registre a data e uma síntese do que foi feito — as atividades realizadas e os procedimentos adotados. Não existe número mínimo de linhas: uma boa evolução se mede pela qualidade, não pelo tamanho.

Duas recomendações do Manual que evitam problemas:

  • Não deixe espaços em branco entre os registros, para prevenir adulterações.
  • Transcrição literal da sessão não é evolução. Falas literais podem aparecer com parcimônia e justificativa técnica; em excesso, fragilizam o registro e aumentam o risco de violação de sigilo.

Veja como escrever na prática no guia de evolução psicológica e nos modelos SOAP, DAP e BIRP.

4. Registro de encaminhamento ou encerramento

Quando o atendimento termina, registre como ele foi concluído: alta, interrupção, abandono, desistência ou encaminhamento — neste caso, com a justificativa e o protocolo de entrega, quando houver. Data e assinatura fecham o registro.

Além das quatro partes: o que acompanha o prontuário

O art. 2º da Resolução CFP nº 01/2009, na redação dada pela Resolução CFP nº 05/2010, vai além da estrutura mínima em mais dois incisos:

IncisoO que determinaNa prática
Art. 2º, VCópias de outros documentos produzidos pela psicóloga, com data, finalidade e destinatárioCada declaração, atestado, relatório ou laudo emitido fica arquivado junto ao registro
Art. 2º, VIDocumentos resultantes da aplicação de instrumentos de avaliação psicológica ficam em pasta de acesso exclusivo da psicólogaProtocolos, folhas de resposta e crivos de testes guardados à parte, com acesso só seu; por isso ficam fora do prontuário, que reúne os incisos I a V (art. 5º, I)

Esses itens são os que mais faltam numa fiscalização: o documento foi entregue, mas não há cópia nem registro de para quem e para quê.

Como escrever: linguagem, frequência e meio

Linguagem. Formal e técnica, mas compreensível por quem não é da Psicologia — o prontuário pode ser lido pelo próprio paciente. Evite tanto o jargão acadêmico quanto o tom coloquial.

Frequência. Registre a cada encontro, de preferência no mesmo dia. Registros feitos "de memória" dias depois perdem precisão e ficam mais genéricos, justamente o que enfraquece o documento se ele um dia for questionado.

Meio. Papel ou digital são aceitos. Se optar por uma plataforma eletrônica, o Manual lembra que é fundamental verificar se ela assegura a autenticidade e a segurança do conteúdo. Planilhas e editores de texto comuns não registram quem alterou o quê, nem quando.

Modelo de prontuário psicológico em 7 seções

A estrutura mínima da Resolução 01/2009 diz o que não pode faltar. Na prática, cada sessão fica muito mais útil quando o registro separa o que foi relatado, o que foi observado, o que foi feito e o que é elaboração da psicóloga. É exatamente nesse formato, em 7 seções, que o DocsPSI entrega o prontuário de cada sessão, de forma automática. Veja um registro completo, de um caso inteiramente fictício.

ModeloProntuário da sessão em 7 seções (caso fictício)

1. Informações básicas

Paciente: Otávio Ramalho (nome fictício), 33 anos · Data do atendimento: 18/08/2026 · Hora de início: 19:00 · Duração da sessão: 50 minutos · Modalidade: presencial · Sessão: 4 · Abordagem: terapia cognitivo-comportamental

2. Estado atual

Apresentação: chegou pontualmente, com barba por fazer e roupas amarrotadas, diferente das sessões anteriores. Sentou-se na borda da poltrona e manteve contato visual intermitente, que se desfazia ao falar do fim de semana. Fala em tom baixo no início, com latência maior nas respostas; ganhou fluidez a partir da metade da sessão.
Humor predominante: rebaixado, com vergonha evidente no início e alívio discreto ao final, depois de relatar o episódio de sábado.
Afeto: congruente com o discurso; olhos marejados ao mencionar a ex-companheira, contidos rapidamente com uma piada ("sou um clichê de música sertaneja").
Nível de sofrimento (0–10): 7/10. Justificativa: relata sono de quatro a cinco horas nas noites de semana, ruminação diária sobre o término e isolamento social desde a mudança; mantém, porém, o trabalho e o cuidado com o cachorro.
Medicações e substâncias: não usa medicação. Relata consumo de três a quatro doses de destilado por noite às sextas e aos sábados, "para conseguir dormir", aumento que situa nos últimos dois meses.

