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Laudo psicológico para cirurgia bariátrica: roteiro e modelo

Laudo psicológico para cirurgia bariátrica: o que avaliar no pré-operatório, fontes, condições a tratar antes, estrutura, exemplo de conclusão e ética.

Conversa de avaliação psicológica pré-operatória com respeito à pessoa e às suas expectativas.
Sumário6 seções

A avaliação psicológica faz parte do preparo multidisciplinar para a cirurgia bariátrica. Quando feita com cuidado, ajuda a identificar quem precisa de acompanhamento antes ou depois do procedimento e melhora os resultados. Estrutura geral no guia do laudo psicológico.

O que avaliar

ÁreaPontos de investigação
CompreensãoEntende o procedimento, os riscos, as mudanças alimentares e o acompanhamento de longo prazo?
ExpectativasSão realistas? A cirurgia é vista como solução para problemas não relacionados ao peso?
Comportamento alimentarCompulsão alimentar, beliscar contínuo, comer emocional, purgação
SubstânciasUso de álcool, tabaco e outras drogas; depois de algumas técnicas cirúrgicas, o risco de problemas com álcool aumenta (King et al., 2012)
Saúde mentalDepressão, ansiedade, transtornos alimentares, risco de suicídio, quadros descompensados
SuporteRede familiar e social, condições para seguir o pós-operatório
HistóriaTentativas anteriores de perda de peso, trajetória do ganho de peso

Fontes

Contraindicações relativas e condições a trabalhar antes

Na prática das equipes, algumas condições costumam indicar adiar e tratar antes da cirurgia: quadros psiquiátricos graves descompensados, uso problemático ativo de álcool ou drogas, compulsão alimentar grave sem tratamento, risco de suicídio atual e ausência de compreensão mínima do procedimento. O laudo deve descrever o que foi observado e recomendar o manejo, e não apenas "aprovar" ou "reprovar".

Exemplo de laudo completo (fictício)

ModeloLaudo psicológico — avaliação pré-bariátrica (exemplo fictício)

1. Identificação

Pessoa avaliada: Sandra Lopes (nome fictício), 44 anos, auxiliar administrativa, ensino médio completo, divorciada, mora com a filha de 24 anos e a neta de 3.
Solicitante: equipe de cirurgia bariátrica do hospital em que a avaliada é acompanhada, por encaminhamento de 01/09/2025.
Finalidade: avaliar as condições psicológicas da avaliada para a cirurgia bariátrica e orientar o acompanhamento antes e depois do procedimento.
Número do documento: LP - 10/2025-5BN4W (numeração gerada pelo sistema)
Autora: Nome Sobrenome, psicóloga, CRP 00/00000.

2. Descrição da demanda

Sandra foi encaminhada pela equipe cirúrgica como parte da avaliação pré-operatória. Segundo o encaminhamento, tem obesidade grave, com índice de massa corporal de 41, diabetes diagnosticado em 2024 e dor nos joelhos, e está em preparo com a endocrinologia e a nutrição há cinco meses.

Contou que convive com o excesso de peso desde a adolescência. Fez seis tentativas de emagrecimento com dietas restritivas, usou medicação para perda de peso em 2018 e chegou a perder 15 kg, que recuperou em pouco mais de um ano. Decidiu pela cirurgia depois do diagnóstico de diabetes e das dores nos joelhos, que a impedem de brincar no chão com a neta. Disse querer "voltar a ter disposição", e não "ficar magra de revista".

As informações foram fornecidas pela avaliada, pela filha, ouvida com a autorização dela, e pelo encaminhamento da equipe.

