Sumário6 seções
Descobrir marcas no braço de uma adolescente pode mobilizar a psicóloga e a família. Uma conduta serena e estruturada faz diferença. Base em avaliação de risco de suicídio.
Primeira conduta
| Faça | Evite |
|---|---|
| Perguntar com calma e curiosidade | Mostrar choque ou repulsa |
| Validar o sofrimento | Exigir que "prometa parar" |
| Avaliar lesões e necessidade de cuidado médico | Minimizar ("é só para chamar atenção") |
| Perguntar diretamente sobre ideação suicida | Detalhar ou discutir métodos |
Funções mais comuns
- Aliviar emoções intensas.
- Sentir algo diante do vazio ou da dissociação.
- Autopunição.
- Comunicar sofrimento.
Compreender a função orienta a intervenção — por exemplo, treino de habilidades de regulação emocional, como na DBT.
Comunicação aos responsáveis
- O art. 13 do Código de Ética orienta comunicar o estritamente essencial para promover medidas em benefício do adolescente.
- Converse antes com o adolescente sobre o que será dito e como.
- Oriente a família: acolher, supervisionar sem vigiar de forma punitiva, restringir acesso a meios, buscar emergência se necessário.
- Veja sigilo com menores e psicólogo pode contar para os pais?.
Legislação e escola
A Lei 13.819/2019 inclui a automutilação, com ou sem ideação suicida, entre os casos de violência autoprovocada de notificação compulsória (art. 6º, § 1º). Estabelecimentos de saúde notificam a autoridade sanitária, e, com crianças e adolescentes, o Conselho Tutelar também recebe a notificação (§ 2º); escolas notificam o Conselho Tutelar. A notificação é sigilosa (§ 3º). Verifique como a obrigação se aplica ao seu contexto de trabalho.
Na escola, combine com o adolescente e os responsáveis o que será compartilhado, e só o necessário à proteção.
Registro
Registre a avaliação de risco, as condutas, o que foi comunicado aos responsáveis (e com qual concordância) e o plano de segurança. Lembre que o representante legal tem acesso ao prontuário (Resolução CFP nº 01/2009, art. 5º, II).
Sessão 8 · 50 minutos · presencial. Adolescente: Bianca (nome fictício), 15 anos, 1º ano do ensino médio, em acompanhamento desde agosto por conflitos com a mãe e irritabilidade.
Relato: contou, depois de algum silêncio, que fez cortes superficiais no antebraço há três semanas, três vezes, "para aliviar quando a raiva fica demais", sempre depois de brigas com a mãe. Diz que depois "fica calma", mas também "com vergonha".
Avaliação:
- intenção: nega intenção de morrer nos episódios e ideação suicida atual; diz que os cortes são "para aguentar, e não para morrer";
- padrão: três episódios, com a mesma função de alívio da raiva; sem objetos guardados para isso;
- lesões: mostrou as marcas, cicatrizadas, sem necessidade de cuidado médico;
- contexto: nega uso de álcool ou drogas; relata que duas amigas também se cortam.
Leitura clínica: a autolesão parece funcionar como forma de regular emoções intensas, que alivia na hora e mantém o ciclo, como descreve a literatura (Nock, 2010). Não há, hoje, sinais de intenção suicida, mas a autolesão é fator de risco a acompanhar em todas as sessões. O fato de as amigas também se cortarem pede atenção ao contágio no grupo.
Comunicação à mãe: discutido com Bianca que a mãe precisaria saber da autolesão, para protegê-la, e combinado como. A comunicação foi feita em conjunto, ao final da sessão, restrita à autolesão e às medidas de proteção, sem o conteúdo das brigas, conforme o art. 13 do Código de Ética. A mãe reagiu com susto e se comprometeu a não confrontar a filha em casa.
Conduta: construído plano de segurança; introduzidas estratégias de regulação emocional, como gelo na mão, exercício intenso e escrever o que sente; encontro de orientação com a mãe marcado para a próxima semana. Sessões semanais mantidas.
Reavaliação: autolesão e ideação em todas as sessões.
Autolesão na adolescência no DocsPSI: risco, família e sigilo, com registro claro
Com adolescentes que se machucam, o registro precisa separar com cuidado: a avaliação da intenção e do risco, a função da autolesão, o que foi combinado com o adolescente e o que foi comunicado aos responsáveis, restrito ao essencial. É esse registro que mostra que o sigilo foi respeitado e que a proteção veio da conduta adotada.
No DocsPSI, cada sessão, gravada com consentimento ou importada depois em áudio, vira em menos de 5 minutos um prontuário inteligente em 7 seções, com a avaliação de risco organizada a partir do que foi dito e as anotações privadas fora do que é compartilhado com a família. A IA organiza; a avaliação é sua. A Linha do Tempo Terapêutica mostra a frequência dos episódios ao longo das semanas. Na biblioteca de recursos, há materiais de regulação emocional, o roteiro de avaliação e gestão de segurança diante de risco de suicídio e o consentimento dos responsáveis com o assentimento do adolescente. A supervisão por IA, disponível 24 horas, ajuda a pensar a comunicação à família, como apoio à reflexão.
Para começar, há o primeiro mês promocional do Plano Starter, com acesso a todas as funcionalidades e sem fidelidade.
Perguntas frequentes
Autolesão é tentativa de suicídio?
Nem sempre. A autolesão não suicida geralmente regula emoções, mas é um fator de risco importante para suicídio e exige avaliação.
Devo contar aos pais que o adolescente se autolesiona?
Em geral, sim, comunicando o estritamente essencial para a proteção e, sempre que possível, junto com o adolescente.
Como a família deve reagir?
Com acolhimento, sem punição, com supervisão cuidadosa, restrição de meios e apoio para buscar ajuda.
Autolesão não suicida é diagnóstico?
Não como transtorno. No DSM-5-TR, a autolesão não suicida aparece entre as condições para estudos posteriores e, desde a revisão de 2022, também como condição que pode ser foco de atenção clínica, atual ou na história. Ela costuma acompanhar outros quadros, que a avaliação precisa investigar.
Referências: Conselho Federal de Psicologia. Código de Ética Profissional do Psicólogo, arts. 10 e 13 · Resolução CFP nº 01/2009, art. 5º · Brasil. Lei 13.819/2019, art. 6º · American Psychiatric Association. DSM-5-TR. Porto Alegre: Artmed, 2023.
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