3. Conteúdo da sessão

Descrição das demandas

  • Demanda principal: sofrimento persistente após o fim de um relacionamento de oito anos, três meses antes da mudança de Goiânia para Brasília a trabalho.
  • Demandas secundárias: isolamento social na cidade nova; aumento do consumo de álcool nos fins de semana.
  • Demanda terciária: relação distante com o pai, que o paciente descreve como alguém que "nunca falou de sentimento".

Temas abordados (síntese analítica cronológica)
A sessão começou pelo sábado. O paciente relatou, com dificuldade de sustentar o olhar, que bebeu sozinho em casa e enviou várias mensagens à ex-companheira durante a madrugada, pedindo para "conversar de novo". Descreveu a manhã seguinte com vergonha intensa: "acordei, li o que tinha mandado e quis sumir". Não houve resposta às mensagens.

Em seguida, falou do domingo, que passou sem sair de casa. Ao ser convidado a descrever o dia, percebeu que recusou um convite de colegas para uma partida de futebol "porque não ia ter assunto" e que, à noite, voltou a beber. Associou por conta própria o isolamento ao aumento do consumo: "quanto mais eu fico em casa, mais eu bebo, e quanto mais eu bebo, menos eu quero sair".

O tema do pai surgiu quando o paciente comentou que não contou à família sobre o término durante quase dois meses. Relatou ter crescido ouvindo que "homem resolve sozinho" e que se sente "fraco" por estar em terapia. Relacionou essa regra à dificuldade de aceitar o convite dos colegas e de responder às mensagens da irmã.

Ao final, falou do trabalho como único espaço em que ainda se sente competente. Descreveu o projeto que coordena com entusiasmo, e a postura corporal mudou visivelmente enquanto falava.

4. Intervenções

Técnicas utilizadas

  • Análise funcional do episódio de sábado: identificou-se com o paciente a sequência entre a noite sozinho, o pensamento "ela nunca mais vai querer falar comigo", a tristeza, o consumo de álcool, as mensagens e a vergonha do dia seguinte; o paciente reconheceu o ciclo e disse que "nunca tinha visto isso em ordem".
  • Psicoeducação sobre álcool, sono e humor: explicou-se que o álcool pode ajudar a adormecer, mas fragmenta o sono e piora o humor no dia seguinte; o paciente mostrou surpresa e anotou a informação.
  • Questionamento socrático sobre a regra "homem resolve sozinho": examinaram-se as vantagens e os custos da regra na vida atual; o paciente concluiu que ela o protegeu na infância e hoje o mantém isolado.
  • Validação da vergonha como resposta compreensível, sem reforçar a autocrítica.

Atividades recomendadas

  • Registrar, nos próximos sete dias, as noites de consumo de álcool, a quantidade e o que aconteceu antes.
  • Aceitar um convite social na semana, ainda que por pouco tempo, e anotar o que pensou antes e o que aconteceu de fato.

5. Anotações privadas

Insights observados: o paciente percebeu a relação entre isolamento, consumo de álcool e contato impulsivo com a ex-companheira; nomeou pela primeira vez a regra aprendida com o pai como algo que "não precisa ser verdade para sempre".
Resistências observadas: uso do humor para interromper o contato com a tristeza; minimização inicial do consumo de álcool ("todo mundo bebe no fim de semana"); desvalorização da própria terapia como sinal de fraqueza.
Objetivos para a próxima sessão: revisar o registro de consumo e a exposição social combinada; retomar a conceituação com a regra sobre pedir ajuda.
Ajustes no plano: incluir no plano terapêutico objetivos sobre o uso de álcool e a ampliação da rede social na cidade nova; avaliar, a partir do registro semanal, a indicação de avaliação médica.

6. Avaliação de risco

Risco a si: baixo a moderado. Perguntado diretamente, relatou ter pensado, há cerca de duas semanas, que "tanto faz acordar ou não", sem intenção nem plano, e nega pensamentos semelhantes desde então. O consumo de álcool em isolamento e o término recente elevam a vigilância.
Risco a terceiros: ausente.
Risco de suicídio: baixo no momento. Nega ideação ativa, plano ou tentativas anteriores. Fatores de proteção: vínculo com a irmã, responsabilidade com o cachorro, engajamento no trabalho e adesão à terapia. Combinados sinais de alerta e contatos de apoio, incluindo o CVV (188), e reavaliação em todas as sessões.

