Sumário12 seções
É o documento mais pedido na clínica: a escola quer saber como a criança está, o psiquiatra quer entender a evolução, o plano de saúde pede justificativa para ampliar sessões, o próprio paciente precisa de algo por escrito. Saber escrevê-lo bem economiza horas e evita o erro mais comum: transformar um relatório de psicoterapia em um "laudo" sem que tenha havido avaliação psicológica. Mapa geral em documentos psicológicos.
O que é, e o que não é, um relatório psicológico
O relatório comunica o trabalho que você fez: um processo de psicoterapia, um acompanhamento, um acolhimento, uma visita domiciliar, um atendimento pontual. A resolução é clara em três pontos que definem o documento:
- Não é transcrição das sessões. O relatório não corresponde à descrição literal dos atendimentos, salvo quando isso se justificar tecnicamente (art. 11, III).
- É baseado no registro documental. Ele parte do prontuário ou registro documental da Resolução CFP nº 01/2009, mas não é uma "cópia organizada" dele: a finalidade do pedido é que direciona o que entra.
- Não tem finalidade diagnóstica. Se o destinatário precisa de um diagnóstico, de uma resposta sobre capacidade, aptidão ou funcionamento psicológico, o caminho é uma avaliação psicológica e o documento adequado é o laudo psicológico.
Os comentários do CFP à resolução citam usos típicos: encaminhamentos, relatos de estudo de caso, relatórios de visita domiciliar e relatórios para pedir ampliação do número de sessões em planos de saúde.
Relatório x laudo x declaração
| Declaração | Relatório psicológico | Laudo psicológico | |
|---|---|---|---|
| Origem | Informações objetivas do serviço | Processo de trabalho (psicoterapia, acompanhamento, acolhimento) | Processo de avaliação psicológica |
| Conteúdo clínico | Proibido (sem sintomas ou estados psicológicos) | Descrição e análise do trabalho realizado | Resultado da avaliação, com diagnóstico ou hipótese quando cabível |
| Diagnóstico | Não | Não é sua finalidade | Pode conter |
| Itens | Estrutura simples | 5 itens | 6 itens (inclui referências) |
| Validade | Não se aplica | Obrigatória no último parágrafo | Obrigatória no último parágrafo |
| Devolutiva | Recomendada se solicitada | Obrigatória | Obrigatória |
Se a pessoa só precisa comprovar que faz terapia, uma declaração de acompanhamento resolve, sem expor nada do conteúdo clínico.
Os 5 itens, um a um
1. Identificação
Deve conter o título "Relatório Psicológico", o nome completo ou social da pessoa ou instituição atendida (e outros dados sociodemográficos quando necessários), o nome do solicitante (especificando se é a própria pessoa, uma escola, empresa, instituição pública ou privada, o Poder Judiciário ou outro interessado), a finalidade do documento e o nome da autora com o número do CRP.
A finalidade é o item que mais protege você: ela delimita para que o documento serve e sustenta a observação, facultativa, de que ele não pode ser usado para outro fim.
2. Descrição da demanda
Descreva o que motivou a busca pelo atendimento, quem forneceu as informações e o que levou à solicitação do documento. A resolução trata este item como indispensável, porque é ele que justifica o raciocínio técnico e os procedimentos que vêm a seguir.
Exemplo de frase: "A paciente procurou atendimento psicológico em março de 2026 relatando crises de ansiedade no ambiente de trabalho. As informações foram fornecidas pela própria paciente. O presente relatório foi solicitado por ela para apresentação à médica psiquiatra que a acompanha."
3. Procedimento
Apresente o raciocínio técnico-científico que justifica o trabalho, os recursos técnicos usados e o referencial teórico-metodológico que fundamenta suas análises. Informe também as pessoas ouvidas, o número de encontros e o tempo de duração do processo. Os procedimentos devem ser pertinentes à complexidade da demanda.
Exemplo de frase: "Foram realizadas 24 sessões individuais semanais, entre março e setembro de 2026, com base na terapia cognitivo-comportamental. A evolução foi acompanhada por indicadores combinados com a paciente e por inventário de ansiedade com parecer favorável no SATEPSI, aplicado em três momentos."