3. Procedimento

A avaliação ocorreu em quatro encontros de 50 minutos, entre 08/09 e 29/09/2025, conforme as Resoluções CFP nº 06/2019 e nº 31/2022. Foram usados:

  • entrevista clínica sobre a história do peso, da alimentação e das tentativas anteriores, para compreender a trajetória e o que cada tentativa ensinou;
  • entrevista com a filha, para conhecer a rotina da casa, a alimentação da família e as condições de apoio no pós-operatório;
  • entrevista semiestruturada sobre a compreensão do procedimento e as expectativas, para verificar se Sandra entende as exigências de longo prazo e o que espera mudar com a cirurgia;
  • registro alimentar de duas semanas, feito pela avaliada, com horários, situações e emoções associadas, para observar o padrão fora do consultório;
  • inventários de sintomas ansiosos¹ e depressivos² para adultos, para dimensionar sintomas que poderiam interferir na adesão;
  • psicoeducação sobre as mudanças do pós-operatório, incluindo alimentação, álcool e o acompanhamento de longo prazo.

Os instrumentos tinham parecer favorável no SATEPSI na data da aplicação.

4. Análise

Apresentação. Sandra chegou pontual a todos os encontros, com as receitas e os exames organizados numa pasta. Falou com clareza e bom humor, emocionou-se ao falar da neta e ficou visivelmente constrangida ao descrever os episódios de compulsão, pedindo desculpas por "não ter força de vontade".

Compreensão e expectativas. Sandra descreveu corretamente as etapas do procedimento, a dieta líquida inicial, o uso permanente de suplementos e a necessidade de acompanhamento de longo prazo. Sabe que a cirurgia "não resolve a cabeça" e que há risco de recuperar peso se os hábitos não mudarem. Suas expectativas são realistas e voltadas à saúde e à funcionalidade. Perguntada sobre o que espera mudar além do peso, falou do diabetes e da disposição, e não de relações ou de autoestima, o que reduz o risco de frustração depois do procedimento.

Comportamento alimentar. Relata episódios de comer grande quantidade em pouco tempo, com sensação de perda de controle e culpa depois, cerca de uma vez por semana nos últimos quatro meses. O registro alimentar confirmou dois episódios em duas semanas, ambos à noite, depois de dias de conflito com a chefia, com pão, doces e o que houvesse na geladeira, comidos sozinha na cozinha. Fora desses episódios, a alimentação é regular, com três refeições e um lanche. Não há vômitos provocados, uso de laxantes ou jejuns prolongados. Na história, Sandra lembra que, na infância, a avó "resolvia qualquer choro com um prato de comida", e que as dietas restritivas sempre terminavam em "semanas de descontrole".

Compreensão do padrão alimentar. Os episódios parecem funcionar como forma de aliviar a tensão acumulada no trabalho: a comida acalma na hora e a culpa vem depois, sem que a situação de origem mude. O ciclo de restrição e descontrole, repetido em seis dietas, ajuda a manter o padrão, porque cada período de privação aumenta a vontade de comer quando o controle cede. Esse padrão é relevante para a cirurgia porque pode persistir ou retornar depois do procedimento se não for acompanhado (Sogg; Lauretti; West-Smith, 2016).

Hipóteses consideradas. A frequência e as características dos episódios se aproximam dos critérios de transtorno de compulsão alimentar da CID-11³, que pede episódios recorrentes, em geral semanais, ao longo de alguns meses, com perda de controle e sofrimento, sem comportamentos compensatórios. A hipótese não foi concluída nesta avaliação, porque o período de observação é curto e os episódios parecem ter se intensificado com os conflitos recentes no trabalho, e será acompanhada na psicoterapia. A bulimia foi afastada, pela ausência de comportamentos compensatórios.

Inventários de sintomas. Os instrumentos avaliam a intensidade de sintomas ansiosos e depressivos nas últimas semanas. Os resultados indicaram sintomas ansiosos em intensidade leve e ausência de sintomas depressivos clinicamente relevantes, coerentes com a entrevista: Sandra mantém interesse e prazer nas atividades, dorme bem desde que passou a usar o aparelho para apneia, e a ansiedade está concentrada no trabalho.

Substâncias. Bebe duas latas de cerveja em alguns fins de semana, sem episódios de embriaguez; nunca fumou; nega outras substâncias. Foi orientada sobre o maior risco de problemas com álcool depois de algumas técnicas cirúrgicas (King et al., 2012), informação nova para ela.