7. Reflexão profissional

Hipóteses clínicas: reação de ajustamento ao término e à mudança de cidade, com sintomas depressivos e uso de álcool como estratégia de regulação emocional, a acompanhar; investigar nas próximas sessões a persistência dos sintomas depressivos e o padrão de consumo antes de qualquer conclusão diagnóstica.
Formulação (TCC): o término parece ter ativado uma crença de desvalor ("se ela foi embora, é porque eu não sou suficiente"), protegida pela regra "homem resolve sozinho". A regra impede o pedido de ajuda e mantém o isolamento; no isolamento, o álcool alivia a tristeza no curto prazo e aumenta o risco de comportamentos impulsivos, que geram vergonha e reforçam a crença.
Contratransferência (acrescentada pela psicóloga na revisão): percebi em mim o impulso de aconselhá-lo a não procurar a ex-companheira; registro para manter a postura de investigação e não assumir o lugar de conselheira.
Dúvidas para a supervisão: em que ponto o padrão de consumo justifica encaminhamento para avaliação médica; como trabalhar a vergonha pelo episódio de sábado sem que o paciente passe a esconder novos episódios.

Encerramento

Registro elaborado em conformidade com as Resoluções CFP nº 01/2009 e nº 06/2019, com fidelidade técnica, confidencialidade e integridade documental.

Três coisas fazem desse registro um bom prontuário. Primeiro, relato, observação, intervenção e hipótese estão separados: quem lê sabe o que o paciente disse, o que foi feito e o que é elaboração da psicóloga. Segundo, as ações da profissional aparecem em voz impessoal ("explicou-se", "orientou-se"), como pede a linguagem técnica de registro. Terceiro, a avaliação de risco registra a pergunta feita, a resposta obtida, os fatores de proteção e a conduta combinada. E há ainda um quarto ponto, que distingue um registro técnico de um resumo: a análise funcional, as resistências, a formulação na abordagem da psicóloga e a contratransferência mostram o raciocínio clínico, e não só o que aconteceu.

As seções 5 e 7 concentram a elaboração da psicóloga: insights, planos, hipóteses e dúvidas. O Manual Orientativo do CFP (2025) orienta que hipóteses e interpretações ainda não compartilhadas com a pessoa atendida fiquem no registro documental, porque o prontuário é de acesso dela. Veja registro documental x prontuário.

Prontuário inteligente: o registro que o DocsPSI entrega em minutos

Prontuário atrasado raramente é falta de disciplina. O problema é o método: reconstruir de memória, no fim do dia, 50 minutos de sessão depois de seis ou oito atendimentos. É assim que nascem o prontuário pendente, o incompleto e o superficial, aquele que não conta a história do caso justamente no dia em que você precisa dele.

O DocsPSI inverte essa lógica com o prontuário inteligente. Inteligente porque usa inteligência artificial especializada em psicologia para transformar a sessão em registro técnico. A sessão, presencial ou por teleconsulta, é gravada com o consentimento do paciente, e você confirma o termo na plataforma antes de começar. A partir da transcrição, a IA escreve o prontuário estruturado nas 7 seções clínicas do modelo acima, de 5 a 8 páginas, com toda a evolução e a avaliação da sessão em detalhe.

Terminou a sessão, em menos de 5 minutos o prontuário está escrito. Para quem grava as sessões, é o fim de três velhos conhecidos:

  • Nunca mais o prontuário pendente, acumulado para a noite ou o fim de semana.
  • Nunca mais o prontuário incompleto, que esqueceu a pergunta sobre risco ou a técnica usada.
  • Nunca mais o prontuário superficial, do tipo “paciente veio, conversamos”.

Além da transcrição, o áudio da sessão fica vinculado ao prontuário do paciente, protegido por criptografia, pelo período previsto no seu plano. Os dados ficam isolados por profissional, com criptografia AES-256: nenhuma outra conta acessa os seus pacientes.

É documentar como se deve, com segurança técnica e jurídica: um registro completo e datado, que separa o observado da hipótese clínica, descreve as intervenções e a resposta do paciente e traz a avaliação de risco em toda sessão. A IA já vem preparada para entregar esse resultado, e a palavra final é sua: você revisa, ajusta se quiser e assina, como orienta o CFP para o uso de IA no registro.

