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Laudo psicológico para INSS e perícia: como redigir

Laudo psicológico para INSS e perícia: qual documento emitir, o que a perícia precisa, como descrever limitações, uso da CID e o que evitar.

Revisão de informações funcionais em documento psicológico destinado a avaliação pericial.
Sumário9 seções

Pacientes afastados ou tentando se afastar pedem "um laudo para o INSS" com frequência. O documento pode ajudar a perícia a compreender o caso, desde que seja tecnicamente adequado e honesto. Estrutura geral no guia do laudo psicológico.

Qual documento emitir

SituaçãoDocumento
Houve processo de avaliação psicológicaLaudo psicológico (6 itens)
Paciente em psicoterapia, sem avaliação formalRelatório psicológico (5 itens)
Só comprovar acompanhamentoDeclaração
Justificar afastamento por período definidoAtestado psicológico, com base em avaliação. Veja atestado para afastamento

Veja relatório psicológico e documentos psicológicos.

A Resolução CFP nº 06/2019 comentada lembra um ponto de fluxo: quando a psicóloga percebe a necessidade de afastamento do trabalho por mais de quinze dias, a orientação, pela legislação brasileira, é encaminhar a pessoa ao INSS. Nos primeiros quinze dias, o afastamento de quem tem carteira assinada é pago pelo empregador; a partir daí, o benefício depende da perícia.

O que a perícia costuma precisar

  • Início dos sintomas e evolução.
  • Tratamentos realizados e em curso (psicoterapia, acompanhamento médico).
  • Funcionamento atual: concentração, memória, tolerância a estresse, interação social, rotina.
  • Limitações relacionadas às exigências do trabalho da pessoa.
  • Prognóstico e recomendações.

Como descrever limitações funcionais

Troque adjetivos por descrições concretas:

EvitePrefira
"Paciente muito ansioso""Relata crises de ansiedade de 3 a 4 vezes por semana, com duração de 20 a 40 minutos, que o obrigam a interromper as atividades"
"Não tem condições de trabalhar""Apresenta dificuldade para manter a atenção em tarefas por mais de 15 minutos, observada nas sessões e relatada no trabalho"
"Depressão grave""Sintomas depressivos persistentes desde março de 2026, com inventário de sintomas depressivos (parecer favorável no SATEPSI) em faixa grave em 10/09/2026, redução da rotina de autocuidado e isolamento"

CID no documento para a perícia

A Resolução CFP nº 06/2019 comentada observa que, em processos legais e na justiça do trabalho, o número da CID costuma ser imprescindível, e que nesses casos é necessária a autorização por escrito da pessoa atendida para divulgar o código. Se o documento trouxer CID, colha essa autorização e guarde-a no registro documental. Veja psicólogo pode colocar CID?.

Escalas no documento

Se o documento citar resultados de escalas, lembre que escalas são testes psicológicos pela Resolução CFP nº 31/2022 e precisam de parecer favorável no SATEPSI na data da aplicação. Informe o instrumento e a data, sem reproduzir itens.

Exemplo de relatório completo para a perícia (fictício)

O caso mais comum é o de quem está em psicoterapia, sem processo formal de avaliação. Por isso o exemplo é um relatório, com foco no funcionamento e nas limitações diante das exigências da função. Não traz CID: o relatório não tem finalidade diagnóstica, e o diagnóstico costuma vir nos documentos médicos.

ModeloRelatório psicológico para a perícia do INSS (exemplo fictício)

Título: Relatório Psicológico
Número do documento: RP - 09/2026-3LW8N (numeração gerada pelo sistema)

1. Identificação

Pessoa atendida: Rosângela Farias (nome fictício), 51 anos, cozinheira em restaurante industrial há 14 anos, ensino fundamental completo, divorciada, mora com a filha de 22 anos.
Solicitante: a própria paciente.
Finalidade: informar o acompanhamento psicológico e o funcionamento atual, para apresentação à perícia médica do INSS, junto com os documentos médicos.
Autora: Nome Sobrenome, psicóloga, CRP 00/00000.

2. Descrição da demanda

Rosângela procurou atendimento em março de 2026, por indicação da médica de família, depois de meses de tristeza persistente, choro frequente e dificuldade para sair de casa. Ela liga o início do quadro ao fim de 2025, quando assumiu sozinha os cuidados da mãe, que teve um AVC, sem reduzir a jornada de trabalho. Passou a dormir na casa da mãe três noites por semana e a sair de lá direto para o restaurante, às 5h. Na primeira entrevista, disse: "eu chego na cozinha e parece que o barulho entra na minha cabeça".

Antes disso, não tinha história de tratamento psicológico ou psiquiátrico. Descreve-se como "a que nunca faltava": em 14 anos, teve dois afastamentos, ambos por cirurgias. Está afastada do trabalho por atestado médico desde julho de 2026, depois de cortar a mão com uma faca durante o preparo do almoço, num dia em que "não conseguia prestar atenção em nada". Está em acompanhamento psiquiátrico desde abril.