4. Análise
É o coração do documento. De forma descritiva, narrativa e analítica, apresente as principais características e a evolução do trabalho, com fundamentação teórica e técnica. Três regras da resolução merecem atenção:
- relate somente o necessário para responder à demanda (Código de Ética, art. 1º, "g", e Resolução CFP nº 06/2019, art. 11, § 5º, II);
- nenhuma afirmação sem fonte de informação ou sem sustentação em fatos ou teorias;
- linguagem objetiva e precisa, especialmente ao falar de aspectos subjetivos.
Juízos de valor e opiniões pessoais sem respaldo na ciência psicológica não cabem, mesmo quando a análise é crítica.
5. Conclusão
Descreva as conclusões a partir do que foi exposto na análise, considerando a natureza dinâmica do objeto de estudo. A conclusão pode trazer encaminhamentos, orientações e sugestão de continuidade. Os comentários do CFP recomendam retomar a finalidade do documento, registrar a entrevista devolutiva e indicar possibilidades de encaminhamento.
O documento termina com local, data de emissão, nome completo ou social da psicóloga com o CRP, laudas numeradas e rubricadas (da primeira à penúltima) e assinatura na última página. É facultado incluir que o relatório não pode ser usado para outro fim, tem caráter sigiloso, é extrajudicial e que você não se responsabiliza pelo uso dado a ele após a entrega.
Checklist: do pedido à entrega
- Confirme quem pede e para quê. Registre o pedido e a finalidade no prontuário.
- Verifique se o documento certo é o relatório. Pedido de diagnóstico ou aptidão pede avaliação e laudo; comprovação de frequência pede declaração.
- Cheque o consentimento. Se o destinatário é um terceiro (escola, empresa, médico), a pessoa atendida (ou o responsável legal) precisa concordar com o envio e com o conteúdo.
- Releia o registro documental do período e separe só o que responde à demanda.
- Escreva os 5 itens, em tópicos ou texto corrido.
- Revise a linguagem para o destinatário: evite jargão com a escola; seja técnica e objetiva com outro profissional de saúde.
- Corte o que não é necessário: detalhes íntimos, relatos literais, informações de terceiros.
- Indique a validade no último parágrafo (art. 17).
- Numere e rubrique as laudas, assine a última (ou use assinatura digital quando o envio for eletrônico).
- Agende a entrevista devolutiva e explique o conteúdo antes de entregar (art. 18).
- Colete o protocolo de entrega assinado (art. 16, § 1º) e guarde uma cópia com o registro documental por no mínimo 5 anos.
Exemplo completo (caso fictício)
1. Identificação
Título: Relatório Psicológico
Pessoa atendida: Célia Monteiro Vasques (nome fictício), 61 anos, viúva, professora de Língua Portuguesa aposentada, mora sozinha.
Solicitante: a própria paciente.
Finalidade: informar à médica psiquiatra assistente a evolução do acompanhamento psicológico, para o cuidado conjunto.
Número do documento: RP - 09/2026-6LD4P (numeração gerada pelo sistema)
Autora: Nome Sobrenome, psicóloga, CRP 00/00000.
2. Descrição da demanda
Célia procurou atendimento em março de 2026, oito meses depois da morte do marido, com quem foi casada por 37 anos. Ele recebeu o diagnóstico de um câncer de evolução rápida em março de 2025 e morreu em julho do mesmo ano, depois de dez dias de internação. Durante os quatro meses de doença, Célia foi a cuidadora principal: organizava remédios, consultas e noites em claro, com a ajuda da filha nos fins de semana. O filho mora fora do país e veio ao Brasil apenas para o velório.
A procura partiu da filha, que percebeu que a mãe tinha deixado de sair de casa, mantinha o quarto do casal intocado e dizia que "a vida tinha perdido o sentido". Célia contou ter vindo "para não preocupar a filha", mas, já no primeiro encontro, reconheceu que não conseguia imaginar o futuro sem o marido. Os dois tinham planejado viajar depois da aposentadoria dela, em 2020, e adiaram os planos por causa da pandemia e, depois, da doença. Relatou também que evitava tudo o que lembrasse os últimos meses: não passava na rua do hospital e desligava a televisão quando aparecia uma cena de UTI.
