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Laudo psicológico de TDAH: o que incluir e exemplo

Laudo psicológico de TDAH: o que a psicóloga pode concluir, fontes da avaliação, diagnóstico diferencial, estrutura na Resolução CFP 06/2019 e exemplo.

Revisão de fontes e histórico fictícios para um laudo de investigação de TDAH.
Sumário6 seções

"Preciso de um laudo de TDAH" é um dos pedidos mais frequentes em consultórios que atendem crianças e adultos. O documento tem peso — pode definir adaptações escolares, tratamento e até autopercepção — e por isso exige avaliação criteriosa. A estrutura geral está no guia do laudo psicológico.

O que a avaliação precisa investigar

Com base nos critérios do DSM-5-TR, a avaliação procura:

CritérioO que investigarFontes
SintomasDesatenção e/ou hiperatividade-impulsividade (6+ sintomas; 5+ a partir dos 17 anos) por pelo menos 6 mesesEntrevista, escalas
InícioVários sintomas antes dos 12 anosAnamnese, boletins, relatos
ContextosPresença em dois ou mais ambientesPais, escola, trabalho
PrejuízoInterferência clara no funcionamentoEntrevista, desempenho
DiferencialSintomas não mais bem explicados por outro quadroAvaliação ampla

Detalhes dos critérios em TDAH: critérios DSM-5-TR, CID-11 e avaliação.

Fontes de avaliação

  • Anamnese detalhada do desenvolvimento — veja anamnese para TDAH.
  • Entrevistas com a pessoa, responsáveis e, com autorização, escola.
  • Escalas de sintomas respondidas por pais e professores, como o SNAP-IV. Confira no SATEPSI a classificação de cada instrumento: escalas são testes pela Resolução CFP nº 31/2022, e só as listadas como não privativas servem de fonte complementar, sem sustentar a conclusão sozinhas.
  • Instrumentos de atenção, funções executivas e inteligência com parecer favorável no SATEPSI, quando pertinentes.
  • Observação do comportamento durante a avaliação.
  • Documentos de outros profissionais e da escola.

Diagnóstico diferencial

Muitos quadros produzem desatenção ou agitação: ansiedade, depressão, TEA, dificuldades específicas de aprendizagem, deficiência intelectual, privação de sono, uso de substâncias, condições médicas e contextos adversos. A análise do laudo deve mostrar que essas hipóteses foram consideradas. Veja TDAH x ansiedade x TEA.

Exemplo de laudo completo, adulto (fictício)

O laudo de TDAH com criança está no guia de laudo psicológico. Aqui, um adulto, caso em que reconstruir a infância com informantes e documentos é o ponto mais delicado.

ModeloLaudo psicológico — TDAH em adulto (exemplo fictício)

1. Identificação

Pessoa avaliada: Marcos Vieira (nome fictício), 34 anos, designer gráfico autônomo, ensino superior completo, mora com a companheira há quatro anos, sem filhos.
Solicitante: o próprio avaliado, por sugestão do clínico geral que o acompanha.
Finalidade: investigar as dificuldades de atenção, organização e cumprimento de prazos na vida adulta e orientar o tratamento.
Número do documento: LP - 10/2025-4KD7M (numeração gerada pelo sistema)
Autora: Nome Sobrenome, psicóloga, CRP 00/00000.

2. Descrição da demanda

Marcos procurou a avaliação por sugestão do clínico geral, a quem relatou cansaço e a sensação de "estar sempre atrasado". Nos últimos oito meses, perdeu dois clientes importantes por atrasos na entrega de projetos, que representavam cerca de metade da sua renda, e acumulou multas por contas esquecidas. Disse que sempre se viu como "o desorganizado da família" e que quer entender se há algo além de "falta de força de vontade", expressão que ouviu dos pais durante toda a infância e que hoje repete para si mesmo.

Nas palavras dele, a dificuldade maior é começar tarefas longas e sem prazo imediato: "eu só funciono quando está pegando fogo". Relata esquecimento de compromissos, perda frequente de chaves e documentos, conversas em que "desliga no meio" e a sensação de ter "a cabeça cheia de abas abertas". Conta que a companheira reclama dos combinados esquecidos e que as brigas do casal, nos últimos meses, giram quase sempre em torno disso.

Na trajetória, levou sete anos para concluir a graduação, com três trancamentos, e passou por quatro empregos formais antes de se tornar autônomo, "porque ninguém aguentava os meus atrasos". Como autônomo, conseguiu se manter enquanto os projetos eram curtos. A mudança recente para projetos maiores, com várias etapas, coincidiu com a piora.

