Pular para o conteúdo

TEA: critérios DSM-5-TR, níveis de suporte e avaliação

Critérios diagnósticos do TEA no DSM-5-TR, especificadores, níveis de suporte, CID-11 (6A02), fontes de avaliação, diferencial e laudo.

Avaliação de autismo considerando história, contextos e necessidades individuais de apoio.
Sumário9 seções

A avaliação do TEA é uma das mais delicadas da prática, pelo impacto na vida da pessoa e da família, pelo acesso a direitos que o laudo pode abrir e pela necessidade de olhar o desenvolvimento como um todo. Este guia reúne os critérios, as fontes da avaliação, o trabalho interdisciplinar, o registro e a comunicação do resultado. Contexto em avaliação psicológica na clínica.

Critérios do DSM-5-TR

CritérioExigência
A — Comunicação e interação socialDéficits em todos: reciprocidade socioemocional; comunicação não verbal; desenvolver, manter e compreender relacionamentos
B — Padrões restritos e repetitivosAo menos 2: movimentos, uso de objetos ou fala estereotipados; insistência na mesmice; interesses restritos e intensos; hiper ou hiporreatividade sensorial
C — InícioSintomas no período precoce do desenvolvimento (podem se manifestar plenamente depois)
D — PrejuízoClinicamente significativo
E — DiferencialNão mais bem explicado por deficiência intelectual ou atraso global do desenvolvimento

Especificadores

  • Com ou sem comprometimento intelectual concomitante.
  • Com ou sem comprometimento de linguagem concomitante.
  • Associado a condição médica, genética ou ambiental conhecida.
  • Associado a outro transtorno do neurodesenvolvimento, mental ou comportamental.
  • Nível de suporte para A e para B — veja níveis de suporte.

CID-11

Código 6A02, com subcódigos que combinam presença de deficiência intelectual e comprometimento da linguagem funcional. Detalhes em autismo na CID-11.

Fontes de avaliação

FonteO que trazTipo de fonte (Resolução CFP nº 31/2022)
Anamnese do desenvolvimento com os responsáveisMarcos, primeiros sinais, cursoFundamental
Entrevista e interação com a pessoa avaliadaComunicação social, interesses, comportamentoFundamental
Observação estruturada e em contextos naturaisInteração, brincadeira, respostas sensoriaisFundamental
Testes com parecer favorável no SATEPSI, aplicados por quem tem formaçãoMedidas padronizadas, inclusive cognitivas e de linguagem para o diferencialFundamental
Rastreio em crianças pequenas, como o M-CHAT-R/FSinal de alerta para aprofundarConfira no SATEPSI a classificação do instrumento; rastreio não fecha diagnóstico
Relatórios da escola e de outros profissionaisComportamento em outros contextosComplementar

Concluir apenas com instrumentos não privativos é falta ética, segundo a Cartilha de Avaliação Psicológica do CFP (2022). Veja anamnese para TEA.

Avaliação interdisciplinar

Fonoaudiologia, terapia ocupacional, neurologia, psiquiatria e pediatria enriquecem a avaliação e o planejamento das intervenções. Quando a avaliação é feita em equipe e a conclusão depende da integração dos profissionais, a Resolução CFP nº 06/2019 (art. 13, V a VII) permite que o laudo psicológico componha um documento único, desde que a psicóloga registre o necessário ao trabalho em equipe, preserve o sigilo e as práticas privativas da psicologia e mantenha todos os itens da estrutura. Alguns destinatários, como escolas, planos de saúde ou órgãos públicos, podem pedir também documento médico.

Registro e devolutiva

Cada encontro é registrado com data, procedimento e o que foi observado (Resolução CFP nº 31/2022, art. 6º, parágrafo único). Hipóteses ainda não compartilhadas ficam no registro documental, como orienta o Manual Orientativo do CFP (2025), e os protocolos dos testes em pasta de acesso exclusivo (Resolução CFP nº 01/2009, art. 2º, VI).

A devolutiva é obrigatória na entrega do laudo (Resolução CFP nº 06/2019, art. 18) e pede cuidado especial: a família costuma chegar com medo, esperança ou luto. Explique o que foi avaliado, o que os dados mostram, o que isso significa no dia a dia e quais são os próximos passos, em linguagem acessível. Com a pessoa avaliada, adapte a conversa à idade e à forma de comunicação dela.

Conclusão fracaConclusão defensável
“Paciente autista.”“Os dados de anamnese, observação estruturada e instrumentos indicam déficits persistentes na comunicação e interação social e padrões restritos e repetitivos presentes desde o início do desenvolvimento, com prejuízo, compatíveis com Transtorno do Espectro Autista, com necessidade de suporte …”
“Não é autismo.”“Os dados não sustentam o diagnóstico de TEA neste momento; as dificuldades observadas parecem relacionadas a …; sugere-se …”

A Lei 12.764/2012, que instituiu a Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista, considera a pessoa com TEA pessoa com deficiência para todos os efeitos legais, o que torna o laudo um documento com impacto concreto em direitos. Mais uma razão para rigor.

