Sumário7 seções
Procurar "modelo de laudo psicológico" é natural: ver um documento pronto ajuda a entender o nível de detalhe e o tom esperados. O risco é copiar a forma sem o processo que a sustenta. Por isso este modelo vem com comentários: o objetivo é que você entenda por que cada trecho está ali. A estrutura completa, com a base normativa, está no guia do laudo psicológico.
Antes de usar o modelo: três checagens
- Houve avaliação psicológica? Sem processo avaliativo não há laudo. Se o que você fez foi psicoterapia, o documento provavelmente é um relatório.
- Os instrumentos têm parecer favorável no SATEPSI para esse uso e essa população?
- O registro documental sustenta cada afirmação? O laudo é construído a partir dele (Res. 06/2019, art. 13).
Modelo de laudo psicológico preenchido
Caso fictício, criado do zero: adulta encaminhada pela psiquiatra para avaliação psicológica que subsidie o planejamento terapêutico. Repare na densidade: a história de vida explica o quadro atual, cada informação tem fonte, e a análise mostra o raciocínio clínico por inteiro, e não só os resultados.
1. Identificação
Título: Laudo Psicológico
Pessoa avaliada: Roberta Campos Moura (nome fictício), 38 anos, casada, sem filhos, ensino superior completo, analista financeira e coordenadora de equipe numa empresa de logística.
Solicitante: médica psiquiatra assistente, por encaminhamento escrito datado de 04/08/2026.
Finalidade: descrever o funcionamento emocional atual da avaliada e subsidiar o planejamento do tratamento psicológico e psiquiátrico.
Número do documento: LP - 09/2026-9FT3C (numeração gerada pelo sistema)
Autora: Nome Sobrenome, psicóloga, CRP 00/00000.
2. Descrição da demanda
Roberta foi encaminhada pela psiquiatra que a acompanha desde junho de 2026, em razão de preocupação excessiva, irritabilidade e dificuldade para dormir há cerca de dez meses. O encaminhamento pede uma descrição do funcionamento emocional que ajude a definir o foco da psicoterapia e informa que a paciente iniciou, seis semanas antes da avaliação, medicação ansiolítica em dose baixa, ainda em ajuste. No primeiro encontro, Roberta disse que procurou a avaliação não só para "ter um nome para o que sente", mas para entender por que, mesmo com o trabalho indo bem, vive "esperando a próxima coisa dar errado".
Contou que o quadro começou em novembro de 2025, quando foi promovida à coordenação de uma equipe de oito pessoas. Passou a revisar várias vezes os próprios relatórios, a responder mensagens do trabalho até a meia-noite e a acordar de madrugada repassando prazos. Em janeiro de 2026, a mãe passou por uma cirurgia cardíaca. Desde então, a preocupação com a saúde dos pais ocupa boa parte do dia: liga para a mãe duas vezes por dia e pede ao marido que "confirme" se ela não está exagerando. Em maio, depois de uma semana dormindo quatro horas por noite, errou uma planilha e passou o fim de semana convencida de que seria demitida, o que não aconteceu. Foi esse episódio que a levou à psiquiatra.
Na história de vida, relata ter sido "a filha responsável": o pai viajava a trabalho durante a semana e ela, a mais velha de três irmãos, ajudava a mãe com os irmãos desde os 11 anos. Descreve a mãe como "preocupada com tudo" e diz ter aprendido cedo que "quem se antecipa não é pego de surpresa". Fez psicoterapia breve aos 25 anos, depois do fim de um noivado, e a descreve como útil. Não há relato de uso de álcool acima do social nem de outras substâncias. Toma de três a quatro xícaras de café por dia.
As informações foram fornecidas pela própria avaliada, pelo encaminhamento médico e, com a autorização dela, pelo marido, ouvido em um encontro. A avaliação teve como objetivo descrever o funcionamento emocional atual, verificar se o conjunto de manifestações é compatível com algum quadro descrito na classificação vigente e oferecer subsídios para a escolha das intervenções.