As informações vêm de três fontes: o próprio avaliado; a mãe, ouvida com a autorização dele sobre o desenvolvimento e a vida escolar; e os boletins do ensino fundamental, trazidos por ele. O documento servirá para orientar a psicoterapia e subsidiar a avaliação psiquiátrica.

3. Procedimento

A avaliação ocorreu entre 02/09 e 30/09/2025, em cinco encontros presenciais: quatro de 60 minutos com o avaliado e um de 45 minutos com a mãe, conforme as Resoluções CFP nº 06/2019 e nº 31/2022. Foram usados:

  • entrevista clínica e anamnese, para levantar a história do desenvolvimento, a vida escolar e profissional, a saúde, o sono, o humor e o uso de substâncias;
  • entrevista com a mãe, para reconstruir o comportamento na infância, fonte indispensável quando o quadro é investigado na vida adulta, em que a memória do próprio avaliado tende a ser incompleta;
  • análise dos boletins escolares de 1996 a 1999, como registro independente, produzido na época e sem relação com a avaliação atual;
  • escala de inteligência para adultos¹, para situar o funcionamento cognitivo global e verificar se as dificuldades decorrem de limitação intelectual;
  • teste de atenção sustentada e alternada², para medir a manutenção do foco ao longo do tempo e a troca entre estímulos;
  • tarefa de funções executivas³, para examinar o planejamento e a flexibilidade;
  • inventário de autorrelato de sintomas em adultos⁴, como fonte complementar da percepção do próprio avaliado;
  • observação do comportamento em todos os encontros.

Os instrumentos tinham parecer favorável no SATEPSI na data da aplicação.

4. Análise

Observação. Marcos chegou 15 minutos atrasado ao primeiro encontro, desculpando-se por ter "confundido o horário"; nos demais, foi pontual, com três alarmes no celular, que mostrou com humor. Mostrou-se cooperativo, bem-humorado e com vocabulário amplo. Nas tarefas longas, mexia na caneta, mudava de posição na cadeira e pediu duas vezes a repetição das instruções. Nas tarefas curtas e desafiadoras, manteve o foco sem esforço aparente. No segundo encontro, esqueceu os boletins que havia prometido trazer, e os trouxe no terceiro.

História. A mãe descreve um menino "no mundo da lua", que esquecia o material, perdia casacos e precisava de ajuda diária para começar as lições, embora "entendesse tudo rápido". Conta que ele era mais agitado que os irmãos e que "não parava sentado nem para comer". Os boletins repetem comentários como "capaz, mas disperso" e "não conclui as atividades". Na adolescência, o desempenho caiu quando as tarefas passaram a depender de organização própria. Na vida adulta, as dificuldades aparecem no trabalho, nas finanças e em casa, com um padrão estável ao longo dos anos, que piora quando as exigências de organização aumentam.

Funcionamento cognitivo. A escala de inteligência indicou compreensão verbal e raciocínio perceptual acima da média, e memória operacional e velocidade de processamento na média inferior. A discrepância ajuda a entender por que Marcos resolve bem problemas complexos de criação, mas se atrapalha nas tarefas administrativas simples e repetitivas, como orçamentos, cobranças e prazos intermediários. No teste de atenção, o desempenho ficou abaixo do esperado para a idade, com aumento das omissões na segunda metade da tarefa, coerente com o relato de que "começa bem e se perde no meio". A tarefa de funções executivas mostrou dificuldade de planejamento, isto é, de organizar os passos antes de agir, com flexibilidade preservada. O inventário indicou desatenção em intensidade elevada e hiperatividade moderada, restrita a inquietação interna.

Integração com os critérios. Os dados foram confrontados com a descrição do quadro na CID-11⁵:

  • padrão persistente de desatenção, bem além de seis meses, relatado pelo avaliado e pela mãe e observado nas tarefas longas;
  • início na infância, documentado nos boletins e no relato materno, e não apenas lembrado pelo adulto;
  • presença em mais de um contexto: a escola, na época; hoje, o trabalho, as finanças e a vida doméstica;
  • prejuízo funcional atual: perda de clientes, multas e conflitos no casal.

Em adultos, a hiperatividade tende a se expressar como inquietação interna, e a desatenção passa a dominar o quadro (Kooij et al., 2019), o que corresponde ao que Marcos descreve e à diferença entre o menino que "não parava sentado" e o adulto que "tem abas abertas" na cabeça.