Superpoderes para acompanhar o caso inteiro

O prontuário é o começo. Somado a duas ferramentas, ele muda o acompanhamento de qualquer paciente:

RecursoO que faz por você
Prontuário inteligenteRegistra cada sessão nas 7 seções, em minutos, com evolução, intervenções e avaliação de risco
Linha do Tempo TerapêuticaReúne prontuários, gravações, documentos e teleconsultas e permite a análise longitudinal do caso, abarcando todas as sessões; a IA analisa a jornada e sugere pontos para a próxima sessão
Supervisão clínica por IAAnalisa a sessão e permite discutir o caso concreto a fundo, com orientações para o próximo encontro; apoia a sua reflexão, sem substituir a supervisão humana

É por isso que o DocsPSI é a nova fronteira dos prontuários psicológicos: ele dá superpoderes à psicóloga. Você fica inteira na sessão, sem anotar, e sai dela com um registro que a memória sozinha não produziria. Para começar, há o primeiro mês promocional do Plano Starter, com acesso a todas as funcionalidades e sem fidelidade.

Guarda, sigilo e acesso

Prazo de guarda. Os documentos e o material que os fundamentam devem ser guardados por no mínimo cinco anos, contados a partir do último registro (Resolução CFP nº 01/2009, art. 4º, § 1º; Resolução CFP nº 06/2019, art. 15; Manual Orientativo de 2025). O prazo pode ser ampliado por lei, por determinação judicial ou quando as circunstâncias do caso exigirem. Em estabelecimentos de saúde, a Lei 13.787/2018 estende a guarda do prontuário para 20 anos; com crianças e adolescentes, o Manual recomenda preservar as informações ao menos até a maioridade. Veja prazo de guarda.

Responsabilidade. Cabe à psicóloga, em conjunto com a instituição onde o serviço foi prestado.

Sigilo. Todo registro psicológico, seja prontuário, seja registro documental, tem natureza sigilosa e acesso restrito a terceiros. O Sistema Conselhos tem acesso livre para fins de orientação e fiscalização.

Acesso do paciente. Como o prontuário é um direito da pessoa atendida, ela pode solicitá-lo. É por isso que ele deve ser escrito para ser lido — e é por isso que interpretações não compartilhadas vão para o registro documental.

Mais detalhes em guarda do prontuário psicológico e em o paciente pode pedir o prontuário?.

Prontuário no papel, no Word ou em sistema?

Os três são aceitos pela norma, desde que cumpram estrutura, sigilo e guarda. A diferença está no risco e no tempo:

CritérioPapelWord/Google DocsSistema especializado
Autenticidade (quem alterou, quando)Assinatura manualFrágilRegistro datado e assinado
SegurançaArmário com chaveDepende da conta pessoalCriptografia e controle de acesso
Busca de uma sessão antigaLentaRazoávelImediata
Tempo para registrarAltoMédioBaixo, especialmente com IA
Guarda por 5 anos ou maisEspaço físicoBackup manualBackup automático

Se você usa IA para apoiar o registro, siga as orientações do CFP: consentimento do paciente para gravar, plataforma com privacidade conhecida e revisão integral antes de assinar. Explicamos os limites no guia IA para psicólogos e comparamos sistemas em prontuário eletrônico para psicologia.

Checklist do prontuário defensável

  • Identificação completa, com documento e contato de emergência
  • Demanda, modalidade, enquadre e objetivos descritos no início
  • Uma evolução por encontro, datada, sem espaços em branco
  • Procedimentos e técnicas utilizados registrados
  • Faltas, remarcações e intercorrências anotadas
  • Hipóteses não compartilhadas no registro documental, e não no prontuário
  • Encerramento ou encaminhamento registrado ao final
  • Guarda segura por no mínimo 5 anos

Passo a passo: do primeiro contato ao encerramento

  1. Antes da primeira sessão: abra o prontuário com a identificação e o contato de emergência. Registre o contrato terapêutico e, se houver gravação ou uso de IA, o consentimento específico.
  2. Primeira sessão: registre a demanda, a modalidade, o enquadre e os objetivos iniciais. Se fizer avaliação de risco, registre o resultado e a conduta.
  3. A cada sessão: uma evolução datada, no mesmo dia, com o que foi trabalhado, os procedimentos e o combinado para a próxima.
  4. Faltas e contatos fora da sessão: registre faltas, remarcações, mensagens relevantes e contatos com outros profissionais (com autorização).
  5. Revisões periódicas: a cada ciclo (por exemplo, a cada 8 ou 12 sessões), revise os objetivos e registre o que mudou no plano.
  6. Documentos emitidos: guarde cópia de declarações, relatórios e laudos, com data, finalidade e destinatário, e o protocolo de entrega.
  7. Encerramento: registre como o atendimento terminou (alta, interrupção, abandono ou encaminhamento), as orientações dadas e a data. Veja alta terapêutica.