3. Procedimento
A avaliação foi realizada em cinco encontros individuais de 50 minutos e um encontro de 40 minutos com o marido, entre 11/08 e 08/09/2026, em referencial cognitivo-comportamental, conforme as Resoluções CFP nº 06/2019 e nº 31/2022. Foram usados:
- entrevista clínica semiestruturada e anamnese (encontros 1 e 2), para reconstruir o início e a evolução do quadro, a história de vida, a saúde, o sono e o uso de substâncias;
- entrevista com o marido (encontro 3), como informante sobre a rotina, as mudanças percebidas no último ano e os comportamentos de verificação que a avaliada pode não notar;
- registro de preocupações, preenchido pela avaliada durante duas semanas, com o tema, a duração e o que ela fez para aliviar cada preocupação, para observar o padrão fora do consultório;
- inventário de sintomas ansiosos para adultos¹ (encontro 3), para dimensionar a intensidade dos sintomas;
- inventário de sintomas depressivos para adultos² (encontro 3), para verificar a presença de sintomas depressivos associados;
- instrumento de avaliação da personalidade baseado no modelo dos Cinco Grandes Fatores³ (encontro 4), para compreender traços estáveis que ajudam a explicar a manutenção das preocupações;
- observação clínica ao longo de todos os encontros.
Todos os instrumentos tinham parecer favorável no SATEPSI na data da aplicação e foram aplicados nas condições previstas em seus manuais. O quinto encontro foi dedicado à integração dos dados com a avaliada. A devolutiva ocorreu em 12/09/2026.
4. Análise
Apresentação e comportamento. Roberta chegou ao primeiro encontro dez minutos antes do horário, com uma pasta contendo exames recentes, a receita da psiquiatra e uma lista de perguntas escritas. Vestida de modo formal, com postura ereta, falava rápido e se desculpou duas vezes por "estar falando demais". Ao longo dos encontros, a fala ficou mais pausada, e ela passou a se permitir silêncios. Mostrou boa capacidade de refletir sobre a própria experiência e chorou ao falar da cirurgia da mãe, recompondo-se rapidamente com a frase "mas deu tudo certo, eu que sou exagerada". Não houve alteração de pensamento, de sensopercepção ou de orientação.
Relato e registro de preocupações. Roberta descreve preocupações que "pulam de um assunto para outro" (trabalho, saúde dos pais, finanças, a segurança do marido no trânsito) e que ocupam a maior parte dos dias há mais de seis meses, com dificuldade de interrompê-las. O registro de duas semanas mostrou em média seis episódios de preocupação por dia, de 20 a 90 minutos cada, com o trabalho e a saúde da mãe como temas mais frequentes. Para aliviar a preocupação, ela revisava documentos, ligava para a mãe, pesquisava sintomas na internet ou pedia confirmação ao marido. O alívio durava minutos, e a preocupação voltava com outro tema. Relata tensão nos ombros, irritabilidade com a equipe, cansaço e sono fragmentado, com despertares às 3h ou 4h. O marido confirmou a mudança no último ano e acrescentou que ela "pede para confirmar tudo duas vezes" antes de viajar ou de assinar documentos, e que deixou de ir à academia porque "não sobra cabeça".
Inventário de sintomas ansiosos. O instrumento avalia a intensidade de sintomas de ansiedade nas últimas semanas, isto é, o quanto o corpo e o pensamento estão em estado de alerta. O resultado indicou sintomas em intensidade elevada para a população de referência, com destaque para tensão, inquietação e dificuldade de relaxar. O dado é coerente com o relato e com o registro, e ganha peso por ter sido obtido depois de seis semanas de medicação: o tratamento ainda não reduziu os sintomas de forma importante.
Inventário de sintomas depressivos. O instrumento verifica a presença e a intensidade de sintomas como tristeza, desânimo e perda de interesse. O resultado indicou sintomas em intensidade leve, concentrados em cansaço e alterações de sono. Roberta mantém interesse pelas atividades de lazer e relata prazer nos encontros com a família e com as amigas. O que o instrumento sugere, a entrevista qualifica: o cansaço parece consequência do sono fragmentado e do estado de alerta, e não de um humor deprimido persistente.
