Sumário9 seções
O TDAH é um dos diagnósticos mais buscados, e mais banalizados. Uma avaliação rigorosa protege tanto quem tem o transtorno quanto quem não tem: evita rótulos apressados e evita que dificuldades reais fiquem sem nome e sem ajuda. Este guia reúne os critérios, as fontes da avaliação, como documentar e como comunicar o resultado. Contexto em avaliação psicológica na clínica.
Critérios do DSM-5-TR
| Critério | Exigência |
|---|---|
| A1 — Desatenção | 6+ de 9 sintomas (5+ a partir dos 17 anos), por 6 meses, inconsistentes com o nível de desenvolvimento |
| A2 — Hiperatividade-impulsividade | 6+ de 9 sintomas (5+ a partir dos 17 anos), por 6 meses |
| B — Início | Vários sintomas presentes antes dos 12 anos |
| C — Contextos | Vários sintomas em dois ou mais ambientes |
| D — Prejuízo | Interferência clara no funcionamento social, acadêmico ou profissional |
| E — Exclusão | Não ocorre exclusivamente durante esquizofrenia ou outro transtorno psicótico e não é mais bem explicado por outro transtorno mental |
Apresentações e gravidade
- Combinada: A1 e A2 preenchidos.
- Predominantemente desatenta: só A1.
- Predominantemente hiperativa-impulsiva: só A2.
- Gravidade: leve, moderada ou grave.
- Em remissão parcial, quando aplicável.
CID-11
| Código | Descrição |
|---|---|
| 6A05.0 | Apresentação predominantemente desatenta |
| 6A05.1 | Apresentação predominantemente hiperativa-impulsiva |
| 6A05.2 | Apresentação combinada |
| 6A05.Y / 6A05.Z | Outra apresentação especificada / não especificada |
Detalhes em TDAH na CID-11.
Fontes de avaliação
Os critérios pedem sintomas em mais de um contexto e presentes antes dos 12 anos. Isso só se verifica com várias fontes.
| Fonte | O que traz | Tipo de fonte (Resolução CFP nº 31/2022) |
|---|---|---|
| Anamnese com a pessoa e, na infância, com os responsáveis | História do desenvolvimento, início e curso dos sintomas | Fundamental |
| Entrevistas com informantes (professores, parceiros) | Sintomas e prejuízo em outros contextos | Fundamental, como entrevista |
| Observação em sessão e, quando possível, em outros ambientes | Comportamento em situação | Fundamental |
| Testes com parecer favorável no SATEPSI (atenção, funções executivas, inteligência) | Medidas padronizadas | Fundamental |
| Escalas de rastreio, como o SNAP-IV | Frequência de sintomas relatada | Confira no SATEPSI se consta como teste ou como instrumento não privativo |
| Documentos: boletins, relatórios escolares, avaliações anteriores | Evidência de início e de prejuízo | Complementar |
A Cartilha de Avaliação Psicológica do CFP (2022) considera falta ética concluir sobre o estado psicológico com base apenas em instrumentos não privativos. Escalas de rastreio ajudam; não fecham diagnóstico. Veja anamnese para TDAH.
Como registrar a avaliação
Cada encontro é registrado com data, procedimento e o que foi observado ou relatado (Resolução CFP nº 31/2022, art. 6º, parágrafo único). Hipóteses ainda não compartilhadas ficam no registro documental, e não no prontuário, como orienta o Manual Orientativo do CFP (2025). Os protocolos dos testes ficam em pasta de acesso exclusivo (Resolução CFP nº 01/2009, art. 2º, VI).
Data: 15/10/2025 — Encontro 4 da avaliação — entrevista com a professora, por videochamada, 40 minutos, com autorização escrita dos responsáveis.
Criança: Davi Lucas (nome fictício), 9 anos, 4º ano.
Informante: professora regente do 4º ano, que acompanha a criança desde fevereiro, cinco dias por semana.
Objetivo do encontro: verificar se as dificuldades descritas pela família aparecem também na escola, requisito para a hipótese de TDAH, e conhecer o que já foi tentado em sala.
Relato da professora:
- dificuldade para concluir atividades longas: entrega cerca de metade das atividades escritas completas;
- levanta-se com frequência, em média quatro a cinco vezes por aula, segundo ela;
- perde materiais quase todas as semanas;
- bom desempenho oral, com participação nas discussões;
- conflitos pontuais com colegas no recreio, sempre em jogos de disputa;
- sentar perto da mesa dela e receber as instruções uma de cada vez ajudaram; castigos no recreio, não.
Comparação com o relato familiar: as dificuldades de conclusão de tarefas e a perda de materiais são descritas também em casa, desde o 1º ano. A agitação é descrita pelos responsáveis como menor que na escola, o que é esperado, já que a sala de aula exige mais tempo sentado. A professora não observa tristeza persistente nem medo excessivo; os conflitos no recreio aparecem em disputas, e não em situações de exclusão.