Em maio de 2026, Célia iniciou acompanhamento com a psiquiatra, que prescreveu medicação para o sono. O relatório foi solicitado pela própria paciente, para compartilhar a evolução com a médica antes da consulta de reavaliação da medicação. As informações foram fornecidas pela paciente. A filha participou de parte de uma sessão, a convite de Célia, e suas observações foram consideradas com a autorização da mãe.
3. Procedimento
Foram realizadas 24 sessões individuais semanais de 50 minutos, presenciais, entre 12/03 e 17/09/2026, em abordagem cognitivo-comportamental adaptada ao luto. O trabalho teve três fases, planejadas com a paciente:
- Acolhimento e compreensão da perda (sessões 1 a 6): entrevistas sobre a história do casal, a doença e o período de cuidado, para entender o contexto da perda e o lugar do marido na vida de Célia; psicoeducação sobre o processo de luto, para que ela entendesse as próprias reações como parte de um processo, e não como fraqueza; avaliação regular de risco.
- Elaboração da culpa e da narrativa da doença (sessões 7 a 14): reconstrução, em sessão, da sequência de decisões tomadas no hospital, para examinar a culpa à luz do que se sabia em cada momento; escrita de uma carta não enviada ao marido, lida na sessão 11, para dizer o que ficou sem ser dito.
- Retomada da vida (sessões 15 a 24): planejamento gradual de atividades e contatos sociais, com metas combinadas a cada semana; aproximação planejada dos lugares e objetos evitados; construção de projetos para o próximo ano.
Ao longo de todo o processo, foram acompanhados dois indicadores, registrados em sessão: dias por semana em que saiu de casa e horas de sono por noite. Houve um contato telefônico com a psiquiatra, em junho, com a autorização escrita da paciente.
4. Análise
Como Célia chegou. Nas primeiras sessões, chegava arrumada e pontual, com a aliança do marido presa num cordão, mas com expressão abatida, fala lenta e choro frequente ao mencioná-lo. Descrevia saudade intensa e diária, dificuldade de aceitar a morte ("ainda espero ouvir o carro dele chegando") e evitação dos lugares e objetos ligados aos últimos meses. Saía de casa em média uma vez por semana, apenas para compromissos médicos, e dormia cerca de cinco horas por noite. Não relatava pensamentos de se machucar, mas dizia não ver sentido em "fazer planos". A filha, na sessão em que participou, contou que a mãe deixou de atender o telefone à noite e que parou de cozinhar "porque não tem para quem".
O tema central: a culpa. Um tema se repetia desde a segunda sessão: a culpa por ter concordado com a última internação, que, na leitura de Célia, "tirou dele os últimos dias em casa". Essa culpa organizava boa parte do sofrimento e sustentava a evitação: não passar pela rua do hospital era também não lembrar da decisão. A literatura descreve como pensamentos de autorresponsabilização e a evitação das lembranças da perda contribuem para que o luto se mantenha intenso por mais tempo (Boelen; Van den Hout; Van den Bout, 2006). Na reconstrução das decisões, Célia pôde separar o que sabia no momento, quando a equipe descreveu a internação como necessária para controlar a dor, do que só soube depois. A carta ao marido, na sessão 11, foi o ponto de virada: ao lê-la, disse que "fez o que ele teria feito por ela". A partir daí, a culpa perdeu força e deu lugar à saudade.
Leitura do processo. O trabalho partiu da compreensão de que o luto envolve oscilar entre a dor da perda e a retomada da vida, e que os dois movimentos são necessários (Stroebe; Schut, 1999). No início, Célia estava presa quase só ao primeiro: a vida parou no quarto intocado. Bowlby (1985) descreve a busca pela pessoa perdida e a desorganização como reações esperadas do luto, e não como sinais de adoecimento, o que ajudou Célia a nomear o que vivia sem se sentir "fraca". A retomada exigiu reconstruir uma identidade que, por 37 anos, se definiu também pelo casamento, e, nos últimos meses, pelo papel de cuidadora. Ao perder os dois de uma vez, perdeu também a rotina que organizava os dias.
Hipóteses consideradas. Este relatório não tem finalidade diagnóstica, mas duas hipóteses orientaram o acompanhamento e são relevantes para o cuidado conjunto.
- Episódio depressivo sobreposto ao luto: os dados não o sustentaram. A tristeza estava centrada na perda e vinha em ondas ligadas às lembranças, a autoestima se manteve preservada, e Célia conservou o interesse pelos netos e o humor em alguns momentos das sessões, diferenças que a literatura aponta entre luto e depressão.