Instrumento de personalidade. O instrumento descreve traços relativamente estáveis do modo de ser, que aparecem em diferentes situações ao longo da vida. O perfil indicou elevação em neuroticismo, entendido como tendência a viver emoções negativas com mais intensidade e frequência, e em conscienciosidade, entendida como organização, senso de dever e autoexigência. Os demais fatores ficaram na média. A combinação ajuda a entender uma aparente contradição do caso: os mesmos traços que sustentam o bom desempenho profissional de Roberta, como a organização e o cuidado com os detalhes, alimentam a tendência a transformar responsabilidades em ameaça e a buscar controle por meio de verificações.
Formulação do caso. Em referencial cognitivo-comportamental, o quadro pode ser compreendido em quatro níveis.
- Fatores predisponentes: traços de autoexigência e de reatividade emocional; uma história em que assumir responsabilidades de adulto na infância foi a forma de lidar com a imprevisibilidade da casa; e o modelo materno de preocupação constante, que transmitiu a regra "quem se antecipa não é pego de surpresa".
- Fatores precipitantes: a promoção, que aumentou a responsabilidade e a exposição a erros, e a cirurgia da mãe, que tornou concreta a possibilidade de perda. Os dois eventos ocorreram em menos de três meses.
- Fatores mantenedores: a dificuldade de tolerar a incerteza, que transforma qualquer dúvida em sinal de perigo (Dugas; Robichaud, 2007); as verificações e os pedidos de confirmação, que aliviam por minutos e ensinam que a preocupação "funciona"; e a própria preocupação, que parece servir para evitar emoções mais intensas, como o medo de perder a mãe (Borkovec; Alcaine; Behar, 2004). Isso fica claro quando Roberta, ao chorar, logo diz "eu que sou exagerada". Por fim, o sono fragmentado reduz a tolerância ao estresse do dia seguinte e fecha o ciclo (Harvey, 2002).
- Fatores de proteção: boa capacidade de reflexão, experiência anterior positiva com psicoterapia, casamento descrito como apoio, uma irmã próxima, estabilidade financeira e motivação clara para o tratamento.
Diagnóstico diferencial.
- Episódio depressivo como quadro principal: os sintomas depressivos são leves, posteriores às preocupações e sem perda de interesse ou de prazer.
- Transtorno obsessivo-compulsivo: as verificações poderiam sugerir essa hipótese. No entanto, não há pensamentos intrusos vividos como absurdos ou estranhos a si, nem rituais para neutralizá-los: as verificações de Roberta se ligam a preocupações realistas, embora excessivas, sobre as consequências de erros (Salkovskis, 1985). A hipótese não se sustenta.
- Transtorno de pânico: não há relato de ataques de ansiedade inesperados nem de medo de novos ataques.
- Transtorno de adaptação: o início coincide com estressores identificáveis, mas o quadro já dura mais de seis meses e se estendeu a temas sem relação com eles, como as finanças e o trânsito.
- Ansiedade secundária a condição médica ou a substância: segundo a psiquiatra, os exames de tireoide estão normais. O consumo de café pode intensificar a inquietação e o sono ruim, e sua redução foi recomendada, mas não explica a preocupação sobre múltiplos temas.
Confronto com os critérios da CID-11⁴ para ansiedade generalizada.
- Preocupação excessiva sobre múltiplos eventos do cotidiano, na maior parte dos dias: presente há dez meses, confirmada pelo registro de duas semanas.
- Sintomas associados: tensão muscular, inquietação, irritabilidade, dificuldade de concentração e alteração do sono.
- Sofrimento e prejuízo: no trabalho, no sono e na vida social, com o abandono da academia e o episódio de maio.
- Não mais bem explicado por outro quadro: conforme o diagnóstico diferencial.
