Sumário9 seções
Laudo é o documento psicológico mais cobrado — por escolas, médicos, juízes, planos de saúde, peritos do INSS — e o mais exigente: é o único que resulta de um processo de avaliação psicológica completo, com instrumentos reconhecidos, raciocínio técnico explícito e referências. Documento mal fundamentado também é o que mais leva psicólogas a processo ético: no Relatório de Gestão 2024 do CRP SP, foi o tema de 38,4% dos processos. Este guia percorre a estrutura item por item.
Quando emitir um laudo (e quando não)
O laudo só existe se houve avaliação psicológica. Se alguém pede "um laudo" mas o que você fez foi psicoterapia, sem processo avaliativo, o documento adequado provavelmente é outro.
| Situação | Documento adequado |
|---|---|
| Avaliação psicológica concluída, resultado vai subsidiar uma decisão | Laudo |
| Comunicar como foi o acompanhamento psicoterápico, sem diagnóstico | Relatório |
| Responder tecnicamente a uma pergunta ou a um documento questionado | Parecer |
| Certificar uma condição psicológica para justificar falta ou afastamento | Atestado |
| Informar comparecimento, dias e horários | Declaração |
Veja todas as modalidades no guia de documentos psicológicos.
Os 6 itens obrigatórios do laudo
A resolução exige que todos os itens apareçam, identificados separadamente. O título é sempre "Laudo Psicológico", independentemente da abordagem; você pode acrescentar um subtítulo, como "Laudo Psicológico — Avaliação neuropsicológica".
1. Identificação
- Título: "Laudo Psicológico";
- nome da pessoa ou instituição atendida (nome completo ou nome social) e, se necessário, outras informações sociodemográficas;
- nome do solicitante, especificando se é o Poder Judiciário, uma empresa, uma instituição, a própria pessoa ou outro interessado;
- finalidade: a razão ou motivo do pedido;
- nome da autora com a inscrição no CRP.
2. Descrição da demanda
O que motivou a busca pela avaliação, quem forneceu as informações e as demandas que levaram à solicitação do documento. É requisito indispensável e deve apresentar o raciocínio que justifica os procedimentos escolhidos.
3. Procedimento
O raciocínio técnico-científico que justifica o processo e os recursos utilizados na avaliação, com o referencial teórico-metodológico que fundamentou análises e conclusões. Informe:
- as pessoas ouvidas (paciente, pais, escola, outros profissionais);
- os instrumentos — entrevistas, observações, testes com parecer favorável no SATEPSI — citados com autores e data;
- o número de encontros e o tempo de duração do processo.
Os procedimentos devem ser pertinentes à complexidade da demanda e seguir a regulamentação da avaliação psicológica (Resolução CFP 09/2018, substituída pela 31/2022).
4. Análise
Exposição descritiva, metódica, objetiva e coerente dos dados colhidos, considerando a natureza dinâmica, não definitiva e não cristalizada do objeto de estudo. Três regras:
- nada de descrição literal das sessões, salvo justificativa técnica;
- só o necessário para responder à demanda, respeitando o sigilo;
- nenhuma afirmação sem sustentação em fatos ou teorias — linguagem objetiva e precisa, sobretudo ao falar de dados subjetivos.
5. Conclusão
As conclusões a partir do que foi exposto na análise: encaminhamentos e intervenções, diagnóstico ou hipótese diagnóstica, prognóstico, evolução do caso, orientação ou sugestão de projeto terapêutico. Nem todos esses itens precisam aparecer, mas é preciso haver uma conclusão e alguma orientação.
Sobre a CID: a Resolução 06/2019 trata do código da CID de forma expressa no atestado, como uso facultativo quando justificadamente necessário. No laudo, a conclusão pode trazer diagnóstico; se você usar uma classificação reconhecida, cite-a nas referências. E se o laudo vai para processo judicial ou trabalhista, siga a orientação do comentário oficial e peça autorização por escrito da pessoa avaliada para divulgar o código. Veja psicólogo pode colocar CID?.