- Luto prolongado (Shear, 2015): a intensidade da saudade, a dificuldade de aceitar a morte e o prejuízo na rotina, mais de seis meses após a perda, justificavam atenção. A evolução favorável a partir da elaboração da culpa sugere um luto intenso que encontrou caminho para ser elaborado. A hipótese seguiu sendo observada e não se confirmou ao longo do acompanhamento.
Evolução. Foi gradual e medida pelos indicadores combinados. Em maio, Célia saía de casa dois dias por semana; em julho, três; hoje, em média quatro. O sono passou de cerca de cinco para sete horas por noite, com a contribuição da medicação prescrita em maio. Voltou ao grupo de canto da igreja em junho e passou a almoçar com a irmã aos domingos. Em agosto, organizou com a filha as roupas do marido, escolhendo peças para guardar como lembrança, tarefa que antes considerava impossível. Passou de carro pela rua do hospital em setembro, acompanhada da irmã, e contou que chorou, "mas depois ficou em paz". Hoje fala do marido com saudade, sem o desespero do início, e voltou a mencionar planos, como uma viagem com a irmã no ano que vem, retomando à sua maneira um projeto que era do casal.
Risco e proteção. Pensamentos de morte e de autolesão foram avaliados em todas as sessões do primeiro mês e, depois, mensalmente. Em nenhum momento houve ideação ativa; nas primeiras semanas, Célia relatou pensamentos passivos, como "tanto faz acordar amanhã", que desapareceram a partir de maio. São fatores de proteção a rede familiar presente, em especial a filha e a irmã, a vinculação à comunidade da igreja, a fé, que ela descreve como consolo, e a capacidade de reflexão, favorecida pelos anos de magistério.
O que persiste. Momentos de maior tristeza em datas significativas, como o aniversário do marido, em agosto, que foi vivido com choro e recolhimento por dois dias, mas sem interrupção da rotina. A relação com o filho que mora fora, com quem Célia sente que "não pôde dividir a dor", é um tema ainda pouco trabalhado.
5. Conclusão
O acompanhamento psicológico mostra evolução favorável, com elaboração da culpa ligada às decisões do fim da doença, retomada de atividades e vínculos, reorganização da rotina e construção de novos projetos. Persiste maior sofrimento em datas significativas, esperado neste momento do luto.
Para o cuidado conjunto:
- continuidade da psicoterapia semanal por mais três meses, com espaçamento posterior conforme a evolução, para consolidar os ganhos e trabalhar a relação com o filho;
- atenção especial ao primeiro aniversário de casamento sem o marido, em novembro, e ao primeiro Natal, períodos em que pode haver piora transitória do sono e do humor; a data será planejada com a paciente;
- troca de informações entre psicóloga e psiquiatra sempre que necessário e autorizado pela paciente, em especial para acompanhar a necessidade da medicação para o sono, já que o padrão de sono melhorou.
Para a paciente e a família: manter as atividades retomadas e o convívio semanal com a irmã e os netos, que se mostraram os principais apoios da retomada.
O conteúdo deste relatório foi apresentado a Célia em entrevista devolutiva em 22/09/2026, e ela concordou com o que foi incluído. Este relatório tem validade de 6 (seis) meses a partir da data de emissão, considerando a natureza dinâmica do processo terapêutico.
Reafirma-se aqui que as informações deste documento extrajudicial são confidenciais e se restringem exclusivamente à finalidade de informar à médica assistente a evolução do acompanhamento, não podendo ser utilizadas fora desse contexto ou para outro objetivo.
Brasília/DF, 22 de setembro de 2026.
Nome Sobrenome — Psicóloga — CRP 00/00000
Assinatura digital
Referências
BOELEN, P. A.; VAN DEN HOUT, M. A.; VAN DEN BOUT, J. A cognitive-behavioral conceptualization of complicated grief. Clinical Psychology: Science and Practice, v. 13, n. 2, p. 109-128, 2006.
BOWLBY, J. Apego e perda, v. 3: Perda: tristeza e depressão. São Paulo: Martins Fontes, 1985.
SHEAR, M. K. Complicated grief. New England Journal of Medicine, v. 372, n. 2, p. 153-160, 2015.
