Sumário6 seções
A criança chega à terapia porque os adultos decidiram. Transformar esse primeiro contato em uma experiência segura e interessante é o objetivo do primeiro encontro. Roteiro geral em primeira sessão de psicoterapia.
Encontro com os responsáveis
- Queixa, história e expectativas — veja anamnese infantil.
- Autorização para o atendimento (art. 8º). Se nenhum responsável legal se apresentar, o atendimento é feito e comunicado às autoridades competentes (art. 8º, § 1º).
- Em pais separados, combine como os dois serão informados, sem que a terapia vire instrumento da disputa.
- Enquadre: frequência, valor, faltas, sessões de orientação.
- Sigilo: o que será compartilhado com os pais — veja o que os pais podem saber.
- Como apresentar a terapia à criança antes da primeira sessão (sem ameaças: "se não se comportar, vai para a psicóloga").
Primeiro encontro com a criança
| Momento | O que fazer |
|---|---|
| Chegada | Receber com calma; permitir que o responsável fique um pouco, se necessário |
| Apresentação | "Eu sou a [seu nome], trabalho ajudando crianças com sentimentos e preocupações." |
| Por que está ali | Perguntar o que sabe; explicar de forma simples e sem culpa |
| Sigilo | "O que você me conta fica entre nós, a não ser que eu fique preocupada com sua segurança." |
| Brincar livre | Oferecer materiais variados e observar escolhas |
| Fechamento | Avisar que o tempo está acabando; combinar o próximo encontro |
Materiais e sala
Materiais versáteis (massinha, papel, lápis, bonecos, carrinhos, jogos simples), em quantidade que não sobrecarregue. Organize a sala para que a criança possa escolher.
O que observar
- Separação do responsável.
- Escolhas e forma de brincar.
- Interação com você.
- Nível de atividade, atenção e frustração.
- Linguagem e temas trazidos.
Registro
Registre o encontro com os pais e a primeira sessão da criança com observações descritivas — veja evolução na clínica infantil. Lembre que o representante legal tem acesso ao prontuário (Resolução CFP nº 01/2009, art. 5º, II).
14/04/2026 — Sessão 1 com a criança · 45 minutos · presencial. Criança: Manuela (nome fictício), 7 anos, 2º ano. Os pais foram ouvidos em duas entrevistas anteriores: estão em processo de separação, e a escola relata choro frequente e isolamento no recreio.
Chegada: separou-se da mãe na porta sem choro, depois de combinar que ela esperaria na recepção. Perguntou "o que a gente vai fazer aqui", e foi explicado, em linguagem simples, que ali é um lugar para brincar e conversar sobre o que ela quiser.
Brincadeira: escolheu os bonecos e montou uma casa com "uma família que briga muito". O boneco pai e a boneca mãe gritavam, e a boneca menina ia para debaixo da cama. Repetiu a cena duas vezes.
Comportamento: manteve a brincadeira por 30 minutos, com boa atenção. Frustrou-se ao derrubar a casa sem querer, com choro breve, e se recompôs com ajuda verbal ("às vezes a casa cai, e a gente pode montar de novo").
Leitura: a cena parece trazer o clima da casa, relatado pelos pais, e a posição da criança de se esconder. Não foi interpretada; será observada nas próximas sessões, sem significado fixo.
Final: perguntou se poderia voltar e se a casa ficaria montada. Combinado o próximo encontro e que a casa seria guardada "do jeito que ela deixou".
Plano: manter a brincadeira livre; orientação aos pais em duas semanas, com foco em como proteger Manuela das discussões.
Primeira sessão com criança no DocsPSI: responsáveis, criança e documentos em ordem
A primeira sessão infantil costuma ser, na verdade, duas: o encontro com os responsáveis e o primeiro encontro com a criança. Nos dois, há muito a registrar (guarda, autorização, história, a brincadeira escolhida, como a criança se separou), e pouco espaço para anotar sem perder a cena.
No DocsPSI, a biblioteca de recursos traz o contrato de serviços para criança ou adolescente e o consentimento dos responsáveis com o assentimento da criança, assinados eletronicamente por link, e o roteiro de atendimento de criança, sem pontuação. Os dois encontros, gravados com o consentimento dos responsáveis ou importados depois em áudio, viram em menos de 5 minutos prontuários inteligentes em 7 seções, com o observado separado das hipóteses e as anotações privadas fora do que será compartilhado com a família. A Linha do Tempo Terapêutica começa a registrar o percurso, e a supervisão por IA, disponível 24 horas, ajuda a pensar a leitura da primeira brincadeira, como apoio à reflexão.
A leitura do brincar é sua. Para começar, há o primeiro mês promocional do Plano Starter, com acesso a todas as funcionalidades e sem fidelidade.
Perguntas frequentes
Como é a primeira sessão de terapia infantil?
Geralmente começa com um encontro com os responsáveis e segue com o primeiro encontro com a criança, focado em vínculo e brincar livre.
Os pais participam da primeira sessão da criança?
Podem acompanhar o início, se a criança precisar, mas o espaço da sessão é dela.
Como explicar a terapia para a criança?
Com linguagem simples: um lugar para brincar, conversar sobre sentimentos e preocupações, onde o que ela conta fica protegido.
E se a criança não quiser entrar na sala?
Não force. Deixe o responsável entrar junto nos primeiros minutos ou comece o brincar na porta, e combine com ele uma saída gradual. A dificuldade de separação também é informação clínica: registre como aconteceu.
Referências: Conselho Federal de Psicologia. Código de Ética Profissional do Psicólogo, arts. 8º e 13 · Resolução CFP nº 01/2009, art. 5º · Manual Orientativo de Registro e Elaboração de Documentos Psicológicos (CFP, 2025).
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