Pediu este relatório para apresentar à perícia. As informações vêm da paciente, da observação nos atendimentos e de dois contatos com a psiquiatra assistente, feitos com a autorização escrita da paciente.

3. Procedimento

Foram realizados 26 atendimentos semanais presenciais de 50 minutos, entre 10/03 e 15/09/2026, em psicoterapia de abordagem cognitivo-comportamental. Os recursos usados foram:

  • entrevistas clínicas, para acompanhar a evolução do humor, do sono e da rotina, e para avaliar periodicamente o risco;
  • registro semanal de atividades, preenchido pela paciente, para observar a retomada gradual das tarefas do dia a dia;
  • observação do comportamento nos atendimentos: atenção, ritmo da fala e da ação, iniciativa;
  • dois contatos com a psiquiatra assistente, em maio e agosto de 2026, para alinhar o cuidado.

4. Análise

No início do acompanhamento. Rosângela relatava dormir cerca de quatro horas por noite, esquecer panelas no fogo em casa e sentir que "não dava mais conta" do ritmo da cozinha, com crises de choro durante o expediente. Nos atendimentos, apresentava fala lenta, pouca iniciativa e dificuldade de concentração, precisando retomar várias vezes o fio da conversa. Faltou a duas sessões seguidas em abril por "não conseguir sair da cama", o que foi retomado no atendimento seguinte, sem cobrança. Referia culpa por "não ser mais a mesma" e medo de ser demitida.

Compreensão do quadro. O quadro se desenvolveu num contexto de sobrecarga: jornada de dez horas em ambiente quente e ruidoso, somada aos cuidados noturnos com a mãe. O modelo demanda-controle (Karasek, 1979) descreve essa combinação, exigências altas com pouco controle sobre o próprio ritmo, como fonte de desgaste psicológico, o que ajuda a entender por que a cozinha se tornou, para ela, o lugar mais difícil. O acidente com a faca, em julho, é coerente com a dificuldade de atenção descrita nos atendimentos e mostra que as limitações têm consequência concreta sobre a segurança na função.

Evolução com o tratamento. Com o acompanhamento psicológico e o tratamento psiquiátrico, houve melhora parcial. Rosângela voltou a dormir cerca de seis horas, retomou tarefas domésticas simples e caminhadas curtas, e o irmão passou a dividir os cuidados da mãe nos fins de semana, o que reduziu a sobrecarga. O registro de atividades mostra que, desde agosto, ela faz sozinha as tarefas da manhã em quatro de cada sete dias. A psiquiatra informou, no contato de agosto, ajuste da medicação e avaliou a resposta como parcial.

Limitações que persistem. Elas se repetem nos atendimentos e no relato:

  • dificuldade de manter a atenção por mais de 20 minutos, observada quando precisa relatar a semana em ordem;
  • lentidão para executar sequências de tarefas: uma refeição simples em casa leva cerca do dobro do tempo de antes;
  • crises de choro diante de pressão de tempo, como numa fila de banco com senha, relatada em agosto;
  • evitação de ambientes ruidosos, que ela associa à cozinha do restaurante.

Relação com as exigências da função. A função exige ritmo intenso, controle simultâneo de várias preparações, uso de facas e fogões industriais e metas rígidas de horário para servir cerca de 400 refeições por turno. Diante dessas exigências, as limitações descritas ainda interferem de forma importante na segurança e no desempenho. A recomendação de retorno gradual decorre dessas limitações: retomar de uma vez uma função com esse nível de exigência, antes da recuperação da atenção e do ritmo, exporia a paciente a novos acidentes e a uma piora do quadro.

Risco e proteção. Pensamentos de morte foram avaliados regularmente. Nas primeiras semanas, relatou pensamentos passivos ("às vezes queria sumir"), sem intenção ou plano, que não se repetem desde maio. A adesão ao tratamento é boa, com frequência regular desde maio. São fatores de proteção o vínculo com a filha, a divisão dos cuidados da mãe e o desejo, expresso pela paciente, de voltar a trabalhar "quando der conta sem colocar ninguém em risco".

5. Conclusão

Rosângela está em acompanhamento psicológico regular, com boa adesão e melhora parcial do quadro, e mantém limitações de atenção, de ritmo e de tolerância à pressão de tempo que, no momento, interferem nas exigências da sua função, que envolve riscos concretos, como mostra o acidente de julho.

No âmbito clínico: continuidade do acompanhamento psicológico semanal e do tratamento psiquiátrico.
No trabalho: quando houver retorno, que seja gradual, com adaptação temporária do ritmo e, se possível, início em tarefas de menor pressão de tempo e sem manuseio de facas e fogões industriais nas primeiras semanas.
Na rede de apoio: manutenção da divisão dos cuidados da mãe entre os familiares.

A decisão sobre a capacidade para o trabalho e sobre o benefício cabe à perícia. Um novo relatório poderá ser emitido em três meses, se for útil ao acompanhamento.

Este relatório tem validade de 3 (três) meses a partir da data de emissão, considerando a evolução em curso.

Reafirma-se aqui que as informações deste documento extrajudicial são confidenciais e se restringem exclusivamente à finalidade de informar o acompanhamento psicológico à perícia médica do INSS, não podendo ser utilizadas fora desse contexto ou para outro objetivo.

