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Câmeras no consultório: o que dizem os CRPs

Câmeras no consultório de psicologia: áreas comuns x sala de atendimento, Código de Ética, LGPD, clínicas compartilhadas e modelo de aviso.

Recepção de clínica e sala de atendimento delimitadas, em discussão sobre câmeras e privacidade.
Sumário6 seções

Clínicas compartilhadas, coworkings de saúde e prédios comerciais instalam câmeras por segurança — e muitas psicólogas só percebem quando já estão atendendo. A pergunta certa não é "câmera pode?", mas onde está, o que capta e quem acessa.

Este guia separa áreas comuns e sala de atendimento, resume o que o Código de Ética e a LGPD exigem, traz um checklist para clínicas compartilhadas e um modelo de aviso.

Áreas comuns x sala de atendimento

LocalSituaçãoCuidados
Entrada, recepção, corredorEm geral aceitável para segurançaAviso visível, finalidade de segurança, acesso restrito às imagens
Sala de esperaAceitável com cuidadoNão captar áudio; evitar enquadrar documentos ou telas
Sala de atendimentoIncompatível com o sigilo, salvo consentimento específico para finalidade técnicaNão deve haver captação do atendimento sem consentimento livre, informado e por escrito

O que os CRPs costumam orientar

Conselhos Regionais publicaram notas e orientações sobre o uso de câmeras em locais de atendimento psicológico. Os pontos em comum:

  • a gravação de atendimentos depende de consentimento prévio, livre e informado, de preferência registrado por escrito;
  • a instituição não pode impor a gravação dos atendimentos;
  • o sigilo prevalece sobre justificativas genéricas de segurança dentro da sala;
  • a psicóloga deve verificar e, se necessário, recusar condições incompatíveis com o Código (art. 3º, parágrafo único). O mesmo Código pede serviços prestados em condições de trabalho dignas e apropriadas à natureza desses serviços (art. 1º, "c").

Como as orientações variam entre regiões, confira a do seu CRP antes de decidir.

E a LGPD?

Imagens e sons de pessoas são dados pessoais; em um serviço de saúde, podem revelar dados sensíveis, como o fato de alguém fazer terapia (LGPD, art. 5º, II). O tratamento precisa respeitar finalidade e necessidade (art. 6º) e ter medidas de segurança (art. 46). Por isso:

  • informe a existência das câmeras com aviso visível;
  • defina finalidade (segurança) e prazo de retenção das imagens;
  • restrinja o acesso às gravações;
  • inclua o tema no aviso de privacidade do consultório.

Veja LGPD para psicólogos.

ModeloAviso de câmeras para a recepção (exemplo)

Ambiente monitorado por câmeras nas áreas comuns, para fins de segurança. Não há câmeras nas salas de atendimento. As imagens são guardadas por 30 dias, com acesso restrito à administração, e tratadas conforme a Lei Geral de Proteção de Dados. Dúvidas: fale com a recepção.

Clínica compartilhada: checklist antes de alugar a sala

  • Há câmera na sala? Capta áudio?
  • Quem tem acesso às imagens e por quanto tempo ficam guardadas?
  • A câmera pode ser desligada ou removida durante os atendimentos?
  • Há isolamento acústico suficiente?
  • O contrato com a clínica garante o sigilo dos atendimentos?

Mais critérios em sala própria, sublocação ou hora avulsa.

Quando a câmera tem finalidade técnica

Em clínicas-escola, pesquisa ou supervisão, a observação por câmera ou espelho unidirecional pode ter finalidade legítima. Mesmo assim, vale a regra: consentimento específico e por escrito, informado desde o início, com finalidade clara e guarda segura. Veja gravar sessão para supervisão e o guia principal de gravação de sessão de terapia.

Onde o DocsPSI ajuda

Se você quer registrar o atendimento, a forma ética é a gravação de áudio consentida, não a câmera. No DocsPSI, antes de cada gravação você confirma na plataforma o termo de consentimento, e esse aceite fica registrado de forma imutável, com data, hora e identificação do dispositivo; obter o consentimento do paciente continua sendo sua responsabilidade. O áudio vira um prontuário completo em 7 seções clínicas, que você revisa e assina, e é excluído automaticamente após o período definido no plano.

Perguntas frequentes

Pode ter câmera na sala de atendimento psicológico?

Não para captar os atendimentos sem consentimento. O Código de Ética exige informar qualquer meio de registro desde o início (art. 14) e respeitar o sigilo (art. 9º). A gravação de atendimentos depende de consentimento prévio, livre, informado e por escrito.

A clínica pode exigir câmera na sala?

As orientações dos Conselhos Regionais indicam que a gravação de atendimentos não pode ser imposta pela instituição. A psicóloga deve recusar condições incompatíveis com o Código (art. 3º).

Câmera na recepção é permitida?

Em geral sim, para segurança, com aviso visível e tratamento das imagens conforme a LGPD.

Posso gravar a sessão em vídeo?

Só com consentimento específico, informado desde o início e com finalidade técnica clara, como supervisão ou pesquisa. Para o registro clínico, o áudio consentido costuma bastar.

Referências: Conselho Federal de Psicologia. Código de Ética Profissional do Psicólogo, arts. 1º, 3º, 9º e 14 · Orientações dos Conselhos Regionais de Psicologia sobre uso de câmeras e gravação de sessões · Brasil. Lei 13.709/2018 (LGPD), arts. 5º, 6º e 46.

Equipe Editorial DocsPSI

Guias escritos a partir das resoluções do Conselho Federal de Psicologia, do Manual Orientativo de Registro e Elaboração de Documentos Psicológicos (CFP, 2025) e da rotina de milhares de consultórios que usam o DocsPSI.

Revisão técnica: Ana Vanessa de Medeiros Neves — Psicóloga Clínica e da Saúde, CRP 03/3592.

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