Encerramento: local, data, carimbo com nome e CRP, todas as laudas numeradas e rubricadas da primeira à penúltima e assinatura na última. Com assinatura eletrônica válida, o Manual Orientativo do CFP (2025) dispensa as rubricas físicas. É facultado destacar que o laudo não pode ser usado para fins diferentes do indicado, que é sigiloso, que se trata de documento extrajudicial e que a psicóloga não se responsabiliza pelo uso dado a ele depois da entrega em devolutiva.
6. Referências
Obrigatórias no laudo. O CFP orienta colocá-las em nota de rodapé, e não em folha à parte — uma folha separada pode ser destacada e deixar o documento incompleto. No corpo do texto, cite normalmente (por exemplo, o manual do instrumento com sobrenome e ano).
Modelo de laudo psicológico comentado
Exemplo fictício, criado do zero, com todos os elementos de um laudo completo: demanda com o contexto da família, procedimentos com a função de cada instrumento, análise instrumento por instrumento em linguagem acessível, hipóteses diferenciais, recomendações por âmbito, validade e confidencialidade. Para um exemplo com adulto, veja o modelo de laudo psicológico.
1. Identificação
Título: Laudo Psicológico
Pessoa avaliada: João Pedro Ribeiro (nome fictício), 9 anos e 4 meses, 4º ano do ensino fundamental em escola particular, mora com a mãe, o pai e a irmã de 4 anos.
Solicitantes: mãe e pai, responsáveis legais, por indicação da coordenação pedagógica da escola.
Finalidade: compreender as dificuldades de atenção e de conclusão de tarefas relatadas em casa e na escola e subsidiar o planejamento pedagógico e o acompanhamento clínico.
Número do documento: LP - 09/2026-2XH8R (numeração gerada pelo sistema)
Autora: Nome Sobrenome, psicóloga, CRP 00/00000.
2. Descrição da demanda
Os pais procuraram a avaliação em julho de 2026, depois de uma reunião em que a coordenação pedagógica sugeriu "entender melhor o que acontece com ele". Há três anos ouvem da escola a mesma frase: João Pedro "é inteligente, mas não termina nada". Contam que tentaram resolver com castigos, retirada do videogame e aulas de reforço duas vezes por semana, sem mudança duradoura. O que os fez procurar ajuda agora foi uma frase do filho, dita depois de uma prova de Ciências em que deixou metade das questões em branco: "eu sou burro, não adianta estudar".
Segundo os pais e o relatório pedagógico de março de 2026, as dificuldades começaram na alfabetização. João Pedro esquece o material com frequência, perde o fio das explicações longas, começa várias atividades sem concluí-las e demora mais de uma hora e meia nas lições que os colegas fazem em vinte minutos. A mãe, que acompanha as tarefas, descreve as tardes como "uma briga diária". Em casa, a rotina da manhã só funciona com lembretes a cada etapa. O pai contou, na segunda entrevista, que ele próprio "era igualzinho" na escola e que só se organizou na vida adulta, "à base de agenda".
A professora regente descreve um aluno participativo nas discussões orais, que se levanta muitas vezes, responde antes de a pergunta terminar e raramente copia a lição do quadro até o fim. O relatório pedagógico registra leitura fluente para o ano e escrita com erros de atenção (omissão de letras e de acentos), mas sem trocas sistemáticas.
As informações foram fornecidas pela mãe, pelo pai, pela professora regente, pelo relatório pedagógico da escola e pela própria criança. A avaliação teve como objetivo descrever o funcionamento atencional, cognitivo e emocional de João Pedro, verificar se o conjunto é compatível com algum quadro descrito na classificação vigente e orientar a família e a escola.
3. Procedimento
A avaliação ocorreu em seis encontros presenciais de 50 minutos, entre 04/08 e 08/09/2026, conforme as Resoluções CFP nº 06/2019 e nº 31/2022, com o consentimento dos pais e o assentimento da criança, explicado em linguagem adequada à idade. A ordem dos encontros seguiu a lógica de ouvir primeiro a família, conhecer a criança em situação livre e só depois aplicar os instrumentos, para que o vínculo reduzisse o efeito da ansiedade de desempenho sobre os resultados.
- Anamnese com os pais (encontros 1 e 2): história da gestação, do desenvolvimento, da saúde, do sono, do uso de telas e da escolaridade, e o histórico familiar de dificuldades semelhantes.