Compreensão do caso. A dificuldade de base na atenção e no planejamento, presente desde a infância, foi durante anos compensada pela inteligência e, depois, pela escolha de um trabalho com projetos curtos, em que a urgência fazia o papel da organização. A mudança para projetos longos retirou essa compensação. Ao mesmo tempo, a explicação que Marcos construiu para as próprias dificuldades, "falta de força de vontade", alimenta um ciclo de vergonha e adiamento: diante de uma tarefa longa, antecipa o fracasso, adia, se culpa e reforça a ideia de que o problema é caráter. Esse ciclo, somado às perdas recentes, explica a piora do humor relatada nos últimos meses, sem que haja um quadro depressivo, como se discute a seguir.

Explicações alternativas.

  1. Ansiedade: há preocupação com os prazos, mas ela aparece depois das dificuldades, e não antes delas, e não explica os sinais presentes desde a infância.
  2. Episódio depressivo: há desânimo ligado às perdas, mas não humor deprimido persistente nem perda de interesse; Marcos mantém prazer no trabalho criativo e nos encontros com amigos.
  3. Transtorno bipolar: investigado porque oscilações de energia podem imitar a desatenção. Não há relato de períodos de euforia com redução da necessidade de sono; os picos de produtividade que ele descreve ocorrem só perto dos prazos e não se sustentam por dias.
  4. Uso de substâncias: consumo de álcool apenas social; usou maconha na faculdade e parou há oito anos, e as dificuldades são anteriores e posteriores a esse período.
  5. Alteração do sono: relata ronco e sono pouco reparador, que podem intensificar a desatenção atual. Foi recomendada avaliação médica do sono, embora o sono não explique os sinais documentados na infância.

Fatores de proteção. Raciocínio acima da média, profissão criativa com autonomia, companheira que apoia o tratamento e iniciativa própria de procurar ajuda. Marcos já criou estratégias que funcionam em parte, como os alarmes, o que indica recursos a ampliar.

Limites da avaliação. Não foi possível ouvir professores da época, e o relato da mãe se refere a lembranças de mais de 20 anos, limite compensado em parte pelos boletins. O peso do sono na desatenção atual depende da avaliação médica.

5. Conclusão

A avaliação psicológica indica que Marcos apresenta quadro compatível com Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade, apresentação predominantemente desatenta (CID-11: 6A05.0)⁵, com raciocínio acima da média e prejuízo atual no trabalho, nas finanças e na vida doméstica.

No âmbito clínico: psicoterapia cognitivo-comportamental voltada ao TDAH do adulto, com foco em organização, planejamento e procrastinação, abordagem com evidência nesse público (Safren et al., 2010), e com espaço para rever a explicação de "falta de força de vontade" que sustenta a vergonha.
No âmbito médico: avaliação psiquiátrica, para discutir as opções de tratamento, e avaliação médica do sono.
No trabalho: agenda única com alarmes, projetos divididos em entregas intermediárias combinadas com os clientes e horários fixos para as tarefas administrativas, em razão da dificuldade de planejamento observada.
Na vida doméstica: combinados escritos e visíveis, compartilhados com a companheira, e pagamento automático das contas. A companheira pode participar de uma sessão de orientação, se Marcos desejar, para que as dificuldades deixem de ser lidas como descaso.

O prognóstico é favorável, considerando a inteligência preservada, a motivação e a rede de apoio. Recomenda-se reavaliação em 12 meses, para acompanhar a resposta ao tratamento.

Este laudo tem validade de 12 (doze) meses a partir da data de emissão, considerando a natureza dinâmica do quadro e as intervenções recomendadas.

Reafirma-se aqui que as informações deste documento extrajudicial são confidenciais e se restringem exclusivamente à finalidade de orientar o tratamento do avaliado, não podendo ser utilizadas fora desse contexto ou para outro objetivo.

São Paulo/SP, 05 de outubro de 2025.
Nome Sobrenome — Psicóloga — CRP 00/00000
Assinatura digital

6. Referências

¹ ² ³ ⁴ Manuais técnicos dos instrumentos utilizados, com parecer favorável no SATEPSI.
⁵ ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE. CID-11: Classificação Internacional de Doenças, 11ª revisão. Genebra: OMS, 2022.
KOOIJ, J. J. S. et al. Updated European Consensus Statement on diagnosis and treatment of adult ADHD. European Psychiatry, v. 56, p. 14-34, 2019.
SAFREN, S. A. et al. Cognitive behavioral therapy vs relaxation with educational support for medication-treated adults with ADHD and persistent symptoms: a randomized controlled trial. JAMA, v. 304, n. 8, p. 875-880, 2010.