STROEBE, M.; SCHUT, H. The dual process model of coping with bereavement: rationale and description. Death Studies, v. 23, n. 3, p. 197-224, 1999.
CONSELHO FEDERAL DE PSICOLOGIA. Resolução CFP nº 06/2019. Brasília: CFP, 2019.
Repare no que o exemplo traz: a demanda com o contexto humano, os indicadores combinados com a paciente, a comparação entre o início e o momento atual, a literatura citada no corpo do texto e o parágrafo de confidencialidade. E no que não traz: detalhes da vida pessoal que não respondem à pergunta da psiquiatra e código de classificação diagnóstica, porque o relatório não tem essa finalidade.
Erros comuns x forma correta
| Erro comum | Forma correta |
|---|---|
| Intitular o documento como "laudo" sem ter feito avaliação psicológica | Título "Relatório Psicológico" e conteúdo restrito ao trabalho realizado |
| Copiar trechos das sessões ou falas literais | Síntese analítica da evolução; relato literal só quando se justificar tecnicamente |
| Incluir diagnóstico ou CID como conclusão da psicoterapia | Descrever evolução e necessidades; se for preciso diagnóstico, indicar avaliação específica |
| Omitir quem forneceu as informações | Informar a fonte (paciente, responsáveis, escola, outros profissionais) |
| Escrever "paciente melhorou bastante" | Descrever o que mudou, desde quando e com qual base (relato, observação, indicadores ou instrumento com parecer favorável no SATEPSI) |
| Esquecer a validade | Indicar no último parágrafo, justificando pela natureza do caso |
| Entregar por e-mail sem conversa | Entrevista devolutiva antes da entrega e protocolo de recebimento |
| Enviar direto à escola ou empresa sem autorização | Consentimento da pessoa atendida ou do responsável e entrega em devolutiva |
| Usar jargão com leigos | Linguagem acessível ao destinatário, sem perder a precisão |
| Não guardar cópia | Cópia e protocolo arquivados com o registro documental por no mínimo 5 anos |
Quem pode pedir, e o que fazer quando o pedido vem de terceiros
A própria pessoa atendida sempre tem direito ao documento final, mesmo quando ele foi solicitado por um órgão ou instituição. Quando o pedido vem de escola, empresa, plano de saúde ou outro profissional, três cuidados:
- Consentimento: combine com a pessoa (ou com o responsável legal) o que será comunicado. Com crianças e adolescentes, os responsáveis recebem o estritamente essencial (Código de Ética, art. 13). Veja o relatório escolar e o relatório infantil.
- Mínimo necessário: responda à pergunta do solicitante, não à curiosidade dele.
- Justiça: a Resolução CFP nº 08/2010 (art. 10, II) veda à psicoterapeuta das partes de um litígio produzir documentos do processo psicoterápico para informar a instância judicial sem o consentimento formal da pessoa atendida, com exceção de declarações; com criança, adolescente ou interdito, o consentimento é de ao menos um dos responsáveis. O mesmo artigo veda atuar como perita ou assistente técnica de quem ela atende. Veja prontuário solicitado pela Justiça.
Linguagem: como escrever para cada destinatário
| Destinatário | Tom | Evite |
|---|---|---|
| Psiquiatra ou outro profissional de saúde | Técnico e objetivo, com referencial e instrumentos | Detalhes biográficos que não mudam a conduta |
| Escola | Descritivo, com orientações práticas para sala de aula | Jargão clínico e informações familiares |
| Plano de saúde | Justificativa técnica da necessidade de continuidade | Conteúdo íntimo; só o que sustenta o pedido |
| Própria pessoa | Claro e respeitoso, sem rótulos | Termos que possam ser lidos como julgamento |
Validade, devolutiva, entrega e guarda
- Validade (art. 17): não há um prazo único. Indique no último parágrafo, considerando os objetivos, os procedimentos e a natureza dinâmica do caso. Com adolescentes, prazos mais curtos costumam fazer sentido. Veja validade do documento.
- Entrevista devolutiva (art. 18): é dever na entrega do relatório. Se não for possível realizá-la, explique as razões no registro.