- Entrevista lúdica e observação (encontro 3): atividades livres e estruturadas, com desenho e construção, para observar a atenção em tarefas de alto e de baixo interesse e ouvir como a criança entende as próprias dificuldades.
- Escala de inteligência para crianças¹ (encontro 4): para descrever o funcionamento intelectual e verificar se as dificuldades se explicam por limitação cognitiva global.
- Teste de atenção sustentada e seletiva² (encontro 5): para medir a capacidade de manter o foco ao longo do tempo e de ignorar distrações.
- Tarefa de funções executivas³ (encontro 5): para avaliar o controle inibitório e a flexibilidade, isto é, a capacidade de frear respostas automáticas e de mudar de estratégia.
- Escala de comportamento respondida pelos pais e pela professora⁴: para comparar, com o mesmo instrumento, a percepção de dois contextos diferentes.
- Contato telefônico com a professora (encontro 6): com autorização escrita dos pais, para confirmar o comportamento em sala e conhecer as estratégias já tentadas.
- Análise documental: relatório pedagógico e boletins do 1º ao 3º ano, e triagem visual e auditiva feita pelo pediatra em fevereiro de 2026.
Os instrumentos tinham parecer favorável no SATEPSI para a faixa etária na data da aplicação. A devolutiva aos pais e uma devolutiva adaptada à criança ocorreram em 12/09/2026.
4. Análise
Apresentação e comportamento nos encontros. João Pedro chegou ao primeiro contato de mão dada com o pai, cumprimentou a psicóloga com um aperto de mão "de adulto" e perguntou logo se "ia ter prova". Mostrou-se simpático, curioso e criativo, com vocabulário acima do esperado para a idade. No encontro lúdico, passou 25 minutos construindo um castelo de blocos, com torres e ponte levadiça, sem precisar de mediação; já o quebra-cabeça de 100 peças foi abandonado em quatro minutos, com o comentário "isso é chato". Nos encontros com instrumentos, levantou-se três vezes, olhou para a porta a cada ruído do corredor e pediu duas vezes para repetir instruções longas, embora respondesse rapidamente às perguntas orais. Nas tarefas em que errava, dizia "tá vendo?", como se o erro confirmasse o que já pensava de si.
História do desenvolvimento. Gestação e parto sem intercorrências. Marcos motores e de linguagem dentro do esperado: andou com 1 ano e 1 mês e falou frases aos 2 anos. Os pais descrevem uma criança "elétrica" desde a educação infantil, que "nunca parava para ouvir história até o fim". Na alfabetização, aprendeu a ler no tempo esperado, mas as professoras já registravam nos boletins "precisa concluir as atividades" e "distrai-se com facilidade". A triagem visual e auditiva de fevereiro de 2026 foi normal. Não há relato de doenças neurológicas, de medicação contínua ou de eventos de vida recentes que coincidam com o início das dificuldades.
Funcionamento intelectual. A escala de inteligência avalia diferentes capacidades de raciocínio. Os índices de compreensão verbal e de raciocínio não verbal ficaram na média para a idade, e o de memória operacional, a capacidade de guardar e manipular informações por alguns segundos, ficou abaixo da média, assim como o de velocidade de processamento. Isso significa que João Pedro compreende bem o que aprende, mas perde informações quando precisa segui-las em várias etapas, como numa explicação longa em sala ou num enunciado com três comandos. O resultado ajuda a entender o contraste entre o aluno "que sabe tudo na conversa" e o que "não termina nada no papel".
Atenção. O teste de atenção sustentada e seletiva mostrou desempenho abaixo do esperado para a idade, com aumento dos erros na segunda metade da tarefa. O padrão é coerente com o relato da mãe de que ele "começa bem e depois se perde" e com a observação do quebra-cabeça. Em tarefas curtas e de alto interesse, como o castelo, a atenção se manteve, o que não contradiz o achado: a dificuldade não está em conseguir prestar atenção, mas em sustentá-la quando a tarefa é longa, repetitiva ou pouco recompensadora.
