Sumário9 seções
O ChatGPT entrou na rotina de muitas psicólogas antes de qualquer conversa sobre riscos. É útil para estudar, escrever e organizar o pensamento. O problema começa quando um trecho de sessão, um nome ou uma evolução vão parar na caixa de texto.
Este guia separa o que é seguro do que expõe o paciente, com base no guia de IA do CFP e na LGPD, e mostra como transformar um pedido arriscado em um pedido seguro. O panorama completo está em IA para psicólogos.
O que o CFP orienta sobre ChatGPT e IAs de uso geral
O guia Inteligência Artificial na Psicologia: guia para uma prática ética e responsável responde diretamente, na seção de perguntas e respostas:
O mesmo guia diz que o uso de IA no trabalho da psicóloga é ético quando funciona como ferramenta de apoio, com supervisão técnica, registro crítico do uso e sem violar sigilo ou consentimento. Para laudos e relatórios, admite a IA como apoio na redação, com revisão integral, autoria assumida e transparência de que houve ferramenta de apoio. O resumo comentado do guia está em guia do CFP sobre IA.
Por que dados de pacientes não devem ir para o ChatGPT
Três camadas de risco se somam.
- Ética. O sigilo é dever da psicóloga pelo Código de Ética Profissional do Psicólogo. Colar um trecho de sessão numa ferramenta de terceiros é revelar conteúdo sigiloso fora da relação profissional.
- LGPD. Dado de saúde é dado pessoal sensível (Lei 13.709/2018, art. 5º, II, e art. 11). A psicóloga é a controladora desses dados e responde pelo que faz com eles. Mandar conteúdo clínico para um serviço sem contrato adequado é um tratamento difícil de justificar.
- Técnica. Dependendo das configurações e do plano, as conversas podem ficar armazenadas e ser usadas para melhorar o modelo. Você não controla onde o texto vai parar.
Semáforo de usos
| Uso | Situação | Cuidado |
|---|---|---|
| Estudar um tema, resumir um artigo científico | Seguro | Confira as referências: a IA inventa citações |
| Escrever texto para site, e-mail institucional ou política de faltas | Seguro | Revise o tom e as regras de publicidade do art. 20 do Código de Ética |
| Criar material genérico de psicoeducação | Seguro | Confira a precisão antes de entregar a um paciente |
| Planejar aula, palestra ou grupo | Seguro | Nenhum |
| Tirar dúvida sobre norma do CFP | Cautela | A IA pode citar norma revogada; confira sempre na fonte oficial |
| Discutir um caso hipotético ou totalmente anonimizado | Cautela | Anonimize de verdade. Veja como anonimizar dados clínicos |
| Colar trecho de sessão, evolução ou relato do paciente | Evitar | Use ferramenta de saúde, com consentimento e contrato |
| Escrever laudo ou relatório com dados do paciente | Evitar | Mesmo motivo; e a autoria continua sendo sua |
| Pedir diagnóstico ou avaliação de risco | Não fazer | Decisão clínica é da psicóloga |
Do pedido arriscado ao pedido seguro
Quase todo pedido arriscado tem uma versão segura. O segredo é pedir estrutura, conhecimento ou linguagem, e não análise do seu paciente.
| Pedido arriscado | Pedido seguro |
|---|---|
| “Minha paciente Ana, 34 anos, professora em Sobral, contou que…” | “Quais temas costumam ser trabalhados com adultos em luto recente, segundo a literatura?” |
| “Organize esta evolução: [trecho da sessão]” | “Quais elementos uma evolução de sessão deve ter segundo a Resolução CFP nº 01/2009?” |
| “Escreva o relatório escolar do meu paciente de 8 anos com TDAH” | “Qual a estrutura de um relatório psicológico segundo a Resolução CFP nº 06/2019?” |
| “Ele disse que pensa em sumir. É risco?” | Nenhum. Avaliação de risco é sua, com supervisão humana se precisar |
| “Resuma a sessão de hoje com a Joana” | “Crie um roteiro de perguntas para eu revisar minhas anotações de sessão” |
Mais ideias em prompts para psicólogos, todas sem dados de pacientes.
Antes de colar qualquer coisa: o teste de 5 perguntas
Se você está em dúvida, responda antes de apertar Enter:
- Alguém que conhece o paciente o reconheceria por esse texto? Idade, profissão, cidade e um evento marcante, juntos, identificam uma pessoa.
- Há nome, apelido, data, local ou nome de terceiros (familiares, escola, empresa)?
- O texto é trecho literal de sessão ou de documento?
- O paciente consentiu com esse uso?
- Você sabe se a ferramenta usa suas conversas para treinamento e está com essa opção desativada?
Se a resposta à 1, 2 ou 3 for “sim”, ou à 4 ou 5 for “não”, não cole.
Cuidados que valem mesmo sem dados de pacientes
- Confira as normas. Ferramentas de uso geral repetem informação antiga. Um exemplo comum: citar a Resolução CFP nº 11/2018 e o cadastro no e-Psi, ambos revogados pela Resolução CFP nº 09/2024. Norma, só conferida na fonte.
- Desconfie das referências. A IA inventa artigos, autores e páginas com aparência convincente. Veja alucinação de IA no prontuário.
