Sumário6 seções
Poucos diagnósticos carregam tanto estigma — inclusive entre profissionais. Usado com rigor, orienta o tratamento; usado como rótulo, afasta o paciente. Contexto em CID-11 para psicólogos.
Os nove critérios (DSM-5-TR, em síntese)
| # | Critério |
|---|---|
| 1 | Esforços intensos para evitar abandono real ou imaginado |
| 2 | Relações instáveis e intensas, alternando idealização e desvalorização |
| 3 | Perturbação da identidade — autoimagem instável |
| 4 | Impulsividade em pelo menos duas áreas potencialmente autodestrutivas |
| 5 | Comportamentos, gestos ou ameaças suicidas recorrentes ou autolesão |
| 6 | Instabilidade afetiva por reatividade acentuada do humor |
| 7 | Sentimentos crônicos de vazio |
| 8 | Raiva intensa e inapropriada ou dificuldade de controlá-la |
| 9 | Ideação paranoide transitória ou sintomas dissociativos graves associados ao estresse |
CID-11
- 6D10 — transtorno de personalidade, com gravidade (leve, moderado, grave).
- Qualificadores de traços (afetividade negativa, desapego, dissocialidade, desinibição, anancastia).
- 6D11.5 — padrão borderline.
Diagnóstico diferencial
- Transtorno bipolar (episódios x instabilidade reativa)
- TEPT complexo (6B41)
- TDAH
- Transtornos por uso de substâncias
- Outros transtornos de personalidade
Cuidados
- Avalie ao longo do tempo — não na primeira sessão.
- Avalie risco de suicídio sistematicamente — veja plano de segurança.
- Evite o rótulo como explicação para dificuldades da relação terapêutica.
- Tratamentos com evidência incluem DBT — veja habilidades DBT.
Registro no prontuário
- Enquanto a hipótese não for compartilhada com o paciente, registre-a no registro documental, como orienta o Manual Orientativo do CFP (2025). Veja hipótese diagnóstica no prontuário.
- No prontuário, descreva comportamentos observáveis e o relato, sem adjetivos que rotulem (“manipuladora”, “difícil”).
- Registre a avaliação de risco em toda sessão em que houver sinais, e as condutas tomadas.
Sessão 9 · 50 minutos · presencial. Paciente: Tamires (nome fictício), 23 anos, estudante, em acompanhamento há dois meses por instabilidade nos relacionamentos e autolesão.
Relato: briga com o namorado na sexta-feira, depois que ele demorou três horas para responder às mensagens. Relata medo intenso de ser deixada ("tive certeza de que ele estava me largando"), dezenas de mensagens enviadas e cortes superficiais no braço na mesma noite, "para parar de sentir". No dia seguinte, o namorado explicou que estava sem bateria.
Avaliação de risco: nega intenção de morrer nos cortes e ideação suicida atual; lesões superficiais, sem necessidade de cuidado médico. Revisado o plano de segurança.
Intervenção: trabalhada a sequência da noite: gatilho (mensagem sem resposta), interpretação ("ele vai me deixar"), emoção (pânico e vazio, 10 de 10), ação (mensagens e cortes) e consequência (alívio breve, vergonha no dia seguinte). A paciente identificou que ligar para a irmã ajudou em outra ocasião, na semana anterior, e que a vontade de se cortar diminuiu depois de 20 minutos de conversa.
Leitura clínica: o registro descreve comportamentos, emoções e sequências, e não um rótulo. Hipóteses diagnósticas, se houver, ficam no registro documental, porque o rótulo pode estigmatizar e não acrescenta ao que precisa ser trabalhado agora: a regulação da emoção intensa e o medo do abandono (Linehan, 1993).
Plano: incluir no plano de segurança a ligação para a irmã como primeira estratégia; treinar uma técnica de regulação intensa, como água gelada no rosto, para os primeiros minutos.
Instabilidade emocional no DocsPSI: descrever sem rotular, acompanhar o risco
Quando o quadro envolve medo intenso de abandono, instabilidade e autolesão, o registro precisa descrever sequências (gatilho, emoção, ação, consequência) em vez de rótulos, e manter a avaliação de risco em todas as sessões. Hipóteses diagnósticas, se houver, ficam no registro documental.
No DocsPSI, cada sessão, gravada com consentimento ou importada depois em áudio, vira em menos de 5 minutos um prontuário inteligente em 7 seções, que separa o observado das hipóteses e organiza a avaliação de risco a partir do que foi dito. A Linha do Tempo Terapêutica mostra a frequência dos episódios e o uso das estratégias ao longo das semanas. Na biblioteca de recursos, os materiais de regulação emocional e os lembretes para situações difíceis vão ao paciente por link, e o DocsPSI Studio permite montar uma grade diária de habilidades. A supervisão por IA, disponível 24 horas, ajuda a pensar a conduta num momento difícil, como apoio que não substitui a supervisão humana.
A avaliação e as decisões são suas. Para começar, há o primeiro mês promocional do Plano Starter, com acesso a todas as funcionalidades e sem fidelidade.
Perguntas frequentes
Quantos critérios são necessários para o diagnóstico de borderline?
Pelo DSM-5-TR, pelo menos cinco dos nove critérios, em um padrão difuso que começa no início da vida adulta.
Qual o CID-11 do borderline?
Transtorno de personalidade (6D10), com gravidade especificada, e o qualificador de padrão borderline (6D11.5).
Adolescentes podem receber diagnóstico de borderline?
Com cautela: o DSM-5-TR admite o diagnóstico antes dos 18 anos quando os traços são difusos, persistentes e duram pelo menos um ano.
Devo contar o diagnóstico ao paciente?
Em geral, sim, com cuidado e no momento certo. Explicado como um padrão compreensível, que tem tratamento com evidência, o diagnóstico pode aliviar e orientar. Evite apresentá-lo como sentença ou traço de caráter, e registre a conversa e a reação do paciente.
Referências: American Psychiatric Association. DSM-5-TR. Porto Alegre: Artmed, 2023 · Organização Mundial da Saúde. CID-11 (6D10, 6D11.5) · Linehan, M. M. Treinamento de habilidades em DBT. 2. ed. Porto Alegre: Artmed, 2018 · Conselho Federal de Psicologia. Manual Orientativo de Registro e Elaboração de Documentos Psicológicos (CFP, 2025).
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