Funções executivas. A tarefa indicou dificuldade de controle inibitório, com respostas dadas antes de terminar de ler as instruções, e flexibilidade preservada. O achado se cruza com o relato da professora de que ele responde antes de ouvir a pergunta inteira e com os erros de acentuação no relatório pedagógico, que aparecem mais nas atividades longas.
Escalas de comportamento. Pais e professora descreveram sintomas de desatenção em intensidade elevada. Os sintomas de hiperatividade foram mais altos na escola do que em casa, o que é esperado, já que a sala de aula exige mais tempo sentado. A convergência entre os dois informantes reduz a chance de que o quadro reflita apenas o estilo de um ambiente.
Aspecto emocional. Na entrevista lúdica, João Pedro desenhou a si mesmo na sala de aula, "o único que ainda está copiando". Disse sentir-se "burro" quando não termina as tarefas e contou que, nos dias de prova, "a barriga dói". Fora do contexto escolar, descreve com entusiasmo o futebol e os amigos da rua, e os pais não relatam tristeza persistente, alteração de apetite ou isolamento. A ansiedade aparece ligada às situações de avaliação e parece consequência das experiências repetidas de fracasso, e não a sua causa.
Formulação do caso. Uma dificuldade de base na regulação da atenção e do comportamento, ligada às funções executivas (Barkley, 2015; Diamond, 2013), presente desde o início da escolarização, encontrou um ambiente que passou a responder a ela como falta de esforço. Os castigos e as longas tardes de lição com a mãe, ainda que bem-intencionados, produziram um ciclo conhecido na literatura sobre interações familiares coercitivas (Patterson, 1982): quanto mais a tarefa se arrasta, mais a cobrança aumenta, mais a criança evita e mais o conflito se repete. A cada volta desse ciclo, João Pedro confirma a ideia de que é "burro", e essa crença reduz ainda mais o investimento nas tarefas difíceis. O histórico relatado pelo pai é compatível com o componente familiar descrito na literatura (Faraone et al., 2021) e, ao mesmo tempo, é um recurso: o pai conhece por experiência o que ajudou a si mesmo.
Diagnóstico diferencial.
- Dificuldade intelectual global: não se sustenta, porque os índices de raciocínio verbal e não verbal estão na média.
- Transtorno específico da aprendizagem: a leitura é fluente para o ano, e os erros de escrita são de omissão e acentuação, típicos de desatenção, e não trocas sistemáticas. Por isso a hipótese não se sustenta como quadro principal; a escola seguirá observando a escrita.
- Ansiedade: há queixas somáticas em dias de prova, mas a desatenção aparece também em atividades neutras e em casa, sem relação com preocupações, e é anterior às experiências de fracasso.
- Sono insuficiente: a anamnese mostrou que João Pedro dormia por volta das 22h30, com uso de tablet à noite. Os pais anteciparam o horário para 21h a partir da terceira semana, e a professora não notou mudança na atenção, o que afasta o sono como explicação principal, embora a rotina deva ser mantida.
- Alterações sensoriais: a triagem visual e auditiva de fevereiro de 2026 foi normal.
- Contexto familiar ou escolar adverso como causa primária: os sinais existem desde antes dos conflitos em torno da lição, e os conflitos parecem efeito, e não origem, das dificuldades.
Confronto com os critérios da CID-11⁵.
- Padrão persistente de desatenção: presente há mais de seis meses (há ao menos três anos), relatado pelos pais, pela professora e pelos boletins e observado nas tarefas longas.
- Início no período do desenvolvimento: sinais registrados desde a educação infantil e a alfabetização.
- Presença em mais de um contexto: casa, escola e reforço escolar.
- Impacto direto no funcionamento: acadêmico, familiar e na autoestima.
- Não mais bem explicado por outro quadro: conforme o diagnóstico diferencial acima.
Fatores de proteção. Funcionamento intelectual preservado, vocabulário e criatividade acima da média, vínculo afetivo sólido com os dois pais, uma professora que se dispõe a ajustar a sala e um grupo de amigos no futebol, onde João Pedro se sente competente.
Limites da avaliação. Não houve observação direta em sala de aula, compensada em parte pelo contato com a professora e pela escala respondida por ela. A escrita será reavaliada se as dificuldades persistirem depois das adaptações recomendadas.