Rede de apoio. A filha confirmou o apoio da família e se comprometeu a acompanhar a mãe nas consultas do pós-operatório. Contou que já mudou as compras da casa "para ajudar a mãe" e que a neta "cobra" as caminhadas no parque.

Risco e saúde mental. Não há história de ideação suicida, de tentativas, de transtornos psicóticos ou de quadros psiquiátricos descompensados, perguntados diretamente.

Fatores de proteção e limites. São fatores de proteção a compreensão do procedimento, as expectativas realistas, a organização demonstrada no preparo e a rede familiar. O principal ponto de atenção é o padrão de compulsão, ligado à regulação das emoções. O limite da avaliação é o curto período de observação do comportamento alimentar.

5. Conclusão

Do ponto de vista psicológico, Sandra apresenta, no momento, condições favoráveis para a cirurgia bariátrica: compreende o procedimento e seus riscos, tem expectativas realistas e conta com rede de apoio. Os episódios de compulsão alimentar, em frequência semanal, não contraindicam o procedimento, mas exigem acompanhamento antes e depois dele.

Acompanhamento recomendado:

  • psicoterapia com foco no manejo da compulsão alimentar e das emoções associadas, em especial as ligadas ao trabalho, iniciada antes da cirurgia, em razão do padrão identificado na análise;
  • reavaliação do padrão alimentar em oito semanas, com informação à equipe sobre a evolução, para apoiar a decisão sobre o momento do procedimento;
  • acompanhamento psicológico no primeiro ano depois do procedimento, período de maior adaptação;
  • atenção ao consumo de álcool no pós-operatório;
  • manutenção do acompanhamento nutricional e médico previsto pela equipe.

A decisão sobre a indicação e o momento da cirurgia cabe à equipe, com a paciente.

Este laudo tem validade de 6 (seis) meses a partir da data de emissão, considerando a natureza dinâmica dos aspectos avaliados e o tempo previsto até o procedimento.

Reafirma-se aqui que as informações deste documento extrajudicial são confidenciais e se restringem exclusivamente à finalidade de avaliar as condições psicológicas da avaliada para a cirurgia bariátrica, não podendo ser utilizadas fora desse contexto ou para outro objetivo.

Belo Horizonte/MG, 02 de outubro de 2025.
Nome Sobrenome — Psicóloga — CRP 00/00000
Assinatura digital

6. Referências

¹ ² Manuais técnicos dos instrumentos utilizados, com parecer favorável no SATEPSI.
³ ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE. CID-11: Classificação Internacional de Doenças, 11ª revisão. Genebra: OMS, 2022.
KING, W. C. et al. Prevalence of alcohol use disorders before and after bariatric surgery. JAMA, v. 307, n. 23, p. 2516-2525, 2012.
SOGG, S.; LAURETTI, J.; WEST-SMITH, L. Recommendations for the presurgical psychosocial evaluation of bariatric surgery patients. Surgery for Obesity and Related Diseases, v. 12, n. 4, p. 731-749, 2016.

Cuidados éticos

  • Não emita documento sem avaliação (Código de Ética, art. 2º, "g").
  • Evite conflito de interesse: se você acompanha o paciente em psicoterapia, avalie se pode ser a avaliadora (art. 2º, "k").
  • Informe a finalidade e limite o conteúdo ao necessário à equipe.
  • Faça devolutiva e protocole a entrega — veja entrevista devolutiva.
  • Em equipe, registre no documento compartilhado só o necessário aos objetivos do trabalho (Código de Ética, art. 12); a Resolução CFP nº 06/2019 permite compor documento único com a equipe, preservando as práticas privativas e o sigilo (art. 13, V a VII).

Para outros procedimentos que pedem documento psicológico, veja laqueadura e vasectomia.

Laudo pré-bariátrico no DocsPSI: descrever e recomendar, não carimbar

O laudo pré-bariátrico tem uma armadilha própria: a equipe precisa dele para marcar a cirurgia, o paciente tem pressa, e o documento corre o risco de virar um "apto" de duas linhas. Um laudo que descreve a compreensão do procedimento, o padrão alimentar, o álcool e a rede de apoio, e recomenda o que fazer com cada achado, dá trabalho: quatro encontros, uma entrevista com a família, um registro alimentar e dois inventários para integrar.

