Sumário9 seções
Escrever evolução sem estrutura é decidir, a cada sessão, o que entra e em que ordem. Um formato fixo elimina essa decisão e deixa o prontuário comparável ao longo do tempo: você bate o olho na sessão 3 e na 23 e encontra a mesma informação no mesmo lugar.
A seguir, o mesmo atendimento fictício escrito nos três formatos, para você comparar.
O caso (fictício): Ana, 34 anos, em psicoterapia por ansiedade relacionada ao trabalho. Sessão 6. Ela conta que teve uma crise antes de uma reunião, mas conseguiu usar a respiração treinada na sessão anterior. Você revisa o registro de pensamentos, trabalha a crença "se eu errar, vão me demitir" e combina uma nova tarefa.
SOAP: Subjetivo, Objetivo, Avaliação, Plano
Nasceu na medicina e é o formato mais comum em hospitais. Separa o que o paciente relata (S) do que você observa (O).
| Letra | O que vai aqui |
|---|---|
| S — Subjetivo | O que o paciente traz com as próprias palavras: queixas, relatos, percepções |
| O — Objetivo | O que você observa: comportamento, aparência, afeto, escores de instrumentos |
| A — Avaliação | Sua leitura técnica do momento: progresso, padrões, relação com os objetivos |
| P — Plano | Conduta: tarefas, próximos focos, encaminhamentos, frequência |
16/09/2026 — Sessão 6 · 50 minutos · presencial. Paciente: Patrícia (nome fictício), 34 anos, coordenadora de atendimento numa empresa de telecomunicações. Em TCC desde agosto, por ansiedade no trabalho que se intensificou depois de uma reestruturação com demissões na empresa, em junho. Objetivos do plano: (1) reduzir a ansiedade antecipatória; (2) reduzir a esquiva no trabalho (faltar a reuniões, delegar apresentações); (3) melhorar o sono.
S (subjetivo): relata uma crise de ansiedade na segunda-feira, antes de reunião com a diretoria, com coração acelerado e "vontade de sair correndo". Diz ter usado a respiração treinada e "não ter saído da sala", pela primeira vez desde junho. Refere preocupação persistente com a possibilidade de ser demitida se cometer erros: "eles cortaram gente boa, imagina quem erra". Sono de cerca de seis horas na última semana, com dificuldade para adormecer na véspera de reuniões.
O (objetivo): pontual; discurso organizado; fala acelerada nos primeiros 15 minutos, com redução ao longo da sessão; afeto ansioso, congruente com o relato; torcia as mãos ao falar da diretoria. Trouxe o registro de pensamentos preenchido em 4 dos 7 dias, todos ligados a situações de avaliação. Ansiedade informada de 7, numa escala de 0 a 10, no início da sessão. Perguntada sobre pensamentos de morte ou autolesão, nega.
A (avaliação): primeira utilização espontânea da respiração em situação real, com permanência na situação temida, avanço em relação ao objetivo 2. O registro confirma a crença de incompetência ativa em contextos de avaliação, mantida pela esquiva: ao evitar as reuniões, Patrícia não tinha como verificar que o erro temido não acontecia. A reestruturação real na empresa dá à preocupação uma base concreta, o que exige cuidado para não tratar como distorção o que é, em parte, um risco verdadeiro; o alvo é a regra "se eu errar, vão me demitir", e não a percepção da instabilidade.
P (plano): realizado na sessão questionamento socrático sobre a crença; a paciente identificou duas avaliações de desempenho positivas e o fato de ter sido mantida na reestruturação como evidências contrárias. Ansiedade de 7 para 4 ao final. Tarefa: listar três erros passados e as consequências reais de cada um. Próxima sessão: revisar a lista e planejar um experimento comportamental na reunião semanal (apresentar um ponto da pauta, prevendo e depois comparando a reação da equipe).
Quando usar: hospital, CAPS, clínica multiprofissional e qualquer contexto em que outros profissionais leiam o prontuário, porque o formato é familiar para médicos e enfermeiros.
Cuidado: o "O" não é lugar de impressões vagas. Registre o observável. E o "A" pede atenção: o Manual Orientativo do CFP (2025) orienta que hipóteses diagnósticas e interpretações não compartilhadas com o paciente fiquem no registro documental, e não no prontuário, que o paciente pode acessar. Na avaliação do SOAP, escreva a leitura técnica que você sustentaria diante dele.
DAP: Dados, Avaliação, Plano
É o SOAP com S e O fundidos em "Dados". Mais enxuto, funciona bem na psicoterapia individual, em que a separação entre relato e observação costuma ser menos crítica.
16/09/2026 — Sessão 6 · 50 minutos · presencial. Paciente: Patrícia (nome fictício), 34 anos, coordenadora de atendimento. Em TCC desde agosto, por ansiedade no trabalho depois de uma reestruturação com demissões na empresa.
