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A IA pode reduzir muito o tempo de registro. Mas um prontuário com uma frase inventada é pior do que um prontuário curto: ele documenta algo falso, e o prontuário é o documento que a pessoa atendida pode ler, que o Conselho pode pedir e que pode chegar à Justiça. Saber como as alucinações aparecem é o primeiro passo para detectá-las.
Este guia explica por que a IA alucina, mostra os tipos de erro mais comuns, traz um checklist de revisão e boas práticas. Base em como funciona uma IA que gera prontuário.
Por que a IA alucina
Modelos de linguagem geram o texto mais provável a partir de padrões. Quando faltam informações, tendem a preencher lacunas com o que costuma aparecer em textos parecidos. Em prontuários, isso produz frases típicas de evolução que não correspondem à sessão real, como a negativa de risco “de praxe” ou a técnica que “costuma” ser aplicada naquela abordagem.
Três situações aumentam o risco:
- Áudio ruim, com ruído, vozes sobrepostas ou falas baixas.
- Sessões pouco estruturadas, em que o tema muda muitas vezes.
- Ferramentas genéricas, sem instrução para separar o que foi dito do que é inferência.
Tipos de alucinação em prontuários
| Tipo | Exemplo | Risco |
|---|---|---|
| Negativa inventada | “Nega ideação suicida” (tema não abordado) | Falsa segurança sobre risco |
| Técnica inexistente | “Aplicada técnica de dessensibilização” (não foi aplicada) | Registro de procedimento não realizado |
| Dado trocado | Medicação ou dose errada | Informação incorreta para a equipe |
| Atribuição errada | Fala da terapeuta registrada como do paciente | Distorção do conteúdo |
| Interpretação excessiva | “Demonstra traços de personalidade dependente” | Rótulo sem avaliação |
| Nome ou parente trocado | “Relata conflito com o irmão” (era a irmã) | Erro factual |
| Continuidade inventada | “Mantém melhora observada nas últimas sessões” | Evolução que não aconteceu |
Checklist de revisão contra alucinações
- Cada afirmação sobre risco foi de fato abordada e avaliada por mim?
- As técnicas citadas foram realmente aplicadas?
- Nomes, parentescos, datas e medicações estão corretos?
- As falas estão atribuídas à pessoa certa?
- Há interpretações ou rótulos que eu não fiz?
- O texto diz algo que eu não lembro de ter acontecido? Se sim, remova.
- A evolução em relação às sessões anteriores confere com o que eu observei?
A regra prática: o que você não consegue sustentar, não assina. Uma frase a menos é melhor do que uma frase falsa.
Boas práticas
- Prefira ferramentas feitas para a clínica, com estrutura de prontuário e separação entre observado e hipótese.
- Revise no mesmo dia, enquanto a sessão está fresca na memória.
- Leia antes de assinar. A responsabilidade técnica pelo registro é de quem assina.
- Separe hipótese de fato. O que não foi compartilhado com o paciente vai para o registro documental.
- Cuide do áudio. Microfone próximo e ambiente silencioso reduzem erros de transcrição.
- Seja transparente com o paciente sobre o uso da ferramenta, no consentimento.
E em documentos como laudos?
O risco é maior, porque o documento sai do consultório e produz efeitos na vida da pessoa. O guia de IA do CFP admite o uso de IA como apoio, com revisão e autoria assumida pela psicóloga. A conclusão de um laudo é raciocínio clínico seu, fundamentado na avaliação. Veja laudo psicológico e IA para psicólogos.
Como o DocsPSI lida com isso
Nenhuma IA é imune a erro, e desconfie de quem promete o contrário. O que dá para fazer é desenhar o sistema para que o erro apareça e seja corrigido antes da assinatura. É o que o DocsPSI faz:
- Contexto em vez de adivinhação. A IA consulta o dossiê clínico do paciente e considera a abordagem e a especialidade que você informou nas configurações, em vez de preencher lacunas com suposições genéricas.
- O que é dado e o que é hipótese, separados. O prontuário inteligente em 7 seções distingue o relatado, o observado e a hipótese clínica, o que facilita notar uma inferência que não aconteceu.
- Risco sempre visível. A seção de avaliação de risco está em todo prontuário, baseada no que foi dito; você confere o que foi perguntado e respondido.
- O áudio para conferir. O áudio da sessão fica vinculado ao prontuário, com criptografia, pelo período previsto no seu plano, para você checar um trecho duvidoso.
- A sua assinatura como filtro. Nada vale como registro oficial antes de você revisar, ajustar e assinar.
Para começar, há o primeiro mês promocional do Plano Starter, com acesso a todas as funcionalidades e sem fidelidade.
Perguntas frequentes
O que é alucinação de IA?
É quando o modelo gera uma informação plausível, mas falsa ou não sustentada pelo que foi dito na sessão.
Como evitar alucinações no prontuário?
Use ferramentas feitas para a clínica, cuide da qualidade do áudio e leia o prontuário antes de assinar, com atenção a risco, técnicas, nomes e medicações.
Quem responde por um erro da IA no prontuário?
A psicóloga que assinou. O guia de IA do CFP deixa claro que a responsabilidade pelo conteúdo é da profissional.
A IA pode registrar risco que não foi avaliado?
Pode, inclusive como negativa inventada, como “nega ideação suicida”. Toda afirmação sobre risco deve ser conferida por você.
Posso corrigir o prontuário depois de assinado?
Correções devem ser feitas com transparência, por novo registro datado que retifica o anterior, sem apagar o que foi escrito.
Referências: Conselho Federal de Psicologia. Inteligência Artificial na Psicologia: guia para uma prática ética e responsável · Resolução CFP nº 01/2009 · Manual Orientativo de Registro e Elaboração de Documentos Psicológicos (CFP, 2025).
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