- Cuidado com a validação excessiva. O guia do CFP chama de “ciclo de validação” a tendência da IA de concordar com quem pergunta. Não use o chat para confirmar uma leitura clínica.
- Separe as contas. Não use a conta pessoal, compartilhada com a família, para qualquer coisa ligada ao consultório.
- Desative o treinamento. A maioria das ferramentas de uso geral oferece essa opção nas configurações ou nos termos. Confira antes de usar.
- Registre o uso. Se a IA ajudou num texto institucional ou num material entregue ao paciente, saiba dizer como. O guia pede registro crítico do uso.
Quando usar ferramenta feita para saúde
Gravar, transcrever e registrar atendimentos são tarefas com dado clínico por definição. Para elas, o guia do CFP pede consentimento informado e uma plataforma cujas condições de privacidade e armazenamento você conheça. Na prática, isso significa:
| Critério | Chat de uso geral | Ferramenta clínica adequada |
|---|---|---|
| Consentimento do paciente | Não existe no fluxo | Registrado antes de gravar |
| Uso dos dados para treinamento | Depende do plano e das configurações | Proibido por contrato ou política |
| Estrutura do registro | Texto livre | Estrutura do prontuário do CFP |
| Isolamento dos dados | Conta pessoal | Acesso restrito à profissional |
| Guarda e exclusão | Histórico de conversas | Regras claras de guarda e exclusão |
O caminho completo, da gravação ao registro, está em transcrição de sessão com IA.
Como o DocsPSI resolve a parte clínica
Um chat de uso geral é ótimo para estudar e escrever textos genéricos. Para o paciente, ele tem limites que nenhuma boa prática de prompt resolve:
| Chat de uso geral | DocsPSI | |
|---|---|---|
| Dados do paciente | Não devem entrar | Ficam na plataforma, com criptografia, isolados por profissional e fora do treinamento de modelos de IA |
| Consentimento | Nenhum registro | Termo confirmado antes de cada gravação, com aceite registrado de forma imutável |
| Memória do caso | Começa do zero a cada conversa | Consulta o dossiê clínico completo do paciente |
| Seu enquadre | Não conhece | Considera a abordagem teórica e a especialidade informadas nas configurações |
| Prontuário | Você cola e reescreve | Prontuário inteligente em 7 seções, em menos de 5 minutos |
| Documentos | Texto solto, sem estrutura | Laudos, relatórios e demais documentos da Resolução 06/2019, redigidos a partir do dossiê e com QR Code |
| Discussão de caso | Sem contexto e sem sigilo | Supervisão por IA 24 horas, a partir do dossiê |
O ChatGPT pode continuar no seu dia a dia para estudar e escrever. O paciente fica fora dele, e dentro do DocsPSI. Para começar, há o primeiro mês promocional do Plano Starter, com acesso a todas as funcionalidades e sem fidelidade.
Quando o paciente usa o ChatGPT
Muitos pacientes conversam com chatbots entre as sessões, às vezes como se fossem terapeutas. O guia do CFP orienta acolher sem julgamento, explicar limites e riscos e convidar o paciente a trazer o conteúdo para a sessão. Veja pacientes que usam chatbots de saúde mental e o debate sobre se a IA vai substituir psicólogos.
Perguntas frequentes
Psicólogo pode usar ChatGPT?
Pode, em tarefas sem dados de pacientes: estudo, textos institucionais, psicoeducação genérica, planejamento de aulas. O guia de IA do CFP pede para evitar inserir prontuários, nomes e itens identificáveis em ferramentas de uso geral.
Posso usar o ChatGPT para escrever evoluções?
Não com dados reais do paciente. Você pode perguntar como estruturar uma evolução, mas o conteúdo da sessão deve ficar em ferramenta feita para saúde, com consentimento do paciente, contrato e segurança de dados.
Anonimizar resolve?
Reduz o risco, mas só se for rigoroso. Detalhes combinados, como idade, profissão, cidade e um evento marcante, podem identificar uma pessoa mesmo sem o nome. O guia do CFP pede anonimização rigorosa, contrato de confidencialidade e consentimento registrado quando o uso for absolutamente necessário.
Preciso contar ao paciente que uso ChatGPT?
Se nenhum dado dele passa pela ferramenta, não há o que consentir. Se passar, o guia pede consentimento registrado. Em documentos em que a IA ajudou na redação, o guia pede transparência de que houve ferramenta de apoio.
A IA pode sugerir diagnóstico?
Não deve ser usada para isso. O guia do CFP não admite laudos, pareceres ou diagnósticos produzidos por IA sem supervisão da psicóloga, e o diagnóstico exige avaliação clínica.
O ChatGPT sabe as normas do CFP?
Nem sempre, e às vezes cita normas revogadas com segurança. Use a resposta como ponto de pesquisa e confirme na fonte oficial do CFP antes de aplicar.
Referências: Conselho Federal de Psicologia. Inteligência Artificial na Psicologia: guia para uma prática ética e responsável · Código de Ética Profissional do Psicólogo · Resolução CFP nº 01/2009 · Resolução CFP nº 06/2019 · Resolução CFP nº 09/2024 · Brasil. Lei 13.709/2018 (LGPD).
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