Cuidados éticos

  • Não emita laudo sem processo de avaliação (Código de Ética, art. 2º, "g").
  • Evite linguagem determinista: descreva o funcionamento atual.
  • Considere o destinatário: a escola precisa de orientações práticas, não de dados técnicos brutos.
  • Faça a devolutiva com a família e, em linguagem adequada, com a criança ou o adolescente — veja entrevista devolutiva.
  • Protocolo de entrega assinado (Resolução CFP nº 06/2019, art. 16, § 1º) e guarda do material, com os protocolos dos testes em pasta de acesso exclusivo.

Laudo de TDAH no DocsPSI: da entrevista com a mãe ao laudo assinado

No laudo de TDAH em adulto, o trabalho mais delicado é reconstruir a infância: a entrevista com a mãe, os boletins, a memória do próprio avaliado. Tudo isso precisa ser cruzado com os instrumentos e com quatro ou cinco hipóteses diferenciais. Quando essas peças ficam em anotações soltas de cinco encontros, é a análise que sofre: o laudo repete o relato e deixa de argumentar.

No DocsPSI, cada encontro da avaliação, gravado com consentimento ou importado depois em áudio, vira em menos de 5 minutos um prontuário inteligente em 7 seções, que separa o relatado do observado e registra as hipóteses em investigação. Boletins e documentos de outros profissionais ficam anexados ao dossiê clínico. Na hora do laudo, a IA do DocsPSI consulta esse dossiê inteiro e redige o documento nos seis itens da Resolução CFP nº 06/2019, considerando a abordagem teórica e a especialidade que você informou nas configurações. Se preferir escrever, você recebe só a estrutura, com os campos automáticos.

  • Diferencial discutido antes de concluir: na supervisão por IA, disponível 24 horas, você examina com o caso inteiro à vista se ansiedade, sono ou TEA explicam melhor os dados. É apoio à reflexão, não substitui a supervisão humana.
  • Avaliação à vista: a Linha do Tempo Terapêutica mostra o que já foi investigado em cada encontro e o que falta.
  • Biblioteca de recursos: contrato de avaliação psicológica assinado eletronicamente por link, planejamento da comunicação de resultados e registro da devolutiva.
  • Segurança: criptografia AES-256, isolamento por profissional, e o conteúdo clínico não treina modelos de IA.
  • Entrega verificável: o laudo sai com QR Code de autenticidade, que o psiquiatra ou a escola conferem em segundos.

A conclusão diagnóstica continua sendo sua. O Manual Orientativo do CFP (2025) reserva à psicóloga as interpretações, as conclusões e as hipóteses; a IA redige e sistematiza a partir do que você registrou e discutiu, e o laudo só existe depois que você revisa, ajusta e assina. Para experimentar numa avaliação real, há o primeiro mês promocional do Plano Starter, com acesso a todas as funcionalidades e sem fidelidade.

Perguntas frequentes

Psicólogo pode dar laudo de TDAH?

A psicóloga pode emitir laudo psicológico a partir de avaliação psicológica, com diagnóstico ou hipótese diagnóstica fundamentados. A avaliação médica é complementar, sobretudo quando se discute medicação.

Quais testes usar para avaliar TDAH?

Não há teste único. A avaliação integra anamnese, entrevistas, escalas de sintomas respondidas por pais e professores e, quando pertinentes, instrumentos de atenção e funções executivas. Confira no SATEPSI a situação de cada instrumento na data da aplicação.

Laudo de TDAH precisa de CID?

Não é obrigatório. A conclusão pode indicar o diagnóstico com referência à classificação usada. Se o laudo for a processo judicial ou trabalhista, peça autorização por escrito para divulgar o código.

Qual a validade do laudo de TDAH?

É definida pela psicóloga no último parágrafo, considerando a idade e a natureza dinâmica do quadro.

A IA pode escrever o laudo de TDAH?

Pode redigir e sistematizar, desde que a avaliação tenha sido feita por você e que a análise e a conclusão sejam suas: o Manual Orientativo do CFP (2025) reserva à psicóloga interpretações, conclusões e hipóteses. No DocsPSI, a IA redige o laudo a partir do dossiê clínico da avaliação, e você revisa integralmente, ajusta e assina.

Referências: Conselho Federal de Psicologia. Resolução CFP nº 06/2019 · Resolução CFP nº 31/2022 · Cartilha de Avaliação Psicológica (2022) · Código de Ética Profissional do Psicólogo, art. 2º · American Psychiatric Association. DSM-5-TR (2022).

Equipe Editorial DocsPSI

Guias escritos a partir das resoluções do Conselho Federal de Psicologia, do Manual Orientativo de Registro e Elaboração de Documentos Psicológicos (CFP, 2025) e da rotina de milhares de consultórios que usam o DocsPSI.

Revisão técnica: Ana Vanessa de Medeiros Neves — Psicóloga Clínica e da Saúde, CRP 03/3592.

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