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Anamnese para investigação de TEA: o que perguntar

Anamnese para investigar autismo (TEA): perguntas sobre desenvolvimento, comunicação social, repetição, sensorialidade e regressão, crianças e adultos.

Reconstrução de história do desenvolvimento e experiências sensoriais em investigação de TEA.
Sumário6 seções

O diagnóstico de TEA depende muito da história: os critérios exigem que os sinais estejam presentes desde o início do desenvolvimento. Uma anamnese detalhada é, por isso, uma das peças centrais da avaliação. Veja TEA: critérios e avaliação e o roteiro geral de anamnese.

Roteiro — crianças (com os responsáveis)

Comunicação social nos primeiros anos

  • Olhava nos olhos? Sorria de volta?
  • Respondia quando chamado pelo nome?
  • Apontava para mostrar algo de interesse?
  • Trazia objetos para mostrar?
  • Quando falou as primeiras palavras? Houve perda de palavras?
  • Imitava gestos e brincadeiras?

Brincar e interesses

  • Como brincava? Brincadeira de faz de conta?
  • Enfileirava ou girava objetos? Interesses muito intensos?
  • Interesse por outras crianças?

Rotina e comportamentos repetitivos

  • Reage muito a mudanças de rotina?
  • Movimentos repetitivos (balançar, bater as mãos)?
  • Repetição de falas (ecolalia)?

Sensorialidade

  • Incômodo com sons, texturas, roupas, luzes?
  • Seletividade alimentar importante?
  • Busca intensa por certas sensações?

Desenvolvimento geral e saúde

  • Marcos motores, sono, audição avaliada?
  • Condições médicas, epilepsia, prematuridade?

Escola e família

  • Como é na escola? Interação com colegas?
  • Há casos de TEA ou outros transtornos do neurodesenvolvimento na família?

Roteiro — adultos

  • Como era na infância? (buscar informantes e documentos antigos, se possível)
  • Dificuldades para entender regras sociais implícitas?
  • Esforço para "parecer adequado" em interações (camuflagem) e cansaço depois?
  • Interesses intensos, rotinas rígidas?
  • Sensibilidade sensorial?
  • Trajetória escolar, profissional e afetiva.
  • Diagnósticos anteriores (ansiedade, depressão, TDAH).

Veja autismo em adultos.

Como conduzir

  • Peça exemplos concretos e idades aproximadas: “quantos anos ele tinha quando…?” é mais útil que “ele era atrasado?”.
  • Use o que a família tem: vídeos antigos, caderneta de saúde, relatórios de creche e escola ajudam a situar os sinais no tempo.
  • Ouça mais de um cuidador sempre que possível; lembranças diferem.
  • Não conduza a resposta. Famílias que já pesquisaram sobre TEA tendem a confirmar sinais; pergunte de forma aberta.
  • Acolha a expectativa e o medo. A anamnese é também o primeiro contato da família com a possibilidade do diagnóstico.

Instrumentos que costumam acompanhar

  • Rastreio em crianças pequenas: M-CHAT-R/F. Rastreio indica necessidade de avaliação; não fecha diagnóstico.
  • Testes com parecer favorável no SATEPSI na data da aplicação, aplicados por quem tem formação (Resolução CFP nº 31/2022).
  • Informações da escola e de outros profissionais, como fontes complementares.

Lembre que a conclusão precisa se apoiar em fontes fundamentais, como anamnese, entrevista, observação e testes aprovados; a Cartilha de Avaliação Psicológica do CFP (2022) considera falta ética concluir só com instrumentos não privativos.

Registro

ModeloSíntese da anamnese para investigação de TEA — exemplo fictício

Dados do atendimento: 05/10/2025, entrevista com a mãe e o pai, 80 minutos, presencial. Criança: Arthur (nome fictício), 3 anos e 2 meses, filho único. Autorização de ambos os responsáveis. Encaminhamento da pediatra, depois de rastreio positivo na consulta de rotina dos 3 anos.
Demanda, nas palavras dos pais: "ele fala, mas parece que não conversa com a gente". Contam que perceberam diferenças por volta dos 2 anos, ao comparar Arthur com o primo da mesma idade, mas ouviram de parentes que "menino fala tarde".

Comunicação social nos primeiros anos:

  • sorriso social presente desde os primeiros meses;
  • apontar para mostrar objetos ("olha!") pouco frequente; aponta mais para pedir o que quer;
  • raramente traz objetos para mostrar aos pais;
  • responde ao nome de forma inconsistente, sobretudo quando está entretido com letras;
  • dá tchau quando lembrado, mas não espontaneamente;
  • contato visual presente, mais breve com pessoas menos conhecidas.