D (dados): relata crise de ansiedade antes de reunião com a diretoria, com coração acelerado e "vontade de sair correndo"; usou a respiração treinada e permaneceu na sala, pela primeira vez desde junho. Sono de cerca de seis horas, pior na véspera de reuniões. Trouxe o registro de pensamentos (4 de 7 dias), todos em situações de avaliação, com o pensamento recorrente "se eu errar, vão me demitir". Na sessão, fala acelerada no início, com redução ao longo do atendimento; afeto ansioso e congruente; ansiedade informada de 7/10 no início e de 4/10 ao final. Nega pensamentos de morte ou autolesão.
A (avaliação): primeira aplicação da técnica em situação real, sem esquiva, avanço no objetivo de reduzir a esquiva no trabalho. A crença de incompetência segue ativa em situações de avaliação e é mantida pela esquiva, que impede Patrícia de verificar que o erro temido não se concretiza. Como a reestruturação foi real, o trabalho se dirige à regra rígida sobre errar, e não à percepção da instabilidade, que tem base concreta.
P (plano): realizado questionamento socrático sobre a crença, com identificação de duas evidências contrárias: avaliações de desempenho positivas e a permanência dela na reestruturação. Tarefa: listar três erros passados e as consequências reais. Próxima sessão: revisar a lista e planejar experimento comportamental na reunião semanal.
Quando usar: consultório particular, psicoterapia semanal, agenda cheia com pouco tempo entre atendimentos.
BIRP: Comportamento, Intervenção, Resposta, Plano
Coloca a intervenção e a resposta do paciente no centro do registro. É o formato que melhor documenta o raciocínio técnico: o que você fez e o que aconteceu depois.
| Letra | O que vai aqui |
|---|---|
| B — Comportamento (behavior) | Apresentação e relato do paciente na sessão |
| I — Intervenção | Técnicas e procedimentos que você utilizou |
| R — Resposta | Como o paciente reagiu às intervenções |
| P — Plano | Conduta e próximos passos |
16/09/2026 — Sessão 6 · 50 minutos · presencial. Paciente: Patrícia (nome fictício), 34 anos, coordenadora de atendimento. Em TCC desde agosto, por ansiedade no trabalho depois de uma reestruturação com demissões na empresa.
B (comportamento): chega relatando crise de ansiedade antes de reunião com a diretoria, com uso da respiração e permanência na situação, pela primeira vez desde junho. Traz registro de pensamentos de 4 dias, todos em situações de avaliação. Fala acelerada no início; afeto ansioso; torcia as mãos ao falar da diretoria. Ansiedade de 7/10 na chegada. Sono de cerca de seis horas. Nega pensamentos de morte ou autolesão.
I (intervenção): revisão do registro de pensamentos, com a identificação de um padrão comum às quatro situações (avaliação por superiores); questionamento socrático sobre a crença "se eu errar, vão me demitir", com busca de evidências a favor e contra; psicoeducação breve sobre ansiedade antecipatória e sobre como a esquiva mantém o medo. A intervenção foi dirigida à regra rígida sobre errar, e não à percepção da instabilidade na empresa, que tem base real.
R (resposta): identificou duas evidências contrárias (avaliações de desempenho positivas e a permanência dela na reestruturação). Ansiedade autorrelatada de 7 para 4, em escala de 0 a 10, ao final. Disse estar disposta a "testar em vez de só pensar" e perguntou se poderia começar pela reunião da semana seguinte.
P (plano): tarefa: listar três erros passados e consequências reais. Próxima sessão: revisar a lista e planejar experimento comportamental na reunião semanal, com previsão da reação da equipe antes e comparação depois.
Quando usar: abordagens que trabalham com técnicas bem definidas (TCC, ACT, DBT) e casos em que você quer demonstrar a efetividade das intervenções ao longo do tempo.
Comparativo rápido
| Critério | SOAP | DAP | BIRP |
|---|---|---|---|
| Nº de campos | 4 | 3 | 4 |
| Tempo para escrever | Médio | Baixo | Médio |
| Separa relato de observação | Sim | Não | Parcial |
| Destaca a intervenção feita | Pouco | Pouco | Muito |
| Melhor contexto | Hospital, equipe | Consultório | Psicoterapia com técnicas estruturadas |
E na psicanálise ou em abordagens menos estruturadas?
Os formatos acima nasceram em contextos mais diretivos, e forçá-los em uma escuta psicanalítica ou fenomenológica pode empobrecer o registro. Nesses casos, uma evolução livre bem escrita cumpre a norma, desde que registre data, síntese do trabalho realizado e procedimentos adotados. O importante é que a estrutura mínima da Resolução 01/2009 esteja presente em todo o prontuário psicológico.
Exemplo em contexto hospitalar (SOAP)
18/09/2026 — 1º atendimento · leito 12B, clínica médica · 30 minutos. Paciente: Sr. Anselmo (nome fictício), 67 anos, aposentado, internado há 5 dias por descompensação cardíaca. Atendimento solicitado pela equipe médica, que relatou irritabilidade, recusa de parte das refeições e noites mal dormidas.
S: refere medo de "não voltar para casa" e conta que o irmão morreu no mesmo hospital, há dois anos, depois de uma internação que "começou igual". Dificuldade para dormir por causa dos ruídos da enfermaria. Diz sentir falta da esposa, que não consegue visitá-lo todos os dias por também ter problemas de saúde. Diz que "ninguém explica nada" sobre o tratamento. Nega desejo de morrer.
