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Alucinações de IA no prontuário: como revisar

Alucinação de IA no prontuário psicológico: o que é, exemplos de erro, por que acontece, checklist de revisão e boas práticas para usar IA com segurança.

Revisão de rascunho de IA para identificar informações sem apoio no registro original.
Sumário6 seções

A IA pode reduzir muito o tempo de registro. Mas um prontuário com uma frase inventada é pior do que um prontuário curto: ele documenta algo falso, e o prontuário é o documento que a pessoa atendida pode ler, que o Conselho pode pedir e que pode chegar à Justiça. Saber como as alucinações aparecem é o primeiro passo para detectá-las.

Este guia explica por que a IA alucina, mostra os tipos de erro mais comuns, traz um checklist de revisão e boas práticas. Base em como funciona uma IA que gera prontuário.

Por que a IA alucina

Modelos de linguagem geram o texto mais provável a partir de padrões. Quando faltam informações, tendem a preencher lacunas com o que costuma aparecer em textos parecidos. Em prontuários, isso produz frases típicas de evolução que não correspondem à sessão real, como a negativa de risco “de praxe” ou a técnica que “costuma” ser aplicada naquela abordagem.

Três situações aumentam o risco:

  • Áudio ruim, com ruído, vozes sobrepostas ou falas baixas.
  • Sessões pouco estruturadas, em que o tema muda muitas vezes.
  • Ferramentas genéricas, sem instrução para separar o que foi dito do que é inferência.

Tipos de alucinação em prontuários

TipoExemploRisco
Negativa inventada“Nega ideação suicida” (tema não abordado)Falsa segurança sobre risco
Técnica inexistente“Aplicada técnica de dessensibilização” (não foi aplicada)Registro de procedimento não realizado
Dado trocadoMedicação ou dose erradaInformação incorreta para a equipe
Atribuição erradaFala da terapeuta registrada como do pacienteDistorção do conteúdo
Interpretação excessiva“Demonstra traços de personalidade dependente”Rótulo sem avaliação
Nome ou parente trocado“Relata conflito com o irmão” (era a irmã)Erro factual
Continuidade inventada“Mantém melhora observada nas últimas sessões”Evolução que não aconteceu

Checklist de revisão contra alucinações

  • Cada afirmação sobre risco foi de fato abordada e avaliada por mim?
  • As técnicas citadas foram realmente aplicadas?
  • Nomes, parentescos, datas e medicações estão corretos?
  • As falas estão atribuídas à pessoa certa?
  • Há interpretações ou rótulos que eu não fiz?
  • O texto diz algo que eu não lembro de ter acontecido? Se sim, remova.
  • A evolução em relação às sessões anteriores confere com o que eu observei?

A regra prática: o que você não consegue sustentar, não assina. Uma frase a menos é melhor do que uma frase falsa.

Boas práticas

  1. Prefira ferramentas feitas para a clínica, com estrutura de prontuário e separação entre observado e hipótese.
  2. Revise no mesmo dia, enquanto a sessão está fresca na memória.
  3. Leia antes de assinar. A responsabilidade técnica pelo registro é de quem assina.
  4. Separe hipótese de fato. O que não foi compartilhado com o paciente vai para o registro documental.
  5. Cuide do áudio. Microfone próximo e ambiente silencioso reduzem erros de transcrição.
  6. Seja transparente com o paciente sobre o uso da ferramenta, no consentimento.

E em documentos como laudos?

O risco é maior, porque o documento sai do consultório e produz efeitos na vida da pessoa. O guia de IA do CFP admite o uso de IA como apoio, com revisão e autoria assumida pela psicóloga. A conclusão de um laudo é raciocínio clínico seu, fundamentado na avaliação. Veja laudo psicológico e IA para psicólogos.

Como o DocsPSI lida com isso

Nenhuma IA é imune a erro, e desconfie de quem promete o contrário. O que dá para fazer é desenhar o sistema para que o erro apareça e seja corrigido antes da assinatura. É o que o DocsPSI faz:

  • Contexto em vez de adivinhação. A IA consulta o dossiê clínico do paciente e considera a abordagem e a especialidade que você informou nas configurações, em vez de preencher lacunas com suposições genéricas.
  • O que é dado e o que é hipótese, separados. O prontuário inteligente em 7 seções distingue o relatado, o observado e a hipótese clínica, o que facilita notar uma inferência que não aconteceu.
  • Risco sempre visível. A seção de avaliação de risco está em todo prontuário, baseada no que foi dito; você confere o que foi perguntado e respondido.
  • O áudio para conferir. O áudio da sessão fica vinculado ao prontuário, com criptografia, pelo período previsto no seu plano, para você checar um trecho duvidoso.
  • A sua assinatura como filtro. Nada vale como registro oficial antes de você revisar, ajustar e assinar.

Para começar, há o primeiro mês promocional do Plano Starter, com acesso a todas as funcionalidades e sem fidelidade.

Perguntas frequentes

O que é alucinação de IA?

É quando o modelo gera uma informação plausível, mas falsa ou não sustentada pelo que foi dito na sessão.

Como evitar alucinações no prontuário?

Use ferramentas feitas para a clínica, cuide da qualidade do áudio e leia o prontuário antes de assinar, com atenção a risco, técnicas, nomes e medicações.

Quem responde por um erro da IA no prontuário?

A psicóloga que assinou. O guia de IA do CFP deixa claro que a responsabilidade pelo conteúdo é da profissional.

A IA pode registrar risco que não foi avaliado?

Pode, inclusive como negativa inventada, como “nega ideação suicida”. Toda afirmação sobre risco deve ser conferida por você.

Posso corrigir o prontuário depois de assinado?

Correções devem ser feitas com transparência, por novo registro datado que retifica o anterior, sem apagar o que foi escrito.

Equipe Editorial DocsPSI

Guias escritos a partir das resoluções do Conselho Federal de Psicologia, do Manual Orientativo de Registro e Elaboração de Documentos Psicológicos (CFP, 2025) e da rotina de milhares de consultórios que usam o DocsPSI.

Revisão técnica: Ana Vanessa de Medeiros Neves — Psicóloga Clínica e da Saúde, CRP 03/3592.

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