Risco. Perguntada diretamente, Roberta negou ideação suicida, atual ou passada, e intenção de se ferir. Não foram identificados indicadores de risco durante a avaliação.
Limites da avaliação. A medicação iniciada seis semanas antes pode ter atenuado parte dos sintomas medidos. Os inventários dependem do autorrelato, o que foi compensado pelo registro de preocupações e pela entrevista com o marido.
5. Conclusão
Os dados indicam que Roberta apresenta quadro compatível com Transtorno de Ansiedade Generalizada (CID-11: 6B00)⁴, com sintomas depressivos leves associados e traços de elevada autoexigência, com impacto no sono, no trabalho e na vida social.
No âmbito psicoterapêutico: psicoterapia semanal de abordagem cognitivo-comportamental, com foco na tolerância à incerteza, isto é, em aprender a conviver com a dúvida sem precisar resolvê-la, e na redução gradual das verificações e dos pedidos de confirmação. A recomendação decorre do ciclo de preocupação e checagem identificado na análise. Recomenda-se também um espaço para elaborar o medo de perder a mãe, que a preocupação parece encobrir.
No âmbito médico: continuidade do acompanhamento psiquiátrico, com o compartilhamento deste laudo mediante autorização da avaliada.
No trabalho e na rotina: horário definido para encerrar o expediente e para as mensagens, em razão da relação entre sobrecarga, sono e piora do quadro; redução gradual do café a partir da tarde; retorno à atividade física, que funcionava como regulador antes de novembro de 2025.
Para o casal: combinar com o marido, com o apoio da psicoterapia, uma forma de acolher a preocupação sem oferecer confirmações repetidas, que mantêm o ciclo.
O prognóstico é favorável, considerando a motivação, a rede de apoio e a boa resposta a um tratamento psicológico anterior. Recomenda-se reavaliação dos sintomas em seis meses, ou antes, se houver mudança importante do quadro.
Este laudo tem validade de 6 (seis) meses a partir da data de emissão, considerando a natureza dinâmica dos aspectos avaliados e o tratamento recomendado.
Reafirma-se aqui que as informações deste documento extrajudicial são confidenciais e se restringem exclusivamente à finalidade de subsidiar o planejamento do tratamento psicológico e psiquiátrico da avaliada, não podendo ser utilizadas fora desse contexto ou para outro objetivo.
Brasília/DF, 12 de setembro de 2026.
Nome Sobrenome — Psicóloga — CRP 00/00000
Assinatura digital · laudas numeradas
6. Referências (em nota de rodapé no documento)
¹ ² ³ Manuais técnicos dos instrumentos utilizados, com autores, ano, título e editora.
⁴ ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE. CID-11: Classificação Internacional de Doenças, 11ª revisão. Genebra: OMS, 2022.
BORKOVEC, T. D.; ALCAINE, O.; BEHAR, E. Avoidance theory of worry and generalized anxiety disorder. In: HEIMBERG, R. G.; TURK, C. L.; MENNIN, D. S. (orgs.). Generalized anxiety disorder: advances in research and practice. New York: Guilford, 2004. p. 77-108.
DUGAS, M. J.; ROBICHAUD, M. Cognitive-behavioral treatment for generalized anxiety disorder: from science to practice. New York: Routledge, 2007.
HARVEY, A. G. A cognitive model of insomnia. Behaviour Research and Therapy, v. 40, n. 8, p. 869-893, 2002.
SALKOVSKIS, P. M. Obsessional-compulsive problems: a cognitive-behavioural analysis. Behaviour Research and Therapy, v. 23, n. 5, p. 571-583, 1985.
CONSELHO FEDERAL DE PSICOLOGIA. Resolução CFP nº 06/2019; Resolução CFP nº 31/2022. Brasília: CFP.
Comentários, item por item
Identificação. Note que o solicitante está especificado (médica, com data do encaminhamento) e a finalidade é precisa. A finalidade é o que protege você de o laudo ser usado para outro fim.
