Sumário6 seções
Desatenção é sintoma de muita coisa. A anamnese é o que permite diferenciar TDAH de ansiedade, privação de sono, dificuldades de aprendizagem ou um contexto adverso. Veja TDAH: critérios e avaliação.
Perguntas-chave
Início e curso
- Desde quando esses comportamentos aparecem?
- Como era na pré-escola e nos primeiros anos do ensino fundamental?
- Houve piora em alguma fase? Coincidiu com algum evento?
Contextos
- Como é em casa? Na escola? No trabalho? Com amigos?
- Há algum contexto em que a dificuldade não aparece?
Desatenção
- Perde objetos com frequência? Esquece compromissos?
- Tem dificuldade de concluir tarefas longas?
- Distrai-se com estímulos externos ou com os próprios pensamentos?
Hiperatividade e impulsividade
- Dificuldade para ficar sentado, sensação de inquietação?
- Interrompe os outros, age sem pensar, dificuldade de esperar a vez?
Escola e trabalho
- Boletins e comentários de professores ao longo dos anos?
- Repetências, trocas de escola, advertências?
- No trabalho: prazos, organização, mudanças frequentes de emprego?
Sono, telas e substâncias
- Rotina de sono, horas dormidas, roncos?
- Tempo de telas, especialmente à noite?
- Uso de cafeína, álcool, outras substâncias?
Saúde e comorbidades
- Ansiedade, humor deprimido, irritabilidade?
- Dificuldades específicas de leitura, escrita ou matemática?
- Sinais de TEA? Condições médicas, medicações?
Família
- Alguém na família tem ou teve dificuldades parecidas?
- Como a família lida com as dificuldades?
Explicações alternativas a investigar
| Pode parecer TDAH | O que perguntar |
|---|---|
| Privação ou distúrbio do sono | Horas dormidas, roncos, telas à noite |
| Ansiedade | Preocupações constantes, medo de errar, sintomas físicos |
| Humor deprimido | Perda de interesse, cansaço, desesperança |
| Dificuldades específicas de aprendizagem | Leitura, escrita, cálculo, desde quando |
| Contexto adverso | Mudanças, conflitos em casa, violência, luto |
| Uso de substâncias | Frequência, relação com os sintomas |
Fontes que complementam
- Escalas respondidas por pais e professores, como o SNAP-IV. Confira no SATEPSI a classificação do instrumento; escala de rastreio não fecha diagnóstico.
- Boletins, relatórios escolares e avaliações anteriores, que ajudam a situar os sinais antes dos 12 anos.
- Testes com parecer favorável no SATEPSI na data da aplicação (Resolução CFP nº 31/2022).
A conclusão precisa se apoiar em fontes fundamentais. A Cartilha de Avaliação Psicológica do CFP (2022) considera falta ética concluir apenas com instrumentos não privativos.
Síntese da anamnese (exemplo fictício)
Dados do atendimento: 21/09/2026, entrevista com a mãe e o pai, 70 minutos, presencial. Criança: Valentina (nome fictício), 8 anos, 3º ano do ensino fundamental. Autorização de ambos os responsáveis. Os pais trouxeram os boletins do 1º e do 2º ano e o relatório da professora atual.
Demanda, nas palavras dos pais: "ela sabe, mas não termina nada e perde tudo". Encaminhamento da escola, que sugeriu "investigar a atenção".
Início e curso: esquecimento de materiais e dificuldade de concluir tarefas desde o 1º ano. Os boletins registram "precisa concluir as atividades" já no primeiro semestre de 2024. Piora no 3º ano, com o aumento das tarefas escritas e a troca de professora.
Contextos:
- em casa: precisa de lembretes para cada etapa da rotina da manhã; a lição leva até duas horas, com muitas levantadas da mesa; perde brinquedos e casacos com frequência;
- na escola: segundo o relatório da professora, "se distrai com qualquer barulho", deixa atividades pela metade e responde bem quando a professora se aproxima e repete a instrução;
- no balé: a professora não relata dificuldades.
O contraste do balé: as aulas são curtas, com instruções visuais, movimento constante e alto interesse. É justamente o tipo de situação em que a atenção costuma se sustentar mesmo quando há dificuldade atencional. O balé, portanto, não descarta a hipótese; mostra em que condições Valentina funciona bem, o que será útil nas orientações.
Desenvolvimento e saúde: gestação e parto sem intercorrências; marcos dentro do esperado. Ronca à noite quase todos os dias, segundo os pais, e às vezes acorda cansada. Visão e audição não avaliadas no último ano. Sem medicações.