Um registro de sessão de observação mostra o nível de detalhe que depois sustenta o laudo:

ModeloRegistro de sessão de observação na avaliação de TEA (exemplo fictício)

Data: 08/10/2025 — Encontro 3 da avaliação — observação lúdica livre e estruturada, 50 minutos, presencial.
Criança: Arthur (nome fictício), 3 anos e 2 meses. A mãe presente na sala nos primeiros 15 minutos, depois na sala de espera.
Objetivo: observar a atenção compartilhada, o brincar e a resposta a convites de interação, depois das entrevistas com os pais.
Brincar livre (20 minutos): explorou a sala e escolheu os carrinhos. Girou as rodas de três carrinhos por cerca de oito minutos, olhando de perto. Alinhou blocos por cor. Não trouxe objetos para mostrar à examinadora nem à mãe.
Convites de interação (20 minutos):

  • chamado pelo nome três vezes durante o brincar: respondeu uma vez, na terceira, virando a cabeça sem fazer contato visual;
  • apontar de longe para um brinquedo na prateleira ("olha lá!"): não acompanhou o apontar; olhou para a mão da examinadora;
  • brincadeira de esconder o rosto: sorriu e pediu "de novo" duas vezes, olhando para a examinadora, o episódio de maior troca da sessão;
  • faz de conta com boneco e mamadeira: pegou a mamadeira e a girou, sem levá-la ao boneco;
  • música com gestos: imitou dois gestos de uma música que canta em casa.

Linguagem: usou palavras isoladas para pedir ("carro", "água") e repetiu um trecho de vídeo infantil ao guardar os brinquedos.
Regulação: chorou por cerca de dois minutos quando os carrinhos foram guardados sem aviso; acalmou-se com a música.
Leitura: a sessão confirma, por observação direta, o que os pais descreveram: atenção compartilhada limitada, pouco faz de conta e interesse intenso por partes de objetos. Há também recursos importantes: o sorriso e o pedido de "de novo" na brincadeira social, e a imitação em músicas conhecidas. Esses recursos serão pontos de partida para a intervenção. Os dados ainda serão cruzados com a observação na creche e com o protocolo estruturado.
Próximo passo: observação na creche, com autorização dos pais, e aplicação do protocolo estruturado no encontro 5.

Por faixa etária

Documento

Veja laudo psicológico de autismo.

Avaliação de TEA no DocsPSI: observações detalhadas, sem perder o fio

Uma avaliação de TEA junta entrevistas longas com a família, sessões de observação cheias de detalhes, visitas à escola e relatórios de fonoaudiologia e terapia ocupacional. O laudo depende da precisão desses registros: quantas vezes a criança respondeu ao nome, em que brincadeira houve troca, o que a desorganizou. Anotar tudo isso durante a observação tira a atenção da criança; anotar depois, de memória, apaga os detalhes.

No DocsPSI, cada encontro, gravado com o consentimento dos responsáveis ou importado depois em áudio, vira em menos de 5 minutos um prontuário inteligente em 7 seções, que separa o observado da hipótese. Os relatórios dos outros profissionais ficam anexados ao dossiê clínico, e a Linha do Tempo Terapêutica reúne a avaliação inteira. A supervisão por IA, disponível 24 horas, ajuda a pensar o diagnóstico diferencial, e a IA do DocsPSI redige o laudo a partir do dossiê, nos seis itens da Resolução CFP nº 06/2019. O laudo sai com QR Code de autenticidade, útil quando o documento circula entre escola, plano de saúde e outros serviços.

O diagnóstico é seu: a plataforma não faz diagnóstico. Você revisa, ajusta e assina. Para começar, há o primeiro mês promocional do Plano Starter, com acesso a todas as funcionalidades e sem fidelidade.

Perguntas frequentes

Quais os critérios do autismo no DSM-5-TR?

Déficits em todos os três aspectos de comunicação e interação social (critério A), ao menos dois padrões restritos e repetitivos (critério B), início precoce, prejuízo e ausência de explicação melhor por deficiência intelectual ou atraso global.

Qual o CID-11 do autismo?

6A02, com subcódigos conforme deficiência intelectual e comprometimento da linguagem funcional.

Autismo pode ser diagnosticado em adultos?

Sim. Os sinais devem estar presentes desde o início do desenvolvimento, ainda que tenham se manifestado plenamente mais tarde.

O laudo psicológico basta para a carteira de identificação da pessoa autista?

Não sozinho. A Lei 13.977/2020 (Lei Romeo Mion) pede, para a Ciptea, relatório médico com o código da CID. O laudo psicológico continua importante para a escola, o planejamento das intervenções e outros direitos, e a família deve saber disso na devolutiva.

A IA pode diagnosticar autismo?

Não. O diagnóstico resulta da avaliação conduzida pela psicóloga, idealmente com a equipe, e interpretações e conclusões são dela (Manual Orientativo do CFP, 2025). A IA pode organizar os registros e redigir o laudo a partir do que você avaliou; no DocsPSI, você revisa integralmente e assina.

Referências: American Psychiatric Association. DSM-5-TR (2022) · Organização Mundial da Saúde. CID-11 · Brasil. Lei 12.764/2012 · Lei 13.977/2020 · Conselho Federal de Psicologia. Resolução CFP nº 31/2022 · Cartilha de Avaliação Psicológica (2022) · Resolução CFP nº 06/2019 · Resolução CFP nº 01/2009 · Manual Orientativo de Registro e Elaboração de Documentos Psicológicos (2025).

Equipe Editorial DocsPSI

Guias escritos a partir das resoluções do Conselho Federal de Psicologia, do Manual Orientativo de Registro e Elaboração de Documentos Psicológicos (CFP, 2025) e da rotina de milhares de consultórios que usam o DocsPSI.

Revisão técnica: Ana Vanessa de Medeiros Neves — Psicóloga Clínica e da Saúde, CRP 03/3592.

Procurando outro tema?

Busque pelo título ou pelo assunto entre todos os guias do blog.