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Estudo de caso clínico: estrutura e exemplo

Estudo de caso em psicologia: para que serve, estrutura, anonimização, consentimento, quando vira pesquisa e exemplo fictício resumido e comentado.

Apresentação de estudo de caso fictício com história, formulação, intervenções e acompanhamento.
Sumário5 seções

Escrever um caso é pensar o caso. Muitas vezes, o próprio exercício revela padrões que passaram despercebidos. Este guia mostra a estrutura, os cuidados éticos e um exemplo fictício. Veja também supervisão clínica.

Estrutura

SeçãoConteúdo
IdentificaçãoDados mínimos, alterados, sem permitir reconhecimento
DemandaMotivo da busca, nas palavras do paciente
HistóriaApenas o relevante para o caso
AvaliaçãoEntrevistas, instrumentos com parecer favorável no SATEPSI, hipóteses
ConceituaçãoModelo teórico — veja conceituação cognitiva
IntervençõesO que foi feito e por quê
EvoluçãoMudanças observadas, indicadores combinados, dados de instrumentos
ReflexõesDificuldades, aprendizados, limites

Ética

  • Anonimize nomes, idades exatas, profissões, cidades e detalhes marcantes — veja como anonimizar dados clínicos.
  • Consentimento para apresentação ou publicação.
  • Pesquisa exige aprovação ética (CNS 510/2016).
  • Use apenas o necessário.
  • O Código de Ética veda apresentar resultados de serviços em meios de comunicação de forma a expor pessoas (art. 2º, “q”), e em pesquisa pede consentimento e anonimato (art. 16).

Exemplo (caso fictício, resumido)

ModeloEstudo de caso — resumo (exemplo fictício)

Identificação (desidentificada): "L.", mulher, 30 a 35 anos, profissional da área administrativa. Dados como cidade, empresa e nomes de familiares foram omitidos ou alterados, e a paciente autorizou o uso do caso para fins de ensino.

Demanda: "Não consigo mais pegar ônibus." Crises de pânico havia oito meses, a primeira num ônibus lotado, depois de uma semana de pouco sono. Passou a ir ao trabalho de carona e a recusar compromissos longe de casa.

Avaliação: três entrevistas clínicas, com história da queixa, do desenvolvimento e da saúde, e registro de frequência das crises, preenchido pela paciente por duas semanas (média de três crises por semana). Exames médicos recentes afastavam causas cardíacas. Hipótese: transtorno de pânico com esquiva, sem agorafobia generalizada, porque ela mantinha outras atividades fora de casa.

Conceituação: interpretação catastrófica de sensações corporais ("vou desmaiar e ninguém vai me ajudar"); evitação e comportamentos de segurança, como sentar sempre perto da porta, mantendo o medo (Clark, 1986). A história de uma mãe que "desmaiava de nervoso" parece ter dado forma específica ao medo.

Intervenções:

  • psicoeducação sobre ansiedade e sobre o ciclo do pânico, desenhado com ela a partir da primeira crise;
  • reestruturação cognitiva das interpretações catastróficas;
  • exposição interoceptiva em sessão (girar na cadeira, respirar por um canudo) e in vivo gradual, do ponto de ônibus ao trajeto completo no horário de pico;
  • retirada gradual dos comportamentos de segurança.

Evolução: após 16 sessões, estava sem crises havia dois meses; ansiedade autorrelatada de 8 para 2 (escala de 0 a 10); retomou o transporte público, inclusive no horário de pico, e aceitou um curso noturno do outro lado da cidade.

Dificuldades do processo: a paciente recusou a exposição interoceptiva na primeira proposta. A retomada da psicoeducação, com o ciclo desenhado a partir de uma crise dela, e uma demonstração da psicóloga, feita antes, tornaram a técnica aceitável.

Reflexões: a psicoeducação inicial foi decisiva para a adesão à exposição. O caso mostra que a técnica não funciona antes de a pessoa entender por que faria sentido enfrentar o que teme. Uma questão levada à supervisão foi o momento de retirar o último comportamento de segurança, a garrafa de água, que a paciente associava à mãe.

Ferramentas úteis

A Linha do Tempo Terapêutica ajuda a reconstruir o percurso sessão a sessão. Leve o caso à supervisão clínica.

Estudo de caso no DocsPSI: o percurso reconstruído com dados

Um estudo de caso precisa mostrar o caminho: a demanda, a conceituação, as intervenções, a evolução e as dificuldades. Reconstruir isso de memória, meses depois, produz um relato limpo demais, sem os tropeços que mais ensinam.

No DocsPSI, a Linha do Tempo Terapêutica reúne prontuários, gravações, documentos e teleconsultas do caso inteiro, e mostra a evolução com os dados de cada sessão: quando a crise diminuiu, em que sessão a técnica foi recusada, o que mudou depois. Cada sessão, gravada com consentimento ou importada depois em áudio, virou em menos de 5 minutos um prontuário inteligente em 7 seções, e é essa base que torna o estudo de caso fiel. Para apresentar o caso em supervisão ou em aula, a biblioteca de recursos traz o registro desidentificado para reflexão e supervisão, e a supervisão por IA, disponível 24 horas, ajuda a organizar as reflexões, como apoio.

A desidentificação e as reflexões são responsabilidade sua. Para começar, há o primeiro mês promocional do Plano Starter, com acesso a todas as funcionalidades e sem fidelidade.

Perguntas frequentes

Como fazer um estudo de caso em psicologia?

Organize identificação anonimizada, demanda, história relevante, avaliação, conceituação, intervenções, evolução e reflexões.

Preciso de autorização do paciente para apresentar um estudo de caso?

Para apresentação pública ou publicação, sim. Em supervisão, o caso deve ser anonimizado.

Estudo de caso é pesquisa?

Quando tem finalidade de produzir conhecimento publicado, pode ser considerado pesquisa e exigir aprovação ética.

Posso usar um caso do consultório no TCC da especialização?

Pode, com consentimento do paciente, anonimização rigorosa e só o necessário. Se o trabalho for publicado ou tiver desenho de pesquisa, verifique com a instituição a necessidade de aprovação no sistema CEP/Conep (Resolução CNS nº 510/2016).

Referências: Conselho Federal de Psicologia. Código de Ética Profissional do Psicólogo, arts. 2º, 9º e 16 · Conselho Nacional de Saúde. Resolução nº 510/2016 · Yin, R. K. Estudo de caso: planejamento e métodos. 5. ed. Porto Alegre: Bookman, 2015 · Clark, D. M. A cognitive approach to panic. Behaviour Research and Therapy, 24(4), 461-470, 1986.

Equipe Editorial DocsPSI

Guias escritos a partir das resoluções do Conselho Federal de Psicologia, do Manual Orientativo de Registro e Elaboração de Documentos Psicológicos (CFP, 2025) e da rotina de milhares de consultórios que usam o DocsPSI.

Revisão técnica: Ana Vanessa de Medeiros Neves — Psicóloga Clínica e da Saúde, CRP 03/3592.

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