Família: o pai diz que ele próprio "era desligado" na escola, sem avaliação na época. Há seis meses, os avós maternos, com quem Valentina tem forte vínculo e passava as tardes, se separaram, e ela passou a ficar numa escola em período integral.
Explicações alternativas levantadas:
- sono de má qualidade: o ronco frequente pede avaliação pediátrica, porque problemas respiratórios do sono podem produzir desatenção e cansaço em crianças e explicar parte do quadro;
- mudança de professora no início do ano;
- a separação dos avós e a perda das tardes com eles, que podem ter trazido sofrimento emocional com efeito sobre a concentração;
- visão e audição não avaliadas recentemente.
Fontes e divergências: a mãe descreve as dificuldades como constantes desde sempre; o pai acha que pioraram "depois da confusão dos avós". As duas versões podem estar certas: os boletins mostram dificuldades anteriores à separação dos avós, e a piora deste ano coincide com ela.
Compreensão provisória: dificuldades de atenção e organização desde o início da escolarização, em mais de um contexto, com piora recente que pode ter causas somadas. As explicações alternativas ainda não foram descartadas, e o ronco é a mais urgente de esclarecer.
Próximos passos:
- entrevista e observação com Valentina, incluindo como ela entende a vinda e a mudança na rotina com os avós;
- contato com a escola, com autorização escrita;
- orientar avaliação com pediatra (sono, visão e audição) antes da aplicação de instrumentos, para que os resultados não sejam afetados por um problema de sono não tratado;
- planejar instrumentos com parecer favorável no SATEPSI e escalas respondidas pelos pais e pela professora.
Repare que a síntese já registra as explicações alternativas e a divergência entre os pais: a investigação de TDAH começa pelo que pode explicar o quadro de outro jeito.
Adultos
Em adultos, reconstruir a infância é o desafio: peça documentos antigos, converse com familiares (com autorização) e investigue o impacto atual em trabalho, finanças, trânsito e relações. Veja TDAH em adultos.
Se a avaliação resultar em documento, veja laudo psicológico de TDAH.
Da anamnese de TDAH ao documento, no DocsPSI
A anamnese de TDAH reúne muitas fontes: a pessoa, os responsáveis, a escola, documentos antigos, às vezes um parceiro. O diagnóstico depende de mostrar sintomas em mais de um contexto e desde a infância, e isso só aparece se cada fonte estiver registrada com clareza.
No DocsPSI, cada entrevista, gravada com consentimento, vira em menos de 5 minutos um prontuário inteligente em 7 seções, que separa o relatado, o observado e a hipótese e registra quem disse o quê. A biblioteca de recursos traz o contrato de avaliação psicológica, assinado por link, o roteiro de entrevista inicial e roteiros para planejar a comunicação dos resultados e registrar a devolutiva. São roteiros autorais do DocsPSI, sem pontuação: organizam a escuta, não a substituem.
A Linha do Tempo Terapêutica reúne todas as fontes, a supervisão por IA, disponível 24 horas, ajuda a discutir as explicações alternativas, e a IA redige o laudo ou o relatório escolar a partir do dossiê clínico, na abordagem e na especialidade que você informou nas configurações. A conclusão é sua: você revisa, ajusta e assina. Para começar, há o primeiro mês promocional do Plano Starter, com acesso a todas as funcionalidades e sem fidelidade.
Perguntas frequentes
O que perguntar na anamnese de TDAH?
Sobre início dos sintomas antes dos 12 anos, presença em diferentes contextos, prejuízo, história escolar e profissional, sono, telas, substâncias, comorbidades e histórico familiar.
Por que o sono importa na investigação de TDAH?
Privação e distúrbios do sono causam desatenção e irritabilidade que podem ser confundidas com TDAH.
É possível diagnosticar TDAH em adulto sem informações da infância?
É mais difícil. Documentos antigos e informantes ajudam a verificar se os sintomas estavam presentes antes dos 12 anos, como exigem os critérios.
Por que ouvir a escola, e não só os pais?
Os critérios pedem sintomas em dois ou mais contextos. Relatórios de professores e, com autorização dos responsáveis, uma conversa com a escola mostram se a dificuldade aparece fora de casa, e em quais situações.
Referências: American Psychiatric Association. DSM-5-TR (2022) · Mattos, P. et al. Apresentação de uma versão em português para uso no Brasil do instrumento MTA-SNAP-IV. Revista de Psiquiatria do Rio Grande do Sul, 28(3), 2006 · Conselho Federal de Psicologia. Resolução CFP nº 31/2022 · Cartilha de Avaliação Psicológica (2022).
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