No DocsPSI, cada encontro da avaliação, gravado com consentimento ou importado depois em áudio, vira em menos de 5 minutos um prontuário inteligente em 7 seções, com o relato separado do observado. O encaminhamento da equipe e os exames ficam anexados ao dossiê clínico. Na hora do laudo, a IA do DocsPSI consulta esse dossiê e redige o documento nos seis itens da Resolução CFP nº 06/2019, considerando a abordagem teórica e a especialidade informadas nas configurações. Se preferir escrever, você recebe só a estrutura, com os campos automáticos.

EtapaDo jeito de sempreNo DocsPSI
Encontros e entrevista com a famíliaAnotações feitas depoisProntuário inteligente de cada encontro
Dúvida clínica (adiar ou não? a compulsão pesa?)Resolvida sozinhaDiscutida na supervisão por IA, disponível 24 horas, como apoio à reflexão
Redação"Apto", por falta de tempoLaudo completo, com recomendações por achado
Entrega à equipePDF soltoDocumento com QR Code de autenticidade, que a equipe confere

A Linha do Tempo Terapêutica continua útil depois do laudo: se o paciente seguir com você no pré e no pós-operatório, cada sessão entra no mesmo histórico. A biblioteca de recursos traz o contrato de avaliação psicológica, assinado eletronicamente por link, e o roteiro para planejar a comunicação dos resultados. Tudo com criptografia AES-256 e isolamento por profissional.

A conclusão é sua, e a decisão sobre a cirurgia é da equipe com o paciente. A IA redige e sistematiza a partir do que você registrou; você revisa integralmente, ajusta e assina. Para experimentar na próxima avaliação, há o primeiro mês promocional do Plano Starter, com acesso a todas as funcionalidades e sem fidelidade.

Perguntas frequentes

O que a psicóloga avalia antes da bariátrica?

Compreensão do procedimento, expectativas, comportamento alimentar, uso de substâncias, saúde mental, rede de apoio e condições de adesão ao acompanhamento.

Quantas sessões são necessárias?

Depende do caso. O número de encontros e a duração do processo devem constar do item "Procedimento" do laudo.

A psicóloga pode reprovar a cirurgia?

O laudo descreve condições psicológicas e faz recomendações. Quando há condições que indicam adiar, a recomendação é tratá-las antes; a decisão final é da equipe com o paciente.

Qual a validade do laudo para bariátrica?

É definida pela psicóloga no último parágrafo (Resolução CFP nº 06/2019, art. 17), considerando o tempo até a cirurgia e a natureza dinâmica dos aspectos avaliados. Confira também se a equipe ou o serviço tem exigência própria.

A IA pode escrever o laudo para a bariátrica?

Pode redigir e sistematizar a partir da avaliação que você fez, mas a análise, a conclusão e as recomendações são suas (Manual Orientativo do CFP, 2025). No DocsPSI, a IA escreve a partir do dossiê clínico, e você revisa integralmente, ajusta e assina.

Referências: Conselho Federal de Psicologia. Resolução CFP nº 06/2019 · Resolução CFP nº 31/2022 · Código de Ética Profissional do Psicólogo, arts. 2º e 12 · King, W. C. et al. Prevalence of alcohol use disorders before and after bariatric surgery. JAMA, 307(23), 2012 · Sogg, S.; Lauretti, J.; West-Smith, L. Recommendations for the presurgical psychosocial evaluation of bariatric surgery patients. Surgery for Obesity and Related Diseases, 12(4), 2016.

Equipe Editorial DocsPSI

Guias escritos a partir das resoluções do Conselho Federal de Psicologia, do Manual Orientativo de Registro e Elaboração de Documentos Psicológicos (CFP, 2025) e da rotina de milhares de consultórios que usam o DocsPSI.

Revisão técnica: Ana Vanessa de Medeiros Neves — Psicóloga Clínica e da Saúde, CRP 03/3592.

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