5. Conclusão
Os dados indicam que João Pedro apresenta quadro compatível com Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade, apresentação predominantemente desatenta (CID-11: 6A05.0)⁵, com funcionamento intelectual preservado e impacto no desempenho escolar, na convivência familiar em torno das tarefas e na autoestima.
Para a família:
- dividir as lições em blocos de 15 minutos, com pausas curtas, em razão da memória operacional e da atenção sustentada abaixo do esperado;
- trocar castigos por combinados visíveis e reforço imediato de cada etapa concluída, para interromper o ciclo de cobrança e evitação descrito na análise;
- usar lembretes visuais para a rotina da manhã e a mochila;
- manter o horário de sono e o afastamento das telas à noite.
Para a escola:
- dar instruções curtas, uma de cada vez, e confirmar a compreensão antes de iniciar a atividade;
- posicionar João Pedro perto da professora e longe da porta e das janelas;
- conceder tempo adicional em avaliações extensas e dividir provas longas em partes;
- valorizar a participação oral, em que ele se mostra competente, como forma de proteger a autoestima.
Acompanhamento recomendado:
- psicoterapia com foco em organização, funções executivas e na crença de incapacidade, com orientação aos pais a cada quatro semanas;
- avaliação com pediatra ou psiquiatra da infância, para discutir todas as opções de tratamento;
- reunião entre a psicóloga e a escola no início do próximo bimestre, com autorização dos pais;
- reavaliação em 12 meses.
O prognóstico é favorável quando as adaptações em casa e na escola são mantidas e a autoestima é trabalhada. Sem essas medidas, a tendência é que a evitação escolar aumente com as exigências do 5º ano.
Este laudo tem validade de 12 (doze) meses a partir da data de emissão, considerando a fase do desenvolvimento da criança e as intervenções recomendadas.
Reafirma-se aqui que as informações deste documento extrajudicial são confidenciais e se restringem exclusivamente à finalidade de compreender as dificuldades de atenção de João Pedro e subsidiar o planejamento pedagógico e clínico, não podendo ser utilizadas fora desse contexto ou para outro objetivo.
Brasília/DF, 12 de setembro de 2026.
Nome Sobrenome — Psicóloga — CRP 00/00000
Assinatura digital
6. Referências (em nota de rodapé no documento)
¹ ² ³ ⁴ Manuais técnicos dos instrumentos utilizados, com autores, ano, título e editora.
⁵ ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE. CID-11: Classificação Internacional de Doenças, 11ª revisão. Genebra: OMS, 2022.
BARKLEY, R. A. (org.). Attention-deficit hyperactivity disorder: a handbook for diagnosis and treatment. 4. ed. New York: Guilford, 2015.
DIAMOND, A. Executive functions. Annual Review of Psychology, v. 64, p. 135-168, 2013.
FARAONE, S. V. et al. The World Federation of ADHD International Consensus Statement: 208 evidence-based conclusions about the disorder. Neuroscience & Biobehavioral Reviews, v. 128, p. 789-818, 2021.
PATTERSON, G. R. Coercive family process. Eugene: Castalia, 1982.
CONSELHO FEDERAL DE PSICOLOGIA. Resolução CFP nº 06/2019; Resolução CFP nº 31/2022.
Validade, devolutiva e guarda
Prazo de validade. Deve ser indicado no último parágrafo do documento (art. 17). Onde não há norma específica, a psicóloga define o prazo considerando objetivos, procedimentos, aspectos dinâmicos e conclusões. Explicamos como definir em validade do laudo psicológico.
Entrevista devolutiva. Para entregar o laudo, é dever realizar ao menos uma entrevista devolutiva à pessoa, grupo, instituição ou responsáveis legais. Se não for possível, explicite as razões (art. 18). Veja como conduzir em entrevista devolutiva.
Protocolo de entrega. É obrigatório manter protocolo assinado por quem recebe o laudo, comprovando o recebimento e a responsabilidade pelo uso e pelo sigilo (art. 16, § 1º).
