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Plano de segurança (Stanley-Brown): modelo

Plano de segurança para risco de suicídio (Stanley-Brown): as seis etapas, como construir com o paciente, restrição de meios, modelo pronto e registro.

Construção conjunta de plano de segurança com estratégias e contatos fictícios de apoio.
Sumário4 seções

Em crise, pensar com clareza é difícil. Por isso o plano é escrito antes, com as palavras do próprio paciente, e fica à mão. Base em avaliação de risco de suicídio.

As seis etapas

EtapaPergunta-guia
1. Sinais de alerta"Como você percebe que uma crise está começando?"
2. Estratégias internas"O que você pode fazer sozinho para se acalmar?"
3. Pessoas e lugares que distraem"Onde ou com quem você se sente melhor?"
4. Pessoas para pedir ajuda"A quem você pode dizer que não está bem?"
5. Profissionais e serviçosPsicóloga, CVV 188, SAMU 192, CAPS, pronto-socorro
6. Ambiente seguro"Como tornar mais difícil o acesso a meios?"
ModeloPlano de segurança (exemplo fictício)

Construído com a paciente, com as palavras dela, na sessão 5.

1. Sinais de alerta (quando a crise começa): ficar sozinha no quarto à noite; pensar "sou um peso para todo mundo"; parar de responder às mensagens; não conseguir dormir depois das 2h.
2. O que posso fazer sozinha: banho morno; playlist calma; respiração 4-6, inspirando em 4 tempos e soltando em 6; desenhar, mesmo sem vontade.
3. Pessoas e lugares que me distraem: caminhar na praça perto de casa; ligar para a prima Ana só para conversar, sem falar da crise.
4. Pessoas a quem posso pedir ajuda: meu irmão (telefone); minha amiga Júlia (telefone).
5. Profissionais e serviços: psicóloga (horário comercial, telefone); CVV 188, 24 horas; SAMU 192; pronto-socorro do bairro.
6. Deixar o ambiente mais seguro: os medicamentos ficam guardados pelo meu irmão, que me entrega os da semana aos domingos.
O que me faz querer viver: meu sobrinho; voltar a desenhar; a viagem que planejo com a Júlia.

Como construir

  • Use as palavras do paciente.
  • Seja concreto (nomes, telefones, lugares).
  • Trabalhe barreiras: "O que poderia impedir você de ligar?".
  • Combine onde o plano ficará (foto no celular, carteira).
  • Revise a cada sessão enquanto houver risco.
  • Envolva a família quando indicado — veja quebra de sigilo no risco de suicídio.

Registro no prontuário

Registre a avaliação de risco, o plano elaborado, os contatos envolvidos e as condutas. No atendimento online, a Resolução CFP nº 09/2024 pede que ações, notificações e articulações com a rede sejam registradas no prontuário (art. 5º, § 2º), e que você saiba onde a pessoa está para acionar os serviços locais.

ModeloRegistro do plano de segurança (exemplo fictício)

Sessão 5 · 60 minutos · presencial. Paciente: Renata Lopes (nome fictício), 26 anos, estudante de Design, em acompanhamento desde agosto por humor deprimido depois do fim de um relacionamento.
Avaliação de risco: relatou ideação suicida passiva nas últimas duas semanas ("às vezes penso que seria melhor não estar aqui"), à noite, sem plano ou intenção. Nega tentativas prévias. Acesso a medicamentos em casa, incluindo uma caixa de remédio para dormir prescrito no ano passado.
Conduta: construído plano de segurança em seis etapas, com as palavras dela, depois de identificar com ela a sequência das últimas noites difíceis. Cópia fotografada no celular e outra em papel na carteira. A etapa de restrição de meios foi a mais discutida: Renata resistiu no início ("não vou fazer nada"), e aceitou que o irmão guardasse os medicamentos como "cinto de segurança". Contatos incluídos: irmão, amiga Júlia, CVV 188, SAMU 192.
Leitura: a paciente se envolveu na construção e escolheu as próprias estratégias, o que aumenta a chance de usá-las. O plano não substitui a avaliação contínua do risco.
Plano: próxima sessão antecipada; revisar o plano no início e perguntar se foi usado; avaliar encaminhamento psiquiátrico.

Adolescentes: veja autolesão em adolescentes.

Plano de segurança no DocsPSI: o risco registrado em todo prontuário

O plano de segurança só protege se for revisto: no início da sessão seguinte, a cada mudança do risco, quando um contato deixa de estar disponível. Isso depende de um registro claro do que foi combinado e de reavaliações que apareçam em todas as sessões.

No DocsPSI, cada sessão, gravada com consentimento ou importada depois em áudio, vira em menos de 5 minutos um prontuário inteligente em 7 seções, e a seção de avaliação de risco organiza o que foi perguntado e respondido, com os fatores de proteção. A IA organiza; a avaliação, a classificação do risco e o plano são seus. A Linha do Tempo Terapêutica mostra a evolução do risco entre as sessões e as revisões do plano. Na biblioteca de recursos, o roteiro de avaliação e gestão de segurança diante de risco de suicídio e o de resposta inicial a crise apoiam a conversa. A supervisão por IA, disponível 24 horas, ajuda a pensar a conduta num momento difícil, como apoio que não substitui a supervisão humana.

Para começar, há o primeiro mês promocional do Plano Starter, com acesso a todas as funcionalidades e sem fidelidade.

Perguntas frequentes

O que é plano de segurança na psicologia?

É uma intervenção breve, construída com o paciente, que organiza passos concretos para enfrentar uma crise suicida.

Plano de segurança é o mesmo que contrato de não suicídio?

Não. O "contrato de não suicídio" não tem evidência de eficácia; o plano de segurança oferece estratégias e recursos concretos. Um estudo com pacientes atendidos em emergência encontrou menos comportamento suicida nos seis meses seguintes entre quem recebeu o plano com acompanhamento telefônico.

Com que frequência revisar o plano?

A cada sessão enquanto houver risco, e sempre após uma crise.

Quem fica com uma cópia do plano?

O paciente, num lugar de acesso rápido, como o celular ou a carteira. Com a concordância dele, uma pessoa de confiança citada no plano também pode ter uma cópia. A versão construída na sessão fica registrada no prontuário.

Referências: Stanley, B.; Brown, G. K. Safety planning intervention: a brief intervention to mitigate suicide risk. Cognitive and Behavioral Practice, 19(2), 2012 · Stanley, B. et al. Comparison of the safety planning intervention with follow-up vs usual care of suicidal patients treated in the emergency department. JAMA Psychiatry, 75(9), 2018 · Conselho Federal de Psicologia. Resolução CFP nº 09/2024, art. 5º · CVV — Centro de Valorização da Vida (188).

Equipe Editorial DocsPSI

Guias escritos a partir das resoluções do Conselho Federal de Psicologia, do Manual Orientativo de Registro e Elaboração de Documentos Psicológicos (CFP, 2025) e da rotina de milhares de consultórios que usam o DocsPSI.

Revisão técnica: Ana Vanessa de Medeiros Neves — Psicóloga Clínica e da Saúde, CRP 03/3592.

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