Linguagem: primeiras palavras aos 15 meses; hoje, frases de duas palavras para pedir ("quer água") e repetição de trechos inteiros de vídeos infantis, às vezes em situações que lembram a cena do vídeo. Os pais notam que ele usa essas falas quando está ansioso.
Brincar e interesses: prefere girar rodas de carrinhos e alinhar objetos por cor; interesse intenso por letras e números, que reconhece desde os 2 anos e meio; pouco faz de conta. Imita gestos dos pais em músicas conhecidas.
Rotina e sensorialidade: desorganiza-se com mudanças de trajeto, chorando por vários minutos quando o carro faz outro caminho; tapa os ouvidos com o secador de cabelo e o liquidificador; aceita poucos alimentos, de cor clara e textura macia.
Regressão: os pais não relatam perda de palavras ou habilidades. O dado foi perguntado de forma específica, porque a perda de habilidades já adquiridas muda a condução da investigação.
Saúde: audiometria realizada em setembro, normal; sono regular; sem convulsões ou outras condições conhecidas.
Creche: segundo a educadora, brinca ao lado das outras crianças, sem interagir, e chora nas trocas de sala. Participa das rodas de música, que parece apreciar.
Família: avô paterno com dificuldades sociais descritas pelos pais como "jeito dele": pouco conversa em reuniões de família e tem rotinas rígidas.
O que os pais já tentaram: colocar Arthur mais tempo com o primo e reduzir as telas, que ele usava cerca de três horas por dia. Com a redução, ele passou a pedir mais a presença dos pais nas brincadeiras.

Fontes e lacunas: informações dos pais e da educadora; ainda não observado Arthur.
Compreensão provisória: sinais nas áreas de comunicação social (pouca atenção compartilhada, uso da linguagem mais para pedir que para compartilhar), brincar, interesses restritos e sensorialidade, presentes desde cedo, em casa e na creche. A audição normal e a ausência de regressão foram verificadas. A distinção entre um atraso de linguagem e uma diferença no uso social da comunicação depende da observação direta. Os recursos são importantes: sorriso social, imitação em músicas e o prazer nas rodas de música são pontos de apoio para a intervenção.
Próximos passos:

  • sessões de observação livre e estruturada com Arthur, com atenção à atenção compartilhada e ao brincar;
  • contato com a creche, com autorização escrita;
  • orientar os pais sobre estimulação no dia a dia, a partir dos interesses dele (letras, música), e sobre a possibilidade de iniciar intervenção precoce enquanto a avaliação acontece, sem esperar o fim do processo.

Registre a síntese no prontuário e detalhes no registro documental. Se a avaliação resultar em documento, veja laudo psicológico de autismo.

Da anamnese de TEA ao laudo, no DocsPSI

A anamnese de TEA é longa e minuciosa: marcos do desenvolvimento, primeiros sinais, comportamento em casa e na escola, relatos de outros profissionais. E o laudo que sai dela tem impacto direto em direitos, por isso cada informação precisa estar registrada com a fonte.

No DocsPSI, cada entrevista, gravada com o consentimento da família, vira em menos de 5 minutos um prontuário inteligente em 7 seções, com o relatado separado do observado e da hipótese. A biblioteca de recursos traz o roteiro de atendimento psicológico de criança, registros descritivos de atividade lúdica, o contrato de avaliação psicológica, assinado por link, e roteiros para planejar a comunicação dos resultados e a devolutiva à família. São roteiros autorais do DocsPSI, sem pontuação: organizam a escuta, não a substituem.

A Linha do Tempo Terapêutica reúne as sessões da avaliação, a supervisão por IA, disponível 24 horas, ajuda a pensar o diagnóstico diferencial, e a IA redige o laudo a partir do dossiê clínico, na abordagem e na especialidade que você informou nas configurações. A conclusão é sua: você revisa, ajusta e assina. Para começar, há o primeiro mês promocional do Plano Starter, com acesso a todas as funcionalidades e sem fidelidade.

Perguntas frequentes

O que perguntar na anamnese de autismo?

Sobre comunicação social nos primeiros anos, brincar, interesses, rotina, comportamentos repetitivos, sensorialidade, regressão, escola e histórico familiar.

A anamnese basta para diagnosticar TEA?

Não. Ela é uma das fontes, que se integra à observação, a instrumentos e a informações de outros contextos, idealmente em avaliação interdisciplinar.

Como fazer anamnese de TEA em adulto sem informantes?

Use documentos antigos (boletins, relatórios), relatos da própria pessoa sobre a infância e, quando possível, conversas com familiares.

Com que idade é possível investigar TEA?

Os sinais costumam aparecer nos primeiros anos, e a investigação pode começar cedo. O M-CHAT-R/F, por exemplo, é um rastreio para crianças de 16 a 30 meses: resultado positivo indica avaliação, não diagnóstico. Adolescentes e adultos também podem ser avaliados.

Referências: American Psychiatric Association. DSM-5-TR (2022) · Conselho Federal de Psicologia. Resolução CFP nº 31/2022 · Cartilha de Avaliação Psicológica (2022) · Brasil. Lei 12.764/2012.

Equipe Editorial DocsPSI

Guias escritos a partir das resoluções do Conselho Federal de Psicologia, do Manual Orientativo de Registro e Elaboração de Documentos Psicológicos (CFP, 2025) e da rotina de milhares de consultórios que usam o DocsPSI.

Revisão técnica: Ana Vanessa de Medeiros Neves — Psicóloga Clínica e da Saúde, CRP 03/3592.

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