Guarda. Guarde o laudo e todo o material que o fundamentou — protocolos de testes, anotações, registros — por no mínimo 5 anos (art. 15). Os documentos resultantes da aplicação de instrumentos ficam em pasta de acesso exclusivo da psicóloga (Resolução CFP 01/2009, art. 2º, VI).
Passo a passo: do pedido ao protocolo de entrega
- Acolha o pedido e defina a pergunta. O que o solicitante precisa decidir com o laudo? Sem pergunta clara, não há avaliação bem planejada.
- Confirme que é um caso de avaliação. Se o pedido é sobre o trabalho de psicoterapia já realizado, o documento é o relatório.
- Verifique a sua competência para o tipo de avaliação (Código de Ética, art. 1º, "b") e a ausência de conflito de interesses (art. 2º, "k").
- Firme o contrato e o consentimento (ou o dos responsáveis): objetivos, número de encontros, devolutiva e destino do documento. Veja TCLE.
- Planeje as fontes: entrevistas, observação, informantes, documentos e instrumentos com parecer favorável no SATEPSI (Resolução CFP nº 31/2022).
- Registre cada encontro no registro documental, com datas e procedimentos.
- Integre os dados antes de escrever: o que converge, o que diverge e o que responde à pergunta.
- Escreva os 6 itens, com referências em nota de rodapé.
- Confira a conclusão: ela decorre da análise e responde à finalidade?
- Indique a validade no último parágrafo e numere e rubrique as laudas.
- Faça a entrevista devolutiva e entregue o laudo com protocolo assinado.
- Arquive cópia, protocolos dos instrumentos e registros por no mínimo 5 anos.
Como redigir a conclusão: frases fracas x frases fortes
| Frase fraca | Por que enfraquece | Frase forte |
|---|---|---|
| "A criança tem TDAH." | Afirmação categórica, sem base explícita na análise | "Os dados convergentes de família, escola, observação e instrumentos indicam dificuldades atencionais persistentes, com prejuízo acadêmico. Sugere-se avaliação médica para investigação diagnóstica complementar." |
| "O paciente é instável." | Juízo de valor, sem fonte | "Na avaliação, foram observadas oscilações de humor relatadas pelo paciente e pela família, associadas a situações de conflito interpessoal." |
| "Sugere-se acompanhamento." | Vago, não orienta a decisão | "Sugere-se psicoterapia semanal com foco em funções executivas e reavaliação em 12 meses." |
| "Apto." (sem mais nada) | Não explicita o que foi avaliado | "Os resultados indicam condições psicológicas compatíveis com a atividade avaliada, conforme os critérios definidos para esta finalidade." |
Erros comuns x forma correta
| Erro comum | Forma correta |
|---|---|
| Emitir laudo a partir de psicoterapia, sem avaliação | Laudo só após processo de avaliação psicológica; na psicoterapia, relatório |
| Usar instrumento sem parecer favorável no SATEPSI | Conferir o parecer do instrumento antes de aplicar |
| Omitir as referências ou colocá-las em folha separada | Referências obrigatórias, em nota de rodapé |
| Conclusão que não decorre da análise | Cada afirmação da conclusão sustentada por dados da análise |
| Reproduzir itens, normas ou pontos de corte de testes | Descrever resultados em termos compreensíveis, sem expor o material do teste |
| Incluir o CID sem necessidade | CID facultativo, referenciado e usado quando justificadamente necessário |
| Não identificar as fontes das informações | Informar quem forneceu cada dado (família, escola, prontuários, instrumentos) |
| Esquecer a validade | Validade no último parágrafo, justificada pela natureza do caso |
| Entregar sem devolutiva | Entrevista devolutiva obrigatória, com protocolo de entrega |
| Ser perita no processo judicial do próprio paciente | Recusar e encaminhar, por conflito de interesses (art. 2º, "k") |
Laudos para contextos específicos: TDAH, autismo, cirurgia bariátrica, INSS e judicial. Modelo completo em laudo psicológico modelo e roteiro de escrita em como fazer laudo psicológico.