Leitura: a convergência entre casa e escola, com início no começo da escolarização, reforça a hipótese de dificuldade atencional, mas não a confirma. Ainda falta examinar o sono (a mãe relatou roncos), a leitura, pelo relatório pedagógico, e o desempenho nos instrumentos. O que funcionou em sala (proximidade e instruções curtas) será útil nas recomendações.
Próximo passo: aplicação de instrumentos de atenção e de funções executivas no encontro 5; orientação aos pais sobre a avaliação pediátrica do sono.
Diagnóstico diferencial
Ansiedade, depressão, TEA, dificuldades de aprendizagem, deficiência intelectual, privação de sono, uso de substâncias, condições médicas e contextos adversos. Veja TDAH x ansiedade x TEA.
Por faixa etária
Comunicar o resultado
O resultado da avaliação é comunicado em laudo psicológico, com os seis itens da Resolução CFP nº 06/2019, entregue em devolutiva. A conclusão pode trazer diagnóstico ou hipótese diagnóstica, sempre decorrente da análise, e muitas vezes inclui a sugestão de avaliação médica, já que o tratamento pode envolver medicação. Se o laudo for a processo judicial ou trabalhista e trouxer o código da CID, peça autorização por escrito para divulgá-lo. Veja laudo psicológico de TDAH.
| Conclusão fraca | Conclusão defensável |
|---|---|
| “A criança tem TDAH.” | “Os dados convergentes de família, escola, observação e instrumentos indicam sintomas de desatenção persistentes, presentes em mais de um contexto, com prejuízo acadêmico, compatíveis com TDAH, apresentação predominantemente desatenta.” |
| “Não tem TDAH.” | “Os dados não sustentam o diagnóstico de TDAH neste momento; as dificuldades relatadas parecem relacionadas a …; sugere-se …” |
Avaliação de TDAH no DocsPSI: muitas fontes, um só dossiê
A avaliação de TDAH depende de comparar contextos: o que os pais descrevem, o que a professora observa, o que aparece nos instrumentos e na sessão. O critério da presença em mais de um contexto só se verifica se esses relatos estiverem registrados de forma comparável, com a fonte de cada informação. Quando as entrevistas ficam em anotações soltas, é justamente a comparação que se perde.
No DocsPSI, cada entrevista, com os pais, com a professora ou com a criança, gravada com consentimento ou importada depois em áudio, vira em menos de 5 minutos um prontuário inteligente em 7 seções, que separa o relatado e o observado das hipóteses. A Linha do Tempo Terapêutica reúne os encontros da avaliação, e a supervisão por IA, disponível 24 horas, ajuda a examinar o diagnóstico diferencial (sono, ansiedade, dificuldades de aprendizagem) antes da conclusão. Na hora do laudo, a IA do DocsPSI consulta o dossiê clínico e o redige nos seis itens da Resolução CFP nº 06/2019, na abordagem e na especialidade que você informou nas configurações. O laudo sai com QR Code de autenticidade.
A interpretação e o diagnóstico são seus: a plataforma não faz diagnóstico. Você revisa, ajusta e assina. Para começar, há o primeiro mês promocional do Plano Starter, com acesso a todas as funcionalidades e sem fidelidade.
Perguntas frequentes
Quantos sintomas são necessários para TDAH?
Seis ou mais de desatenção e/ou de hiperatividade-impulsividade; a partir dos 17 anos, cinco ou mais, por pelo menos seis meses.
Qual a idade de início exigida?
Vários sintomas devem estar presentes antes dos 12 anos, segundo o DSM-5-TR.
Escala de rastreio basta para diagnosticar TDAH?
Não. Escalas ajudam a levantar e acompanhar sintomas, mas a conclusão precisa se apoiar em fontes fundamentais, como entrevistas, observação e testes com parecer favorável no SATEPSI.
Qual o CID-11 do TDAH?
6A05, com subcódigos por apresentação: 6A05.0 (desatenta), 6A05.1 (hiperativa-impulsiva) e 6A05.2 (combinada).
A IA pode diagnosticar TDAH?
Não. O diagnóstico resulta da avaliação conduzida pela psicóloga, e interpretações, hipóteses e conclusões são dela (Manual Orientativo do CFP, 2025). A IA pode organizar os registros e redigir o laudo a partir do que você avaliou; no DocsPSI, você revisa integralmente e assina.
Referências: American Psychiatric Association. DSM-5-TR (2022) · Organização Mundial da Saúde. CID-11 · Conselho Federal de Psicologia. Resolução CFP nº 31/2022 · Cartilha de Avaliação Psicológica (2022) · Resolução CFP nº 06/2019 · Resolução CFP nº 01/2009 · Manual Orientativo de Registro e Elaboração de Documentos Psicológicos (2025).
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