O: vígil, orientado no tempo e no espaço, atento à conversa do início ao fim, colaborativo. Choro contido ao falar da esposa e do irmão, com recomposição espontânea. Acompanhado pela filha, que relata irritabilidade do pai desde a internação e diz que ele era "calmo e brincalhão" em casa.
A: ansiedade reativa à hospitalização, intensificada pela lembrança da morte do irmão no mesmo hospital e pela falta de informação sobre o tratamento; a irritabilidade parece expressão do medo. Rede de apoio presente. Sem sinais de alteração do nível de consciência ou da atenção nesta avaliação. Como o quadro de confusão pode oscilar ao longo do dia em idosos internados, a equipe de enfermagem foi orientada a observar mudanças à noite. Humor deprimido não é o quadro principal neste momento, mas será reavaliado.
P: acolhimento e psicoeducação sobre a rotina da internação; orientada a filha sobre como apoiar sem minimizar os medos do pai. Discutidos com a equipe o horário de informações médicas à família, pedindo uma conversa do médico com o paciente sobre o plano de tratamento e a previsão de alta, e a possibilidade de reduzir ruídos no período noturno. Registrado no prontuário da equipe apenas o necessário ao cuidado, sem o conteúdo sobre o irmão. Reavaliar em 48 horas.
SOAP, DAP e BIRP x as 7 seções do DocsPSI
Os três formatos cabem dentro de uma estrutura mais completa. No DocsPSI, o prontuário de cada sessão é organizado em 7 seções, e cada letra encontra o seu lugar:
| Formato | Onde aparece nas 7 seções |
|---|---|
| S (subjetivo), D (dados), B (comportamento) | 3. Conteúdo da sessão: demandas e síntese cronológica dos temas |
| O (objetivo) | 2. Estado atual: humor, nível de sofrimento, estado emocional, medicações |
| I (intervenção) e R (resposta) | 4. Intervenções: técnicas usadas, alvo e reação do paciente |
| A (avaliação) | 5. Anotações privadas e 7. Reflexão profissional |
| P (plano) | 4. Intervenções planejadas e atividades recomendadas; 5. objetivos para a próxima sessão |
| Não há letra própria | 6. Avaliação de risco, com risco a si, a terceiros e de suicídio |
A principal diferença é a avaliação de risco em seção própria, registrada em toda sessão. Veja uma sessão completa nesse formato em prontuário psicológico.
Como ganhar tempo sem perder qualidade
- Escolha um formato e mantenha-o em todo o prontuário do paciente.
- Escreva no mesmo dia. Registros feitos depois ficam genéricos.
- Deixe o "P" da sessão anterior guiar a próxima: ele vira o primeiro assunto da sessão seguinte e fecha o ciclo do registro.
- Use tecnologia a seu favor, com revisão. O guia de IA do CFP admite a IA como apoio à sistematização de prontuários, com consentimento do paciente, plataforma segura e revisão integral antes de assinar. Lembre que transcrição não é evolução: o que vai para o prontuário é síntese técnica.
Um formato que já contém os três, pronto em minutos
Escolher entre SOAP, DAP e BIRP resolve a organização, mas não resolve o tempo: continua sendo você quem preenche cada letra, sessão após sessão. No DocsPSI, não é preciso escolher. Como mostra a tabela acima, as 7 seções do prontuário inteligente já contêm o que cada formato pede, e mais: avaliação de risco em toda sessão e um espaço próprio para a sua reflexão profissional.
A sessão, gravada com consentimento, vira esse prontuário em menos de 5 minutos, na abordagem teórica e na especialidade que você informou nas configurações. No hospital, no consultório ou na teleconsulta, o registro chega com o relatado e o observado separados da hipótese, as intervenções com a resposta do paciente e o plano. Cada sessão entra na Linha do Tempo Terapêutica, e você pode discutir o caso com a supervisão por IA, disponível 24 horas.
Você revisa, ajusta se quiser e assina. Para começar, há o primeiro mês promocional do Plano Starter, com acesso a todas as funcionalidades e sem fidelidade.
Perguntas frequentes
O CFP exige o formato SOAP?
Não. A Resolução CFP 01/2009 define o conteúdo mínimo do registro (identificação, demanda e objetivos, evolução e procedimentos, encerramento), mas não impõe formato. SOAP, DAP e BIRP são opções de organização.
Qual a diferença entre SOAP e DAP?
O DAP junta o "Subjetivo" e o "Objetivo" do SOAP em um único campo, "Dados". Fica mais curto, mas deixa de separar o relato do paciente daquilo que você observou.
Posso misturar formatos no mesmo prontuário?
Pode, mas não é recomendável. Manter o mesmo formato facilita a leitura longitudinal do caso e a elaboração de relatórios.
O que significa o B do BIRP?
Vem de behavior (comportamento, em inglês): a apresentação e o relato do paciente na sessão.
Referências: Conselho Federal de Psicologia. Resolução CFP nº 01/2009. · Manual Orientativo de Registro e Elaboração de Documentos Psicológicos (CFP, 2025).
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