Salvador/BA, 20 de setembro de 2026.
Nome Sobrenome — Psicóloga — CRP 00/00000
Assinatura digital

Referências

KARASEK, R. A. Job demands, job decision latitude, and mental strain: implications for job redesign. Administrative Science Quarterly, v. 24, n. 2, p. 285-308, 1979.
CONSELHO FEDERAL DE PSICOLOGIA. Resolução CFP nº 06/2019. Brasília: CFP, 2019.

Orientações ao paciente

  • O documento psicológico não garante o benefício.
  • Leve também documentos médicos e exames.
  • Guarde cópias e a data de emissão (a validade consta no documento).

Cuidados éticos

  • Não emita documento sem fundamentação (Código de Ética, art. 2º, "g").
  • Não faça declarações falsas nem "reforce" sintomas (art. 2º, "h").
  • Se você é a psicoterapeuta, considere que o laudo pericial é outro papel (art. 2º, "k").
  • Veja também relatório para BPC/LOAS.
  • Entregue com devolutiva e protocolo assinado (Resolução CFP nº 06/2019, arts. 16 e 18).

Relatório para o INSS no DocsPSI: limitações descritas com dados, não com adjetivos

A perícia não se convence com "paciente muito ansiosa". Precisa de frequência, duração, desde quando e o que mudou com o tratamento. Esses dados existem, espalhados em seis meses de sessões, mas quase nunca foram anotados com a precisão que o documento exige. O resultado é um relatório vago, escrito de memória, que não ajuda a perícia nem protege você.

No DocsPSI, cada sessão gravada com consentimento, ou importada depois em áudio, vira em menos de 5 minutos um prontuário inteligente em 7 seções. O estado atual traz apresentação, humor e nível de sofrimento de 0 a 10, com justificativa; o conteúdo separa o que a paciente relatou do que foi observado. Ao longo de 26 sessões, isso forma um histórico que a Linha do Tempo Terapêutica mostra de ponta a ponta: quando o sono melhorou, que limitações persistem, como a adesão evoluiu.

Quando a paciente pede o documento, a IA do DocsPSI consulta o dossiê clínico e redige o relatório nos cinco itens da Resolução CFP nº 06/2019, com as limitações descritas em termos de funcionamento e ligadas às exigências da função. Você decide o que entra, frase a frase, porque o sigilo manda levar à perícia só o necessário.

  • Na sua abordagem: a IA considera a abordagem teórica e a especialidade informadas nas configurações.
  • Caso discutido a fundo: na dúvida sobre o que incluir, a supervisão por IA, disponível 24 horas, ajuda a pensar o documento com o caso inteiro à vista, como apoio que não substitui a supervisão humana.
  • Autenticidade: o documento sai com QR Code, e qualquer pessoa confere que foi emitido por você.
  • Sigilo: criptografia AES-256, isolamento por profissional e conteúdo clínico fora do treinamento de IA.

A análise e a conclusão são suas: a IA redige e sistematiza a partir do que você registrou (Manual Orientativo do CFP, 2025), e o relatório só vale depois que você revisa, ajusta e assina, conferindo que o texto descreve funcionamento, sem concluir sobre o benefício. Para começar, há o primeiro mês promocional do Plano Starter, com acesso a todas as funcionalidades e sem fidelidade.

Perguntas frequentes

O INSS aceita laudo psicológico?

O documento psicológico pode compor a documentação apresentada, mas a decisão é da perícia do INSS, que considera o conjunto de documentos e o exame pericial.

O que escrever no laudo psicológico para o INSS?

Início e evolução dos sintomas, tratamentos, funcionamento atual e limitações relacionadas ao trabalho, com descrições concretas e fontes.

A psicóloga pode dizer que o paciente precisa ser afastado?

É mais adequado descrever limitações e recomendações; a conclusão sobre incapacidade e benefício cabe à perícia.

Posso colocar CID no documento para a perícia?

Pode, quando justificadamente necessário. A Resolução CFP nº 06/2019 comentada observa que, em processos legais e trabalhistas, a CID costuma ser imprescindível e que, nesses casos, é preciso autorização por escrito da pessoa atendida para divulgar o código. Guarde a autorização no registro documental.

A IA pode escrever o relatório para o INSS?

Pode redigir e sistematizar a partir dos registros do acompanhamento, mas a análise, o que entra no documento e a assinatura são da psicóloga (Manual Orientativo do CFP, 2025). No DocsPSI, a IA escreve a partir do dossiê clínico, e você revisa integralmente para que o texto descreva o funcionamento, sem concluir sobre o benefício.

Equipe Editorial DocsPSI

Guias escritos a partir das resoluções do Conselho Federal de Psicologia, do Manual Orientativo de Registro e Elaboração de Documentos Psicológicos (CFP, 2025) e da rotina de milhares de consultórios que usam o DocsPSI.

Revisão técnica: Ana Vanessa de Medeiros Neves — Psicóloga Clínica e da Saúde, CRP 03/3592.

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