Descrição da demanda. Diz quem forneceu as informações, exigência da Resolução 06/2019, e vai além do pedido formal: registra o que levou a pessoa a buscar a avaliação, a história recente e o que se espera do processo. É esse contexto humano que dá sentido aos procedimentos escolhidos.
Procedimento. Informa número de encontros, duração, período, pessoas ouvidas e instrumentos, cada um com a sua função na avaliação e a situação no SATEPSI. Os instrumentos são referenciados em nota, sem reproduzir itens, normas ou resultados brutos.
Análise. É a parte mais longa e integrativa, construída em camadas:
- começa pela apresentação observada, com detalhes concretos (a pasta com exames, a lista de perguntas, o choro seguido de “eu que sou exagerada”);
- traz o relato e um registro feito fora do consultório, que dá números ao que a pessoa conta;
- explica cada instrumento em linguagem leiga, com o resultado, o que ele significa no dia a dia e onde converge ou diverge da clínica;
- apresenta a formulação do caso na abordagem declarada (o que predispõe, o que precipitou, o que mantém e o que protege), com a literatura citada no corpo do texto;
- argumenta o diagnóstico diferencial, inclusive a hipótese mais tentadora (TOC, por causa das verificações), com o dado que a afasta;
- confronta os critérios da CID-11 um a um;
- registra o risco e os limites da avaliação, como o efeito da medicação recente.
Não transcreve sessões: as falas literais entram só quando mostram algo clínico.
Conclusão. Decorre da análise, sem informação nova, em linguagem condicional ("quadro compatível com"), com a classificação usada citada nas referências. As recomendações são específicas e cada uma diz por quê, ancorada num achado da análise. O prazo de validade vem ao final, como exige o art. 17, seguido do parágrafo de confidencialidade. Veja como definir o prazo em validade do laudo psicológico.
Referências. Obrigatórias no laudo, de preferência em nota de rodapé, e não em folha separada, que pode ser destacada.
Erros que aparecem em laudos (e como este modelo evita)
| Erro frequente | Como corrigir |
|---|---|
| Laudo sem processo de avaliação | Emitir relatório, se foi psicoterapia |
| Solicitante e finalidade vagos | Especificar quem pediu, quando e para quê |
| Procedimento sem número de encontros e instrumentos | Detalhar encontros, duração, instrumentos e referencial |
| Análise que "cola" resultados de testes | Integrar os dados e explicar o que significam para a demanda |
| Afirmações sem fonte | Indicar a origem de cada informação |
| Conclusão com dado novo | A conclusão só retoma o que a análise sustentou |
| Sem validade no último parágrafo | Incluir o prazo, com justificativa |
| Sem referências | Nota de rodapé com os manuais utilizados |
Escalas também são testes
Um erro comum é tratar escalas de sintomas como se qualquer pessoa pudesse usá-las livremente. A Resolução CFP nº 31/2022 inclui escalas, inventários e questionários entre os testes psicológicos (art. 10); usá-los com parecer desfavorável ou sem avaliação no SATEPSI é falta ética (art. 12). Alguns instrumentos constam no SATEPSI como não privativos e podem ser fonte complementar, mas não sustentam a conclusão sozinhos. Veja instrumentos de avaliação psicológica.
Depois do laudo
A entrega exige entrevista devolutiva e protocolo de entrega assinado (arts. 16 e 18). Veja o roteiro e um modelo de protocolo em entrevista devolutiva. Guarde o laudo e todo o material da avaliação por no mínimo cinco anos, com os protocolos em pasta de acesso exclusivo.
Laudo psicológico com IA: como o DocsPSI escreve a partir do dossiê clínico
Um laudo como o modelo acima costuma levar horas. E o gargalo raramente é conhecer a estrutura: é juntar anotações de cinco ou seis encontros, resultados de instrumentos, relatos da família e da escola, e transformar tudo num texto integrado, sem esquecer o número de encontros, as pessoas ouvidas ou o prazo de validade. É aí que o laudo atrasa, e é aí que o erro entra.
