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Anamnese psicológica adulto: roteiro e ficha

Anamnese psicológica de adulto: roteiro de perguntas por área, ficha modelo, sinais de alerta, situações especiais e como registrar no prontuário.

Anamnese de pessoa adulta sobre trajetória, relações e rotina.
Sumário6 seções

No adulto, a principal fonte é a própria pessoa — e a forma como ela conta a história é, em si, um dado clínico. Roteiro geral em anamnese psicológica.

Roteiro de perguntas

Queixa atual

  • O que trouxe você à terapia agora?
  • Desde quando isso acontece? Como começou?
  • O que piora e o que melhora?
  • O que você já tentou?

Funcionamento atual

  • Como está sua rotina (sono, alimentação, trabalho, lazer)?
  • Como isso afeta seu trabalho e suas relações?

Saúde

  • Tem alguma condição de saúde? Usa medicações?
  • Já fez psicoterapia ou tratamento psiquiátrico?
  • Como é seu consumo de álcool, tabaco e outras substâncias?

História de vida

  • Como foi sua infância e adolescência?
  • Como foi a escola? E a trajetória profissional?
  • Houve perdas, mudanças ou eventos marcantes?

Família e relações

  • Com quem você mora? Como é a relação?
  • Há histórico de questões de saúde mental na família?
  • Com quem você pode contar?

Relacionamentos e parentalidade

  • Está em algum relacionamento? Como está?
  • Tem filhos ou cuida de alguém? Como isso pesa no dia a dia?

Segurança

  • Você se sente seguro em casa e nas suas relações?

Risco

  • Você já teve pensamentos de morrer ou de se machucar? E agora?

Expectativas

  • O que você espera da terapia? Como saberia que melhorou?

Mais perguntas em 70 perguntas de anamnese.

Ficha modelo

A ficha abaixo segue a lógica de uma avaliação inicial proporcional à demanda: finalidade e consentimento primeiro, urgência antes da história longa, relato separado da observação e, ao final, fontes, lacunas e próximo passo. Preencha só o que for necessário para a finalidade; nem todo campo precisa ser explorado na primeira sessão.

ModeloFicha de anamnese psicológica — adulto (modelo para adaptar)

Finalidade, enquadre e consentimento

Finalidade do atendimento: · Sigilo e limites explicados em: · Registro e gravação (se houver, com termo próprio): · Direito de não responder explicado: ( ) sim

Identificação

Nome / nome social: · Pronomes: · Data de nascimento: · Contato: · Contato de emergência:
Escolaridade: · Ocupação: · Estado civil: · Com quem mora:
Encaminhado por: · Motivo do encaminhamento:

Demanda, nas palavras da pessoa

Queixa principal: · Por que agora: · O que espera do atendimento:

Urgência e proteção (avaliar antes da história longa)

Ideação suicida atual ou passada: · Plano, meios, intenção: · Tentativas prévias: · Autolesão: · Violência sofrida ou praticada: · Acesso a armas ou medicamentos em quantidade: · Fatores de proteção: · Conduta, se necessária:

História da queixa

Início: · Evolução: · Frequência e intensidade: · Fatores de piora e de melhora: · Tentativas anteriores, com ou sem ajuda profissional:

Funcionamento atual

Sono: · Alimentação: · Trabalho ou estudo: · Relações: · Lazer e autocuidado: · Áreas preservadas:

Saúde, medicações e substâncias

Condições de saúde: · Medicações e quem prescreve: · Tratamentos psicológicos ou psiquiátricos anteriores: · Álcool, tabaco e outras substâncias (padrão e mudanças recentes):

História de vida relevante para a demanda

Infância e adolescência: · Escolaridade: · Trabalho: · Eventos significativos (perdas, mudanças, violências):

Família, relações e rede

Composição familiar: · Qualidade das relações: · Histórico familiar de saúde mental: · Rede de apoio (pessoas e serviços):

Identidade, cultura e acessibilidade

Idioma, cultura, religião quando relevante: · Barreiras de acesso: · Adaptações necessárias:

Recursos

Pontos fortes, interesses e o que já funcionou:

Observação

Apresentação, contato, discurso, afeto (descrever o observado, separado do relato):

Fontes, divergências e lacunas

Quem forneceu cada informação: · Divergências entre fontes: · O que ainda precisa ser investigado:

Síntese provisória e próximo passo

Compreensão provisória da demanda: · Objetivos iniciais combinados: · Modalidade e frequência: · Próximo passo:

Sinais de alerta durante a anamnese

Alguns relatos mudam a ordem das prioridades e pedem ação antes de completar o roteiro:

SinalO que fazer
Ideação suicida com plano ou tentativa recenteAvaliação de risco aprofundada e plano de segurança. Veja avaliação de risco de suicídio
Relato de violência domésticaAvaliar segurança atual, rede e serviços. Veja violência e notificação
Uso de substâncias com prejuízo importanteConsiderar encaminhamento médico e rede especializada
Sintomas que sugerem causa clínicaEncaminhar para avaliação médica. Veja psicólogo pode receitar remédio?
Demanda fora da sua competênciaDizer com clareza e indicar colegas (Código de Ética, art. 1º, “b” e “k”)

Situações especiais com adultos

  • Encaminhado pela empresa ou por outra pessoa: explore o que a própria pessoa quer. O sigilo vale em relação a quem encaminhou; nada é informado sem autorização.
  • Demanda judicial em curso (divórcio, guarda): combine desde o início que a psicoterapia não produz documento para o processo sem consentimento formal e que você não atuará como perita ou assistente técnica (Resolução CFP nº 08/2010, art. 10).
  • Pessoa idosa: veja anamnese com idosos.
  • Investigação de TDAH ou TEA na vida adulta: veja anamnese para TDAH e anamnese para TEA.

Como registrar

  • Prontuário: síntese da demanda, dados relevantes e objetivos pactuados.
  • Registro documental: hipóteses e detalhes que não precisam estar no prontuário.

Depois da anamnese, formalize o plano terapêutico. Na ficha, peça só o necessário: dados de saúde são dados sensíveis pela LGPD, e o princípio da necessidade vale também aqui.

Anamnese de adultos no DocsPSI: roteiro geral e roteiros por tema

A ficha acima serve para a maioria dos casos. Mas a anamnese de alguém com crises de pânico não é a de alguém em luto, e adaptar o roteiro na hora costuma deixar lacunas.

A biblioteca de recursos do DocsPSI traz o roteiro de entrevista psicológica inicial e roteiros por tema para adultos: humor; pânico e agorafobia; preocupação e ansiedade generalizadas; ansiedade social; preocupação persistente com a saúde; uso de álcool, com um roteiro para a entrevista com um familiar; luto; sintomas físicos persistentes; atendimento informado por trauma; e roteiros relacionais, como perfeccionismo, confiança e autoimagem. São roteiros autorais do DocsPSI, sem pontuação: organizam a escuta, não a substituem.

Se preferir gravar, com o consentimento confirmado na plataforma antes de começar, a entrevista vira em menos de 5 minutos um prontuário inteligente em 7 seções, com o relatado separado do observado e da hipótese e a avaliação de risco. Sem internet na hora, grave o áudio no celular e importe depois. Tudo fica no dossiê clínico, a IA considera a abordagem e a especialidade que você informou nas configurações, e a Linha do Tempo Terapêutica já sugere o plano. Você revisa, decide o que vai para o registro documental e assina. Para começar, há o primeiro mês promocional do Plano Starter, com acesso a todas as funcionalidades e sem fidelidade.

Perguntas frequentes

Quais perguntas fazer na anamnese de adulto?

Sobre a queixa e sua história, funcionamento atual, saúde, substâncias, história de vida, família, rede de apoio, risco e expectativas.

Posso enviar a ficha de anamnese para o paciente preencher antes?

Pode, para dados básicos. A entrevista clínica continua necessária, porque a forma como a pessoa conta a história é informação clínica.

A anamnese precisa ser feita na primeira sessão?

Não necessariamente inteira. Ela costuma se distribuir entre as primeiras sessões, junto com o acolhimento.

Preciso perguntar sobre violência na anamnese de adulto?

Sim, de forma simples e direta, como “você se sente seguro em casa e nas suas relações?”. Se houver relato de violência, a segurança atual passa à frente do roteiro, e o que foi perguntado, respondido e combinado vai para o prontuário.

Referências: Conselho Federal de Psicologia. Resolução CFP nº 01/2009 · Resolução CFP nº 08/2010 · Código de Ética Profissional do Psicólogo · Manual Orientativo de Registro e Elaboração de Documentos Psicológicos (CFP, 2025) · Brasil. Lei 13.709/2018 (LGPD).

Equipe Editorial DocsPSI

Guias escritos a partir das resoluções do Conselho Federal de Psicologia, do Manual Orientativo de Registro e Elaboração de Documentos Psicológicos (CFP, 2025) e da rotina de milhares de consultórios que usam o DocsPSI.

Revisão técnica: Ana Vanessa de Medeiros Neves — Psicóloga Clínica e da Saúde, CRP 03/3592.

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