Erros comuns x forma correta

Erro comumForma correta
Registrar só "paciente veio, conversamos"Síntese do que foi trabalhado, procedimentos e combinados
Escrever as evoluções no fim do mês, de memóriaRegistrar no mesmo dia, datado
Colar a transcrição da sessãoTranscrição não é evolução; registrar síntese técnica
Deixar linhas em branco entre registrosRegistros contínuos, sem espaços, para evitar adulteração
Anotar hipóteses e interpretações não compartilhadas no prontuárioUsar o registro documental para esse conteúdo
Não registrar faltas e contatos por mensagemRegistrar faltas, remarcações e contatos relevantes
Guardar arquivos soltos no computador pessoalMeio que assegure autenticidade, segurança e backup
Não registrar o encerramentoRegistrar alta, abandono ou encaminhamento, com data
Emitir relatório sem base no prontuárioDocumentos construídos a partir do registro (Resolução CFP 06/2019)
Linguagem coloquial ou jargão excessivoLinguagem técnica, compreensível para a própria pessoa atendida

O que o CRP observa numa fiscalização

Numa orientação ou fiscalização, o Sistema Conselhos tem acesso livre aos registros. O que costuma ser verificado: se existe registro de todos os atendimentos; se a estrutura mínima da Resolução 01/2009 está presente; se os documentos emitidos têm base nos registros; se a guarda garante sigilo e se o prazo mínimo é respeitado. Um prontuário organizado transforma esse momento em mera formalidade. Veja também processo ético no CRP.

Perguntas frequentes

O prontuário psicológico é obrigatório?

Sim. A Resolução CFP nº 01/2009 torna obrigatório o registro documental de todo serviço psicológico prestado. Nos contextos de saúde e assistência, a forma prioritária desse registro é o prontuário.

Quanto tempo devo guardar o prontuário?

No mínimo cinco anos a partir do último registro, conforme a Resolução CFP 06/2019 (art. 15) e a 01/2009. O prazo pode ser maior por lei (20 anos em estabelecimentos de saúde, pela Lei 13.787/2018), decisão judicial ou necessidade do caso.

O paciente pode ter acesso ao prontuário?

Sim. O prontuário é um direito da pessoa atendida, que pode solicitá-lo à psicóloga ou à instituição. Por isso, interpretações e hipóteses não compartilhadas devem ir para o registro documental.

Posso fazer o prontuário no computador?

Pode. A norma aceita papel e meio digital. No digital, o Manual Orientativo do CFP recomenda verificar se a plataforma garante autenticidade e segurança do conteúdo.

O que mais precisa ficar guardado junto com o prontuário?

Os documentos resultantes de instrumentos de avaliação psicológica, em pasta de acesso exclusivo da psicóloga, e cópias dos documentos que você emitiu, com data, finalidade e destinatário (Resolução CFP nº 01/2009, art. 2º, V e VI).

Posso colar a transcrição da sessão no prontuário?

Não como evolução. O Manual Orientativo é explícito: transcrição literal não é evolução. A evolução é uma síntese técnica do que foi realizado.

Existe prontuário psicológico feito com inteligência artificial?

Existe. No DocsPSI, a sessão gravada com consentimento vira, em minutos, um prontuário inteligente em 7 seções clínicas, escrito pela IA a partir da transcrição. O guia de IA do CFP pede consentimento, plataforma segura e revisão integral antes de assinar: você revisa, ajusta se quiser e assina, e a responsabilidade técnica continua sua.

Referências: Conselho Federal de Psicologia. Resolução CFP nº 01/2009, alterada pela Resolução CFP nº 05/2010 · Resolução CFP nº 06/2019 · Manual Orientativo de Registro e Elaboração de Documentos Psicológicos (CFP, 2025) · Inteligência Artificial na Psicologia: guia para uma prática ética e responsável · Brasil. Lei 13.787/2018.

Equipe Editorial DocsPSI

Guias escritos a partir das resoluções do Conselho Federal de Psicologia, do Manual Orientativo de Registro e Elaboração de Documentos Psicológicos (CFP, 2025) e da rotina de milhares de consultórios que usam o DocsPSI.

Revisão técnica: Ana Vanessa de Medeiros Neves — Psicóloga Clínica e da Saúde, CRP 03/3592.

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