Da avaliação ao laudo, sem retrabalho: o processo no DocsPSI
A qualidade do laudo depende do que foi registrado ao longo da avaliação. Quando anamnese, observações, resultados e hipóteses estão espalhados, escrever o laudo vira reconstruir o caso de memória, e é assim que surgem as falhas em documentos, o tema mais frequente dos processos éticos no Relatório de Gestão 2024 do CRP SP.
No DocsPSI, a avaliação inteira acontece num só dossiê:
- Contrato de avaliação psicológica da biblioteca de recursos, assinado pelo paciente por link seguro.
- Cada encontro gravado com consentimento vira em minutos um prontuário inteligente em 7 seções, com o observado separado da hipótese.
- A Linha do Tempo Terapêutica reúne todos os encontros e mostra o caso inteiro.
- A supervisão por IA, disponível 24 horas, ajuda a discutir hipóteses diferenciais antes da conclusão.
- A IA consulta o dossiê clínico completo e redige o laudo nos seis itens da Resolução CFP nº 06/2019, na abordagem e na especialidade que você informou nas configurações. Se preferir, recebe só a estrutura para escrever.
- O laudo sai com QR Code de autenticidade, e a biblioteca traz roteiros para planejar a comunicação dos resultados e registrar a devolutiva.
A análise e a conclusão continuam sendo suas: o Manual Orientativo do CFP (2025) admite a IA para organizar, redigir e sistematizar, e reserva à psicóloga interpretações, conclusões e hipóteses. Você revisa integralmente, ajusta, assume a autoria e assina. Veja como fica na prática em modelo de laudo psicológico. Para começar, há o primeiro mês promocional do Plano Starter, com acesso a todas as funcionalidades e sem fidelidade.
Laudo em equipe multiprofissional
Quando a avaliação é feita em equipe e as conclusões dependem da integração dos profissionais, o laudo psicológico pode compor um documento único. Mesmo assim, os itens Procedimento e Análise precisam ter redação independente da psicóloga, porque tratam de métodos privativos da profissão, e o sigilo deve ser preservado: só entra o necessário para a análise integrada.
Perguntas frequentes
Qualquer psicólogo pode emitir laudo psicológico?
Sim, a elaboração de diagnóstico psicológico é função da psicóloga (Lei 4.119/1962), mas o laudo exige um processo de avaliação psicológica com métodos reconhecidos e competência técnica no tipo de avaliação realizada.
Laudo psicológico precisa de referências?
Sim. A Resolução CFP 06/2019 torna obrigatória a informação das fontes científicas ou referências bibliográficas, preferencialmente em nota de rodapé.
Posso colocar CID no laudo?
A conclusão do laudo pode trazer diagnóstico, e uma classificação reconhecida pode ser usada com a devida referência. A Resolução 06/2019 fala expressamente do uso facultativo da CID no atestado. Para laudos que vão a processo judicial ou trabalhista, peça autorização por escrito da pessoa avaliada para divulgar o código.
Qual a diferença entre laudo e relatório psicológico?
O laudo resulta de um processo de avaliação psicológica e pode conter diagnóstico. O relatório comunica a atuação profissional em um processo de trabalho e não tem como finalidade produzir diagnóstico.
Preciso de protocolo para entregar o laudo?
Sim. O art. 16, § 1º, da Resolução CFP 06/2019 torna obrigatório o protocolo de entrega assinado por quem recebe o documento.
Qual a validade de um laudo psicológico?
É definida pela psicóloga no último parágrafo do documento, considerando a normatização da área e a natureza dinâmica do que foi avaliado. Não há um prazo único para todos os casos.
A IA pode escrever o laudo psicológico?
Pode redigir e sistematizar, desde que o conteúdo clínico seja seu. O Manual Orientativo do CFP (2025) reserva à psicóloga interpretações, conclusões e hipóteses. No DocsPSI, a IA escreve a partir do dossiê clínico da avaliação; você revisa integralmente, ajusta, assume a autoria e assina.
Referências: Conselho Federal de Psicologia. Resolução CFP nº 06/2019 comentada · Resolução CFP nº 01/2009 · Resolução CFP nº 31/2022 · Código de Ética Profissional do Psicólogo · Brasil. Lei 4.119/1962 · Conselho Regional de Psicologia de São Paulo. Relatório de Gestão 2024 do CRP SP.
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