- Entrega e protocolo (art. 16): entregue ao beneficiário, ao responsável legal ou ao solicitante, e mantenha protocolo assinado. Em entregas digitais, use assinatura digital e guarde a confirmação de recebimento. Veja assinatura digital e entrevista devolutiva.
- Guarda (art. 15): documentos e o material que os fundamenta são guardados por no mínimo 5 anos. Veja guarda do prontuário.
O relatório nasce do registro
O relatório não se escreve de memória: a Resolução 06/2019 manda construí-lo a partir do registro documental. Quando cada sessão está registrada com clareza, o trabalho é selecionar, e não reconstruir. O que entra no relatório, e como, é sempre decisão da psicóloga.
Relatórios por contexto
- Modelo de relatório psicológico
- Relatório escolar
- Relatório infantil
- Relatório para psiquiatra ou neurologista
- Relatório para reembolso do plano
- Relatório para BPC/LOAS
- Relatório multiprofissional
- Relatório de acompanhamento
Relatórios no DocsPSI: um para cada destinatário, a partir do mesmo dossiê
A escola quer saber como apoiar em sala; o psiquiatra, como o paciente respondeu; a operadora, se o tratamento deve continuar. É o mesmo caso, com três relatórios diferentes, e cada um exige reler semanas de sessões para escolher o que dizer e o que o sigilo manda deixar de fora.
No DocsPSI, cada sessão, gravada com consentimento, já virou um prontuário inteligente em 7 seções. A IA do DocsPSI consulta o dossiê clínico completo do paciente e redige o relatório nos cinco itens da Resolução CFP nº 06/2019, na linguagem do destinatário que você indicar e na abordagem teórica e na especialidade que você informou nas configurações. A Linha do Tempo Terapêutica mostra a evolução do período num só lugar, e a supervisão por IA ajuda a pensar o que o documento precisa comunicar.
O relatório sai com QR Code de autenticidade, e você decide, frase a frase, o que vai para o destinatário. A análise e a conclusão continuam sendo suas: o Manual Orientativo do CFP (2025) admite a IA para organizar, redigir e sistematizar, e reserva à psicóloga interpretações, conclusões e hipóteses. Você revisa integralmente, ajusta, assume a autoria e assina. Para começar, há o primeiro mês promocional do Plano Starter, com acesso a todas as funcionalidades e sem fidelidade.
Perguntas frequentes
Relatório psicológico pode ter diagnóstico?
Não é sua finalidade. Pela Resolução CFP 06/2019, o relatório comunica a atuação profissional e não tem como objetivo produzir diagnóstico. Quando o destinatário precisa de diagnóstico, o caminho é uma avaliação psicológica e um laudo.
Quais os itens do relatório psicológico?
Identificação, descrição da demanda, procedimento, análise e conclusão. Eles podem ser apresentados em tópicos ou em texto corrido.
Relatório psicológico precisa de referências?
A resolução não inclui referências como item obrigatório do relatório, mas a análise deve ter fundamentação teórica e técnica, e o procedimento deve indicar o referencial teórico-metodológico.
Precisa de devolutiva?
Sim. A entrevista devolutiva é dever na entrega de relatório e laudo (art. 18). Se não for possível, as razões devem ser explicitadas.
Posso enviar o relatório direto para a escola?
Só com a concordância da pessoa atendida ou do responsável legal, e com o conteúdo restrito ao necessário. O ideal é entregar em devolutiva e manter protocolo de entrega.
Qual a validade de um relatório psicológico?
Não há prazo fixo. A psicóloga indica a validade no último parágrafo, considerando os objetivos do trabalho e a natureza dinâmica do caso (art. 17).
A IA pode escrever o relatório psicológico?
Pode redigir, e você decide o conteúdo. No DocsPSI, a IA consulta o dossiê clínico do paciente e escreve nos cinco itens da Resolução 06/2019, para o destinatário indicado; você revisa integralmente, ajusta e assina.
Referências: Conselho Federal de Psicologia. Resolução CFP nº 06/2019, comentada (arts. 11, 15 a 18). · Resolução CFP nº 01/2009. · Resolução CFP nº 08/2010. · Código de Ética Profissional do Psicólogo, arts. 1º e 13. · Manual Orientativo de Registro e Elaboração de Documentos Psicológicos (CFP, 2025).
Procurando outro tema?
Busque pelo título ou pelo assunto entre todos os guias do blog.