No DocsPSI, esse trabalho muda de natureza. Cada encontro da avaliação, gravado com consentimento, vira um prontuário inteligente em 7 seções. A IA do DocsPSI consulta o dossiê clínico completo daquele paciente, com prontuários, sessões, documentos anexados, a Linha do Tempo Terapêutica e as discussões com a supervisão por IA, e redige o laudo na estrutura da Resolução CFP nº 06/2019: identificação, demanda, procedimento, análise, conclusão e referências. Se preferir escrever você mesma, a plataforma entrega a estrutura pronta, com os campos automáticos.
E ela escreve na sua linguagem: nas configurações, você informa a sua abordagem teórica e a sua especialidade, e a IA considera esse enquadre em todos os textos, do prontuário ao laudo.
| Etapa | Do jeito de sempre | No DocsPSI |
|---|---|---|
| Reunir os dados | Anotações soltas de vários encontros | Dossiê clínico completo, com cada encontro registrado em 7 seções |
| Estruturar | Conferir item por item da Resolução 06/2019 | Estrutura da resolução aplicada, com campos automáticos |
| Redigir | Horas de texto, muitas vezes no fim de semana | A IA redige e sistematiza a partir do que você registrou e discutiu |
| Pensar o caso | Sozinha, ou esperando a próxima supervisão | Supervisão por IA a qualquer hora, para discutir hipóteses e conclusão |
| Entregar | Arquivo sem como provar a autenticidade | QR Code que qualquer pessoa verifica |
O processo inteiro tem apoio na biblioteca de recursos: o contrato de avaliação psicológica, que o paciente assina eletronicamente por link, o planejamento da comunicação de resultados e o registro da devolutiva.
A análise e a conclusão continuam sendo suas. O Manual Orientativo do CFP (2025) admite a IA para organizar, redigir e sistematizar, e reserva à psicóloga as interpretações, as conclusões e as hipóteses; o guia de IA do CFP pede revisão integral e autoria assumida. Por isso a IA do DocsPSI redige com base no raciocínio que você já registrou nas sessões e na supervisão, e o laudo só existe depois que você revisa, ajusta e assina.
É a diferença entre passar o domingo montando um laudo e revisar um documento completo, na estrutura certa e na linguagem da sua abordagem. Para começar, há o primeiro mês promocional do Plano Starter, com acesso a todas as funcionalidades e sem fidelidade.
Perguntas frequentes
Existe um modelo oficial de laudo psicológico do CFP?
O CFP não publica um formulário único, mas a Resolução 06/2019 define os seis itens obrigatórios e o que cada um deve conter. Qualquer modelo precisa seguir essa estrutura.
Posso usar esse modelo de laudo?
Como referência de estrutura e redação, sim. O conteúdo precisa refletir o processo de avaliação que você conduziu, os instrumentos que aplicou e os dados que obteve.
O laudo precisa ter CID?
Não. A conclusão pode trazer diagnóstico, e a classificação usada deve ser citada nas referências. A Resolução CFP 06/2019 trata expressamente do código da CID no atestado; se o laudo for a processo judicial ou trabalhista, peça autorização por escrito para divulgar o código.
Onde colocar as referências no laudo?
Preferencialmente em nota de rodapé, como orienta a Resolução CFP 06/2019, e não em folha separada.
A IA pode escrever o laudo psicológico?
Pode redigir e sistematizar, desde que o conteúdo clínico seja seu. O Manual Orientativo do CFP (2025) reserva à psicóloga as interpretações, as conclusões e as hipóteses, e o guia de IA do CFP pede revisão integral e autoria assumida. No DocsPSI, a IA redige a partir do dossiê clínico e do raciocínio que você registrou; você revisa, ajusta e assina.
Referências: Conselho Federal de Psicologia. Resolução CFP nº 06/2019 comentada · Resolução CFP nº 31/2022 · Resolução CFP nº 01/2009.
Procurando outro tema?
Busque pelo título ou pelo assunto entre todos os guias do blog.
